Jorginho Mello registra 58,8% e João Rodrigues, 16,5%, em pesquisa Paraná Pesquisas; planos priorizam filas, hospitais e atendimento regional, sem propostas específicas para HIV/aids, PrEP ou PEP
Santa Catarina chega à reta final da eleição para governador com Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição, registrando 58,8% das intenções de voto, segundo levantamento do Paraná Pesquisas divulgado nesta quarta-feira (23). João Rodrigues (PSD) aparece com 16,5%, seguido por Gelson Merísio (PSB), com 11,3%.
A pesquisa ouviu presencialmente 1.384 eleitores com 16 anos ou mais em 52 municípios catarinenses entre os dias 20 e 22 de setembro. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança, de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral.
Santa Catarina tem população estimada em 8,31 milhões de habitantes em 2026, distribuídos por 295 municípios.
Na saúde, os programas de Jorginho Mello e João Rodrigues concentram propostas em redução de filas, ampliação da rede hospitalar, regionalização da assistência, prevenção e atendimento especializado.
A Agência Aids consultou os dois documentos apresentados para o período de 2027 a 2030. Não foram localizadas propostas específicas para HIV/aids, PrEP ou PEP nos dois planos. O programa de João Rodrigues menciona, de forma geral, prevenção e vigilância de doenças transmissíveis e campanhas contra doenças infectocontagiosas, sem individualizar o HIV ou outras ISTs.
Quem é Jorginho Mello

Jorginho dos Santos Mello, 70 anos, é bancário, administrador e advogado. Natural de Ibicaré, foi vereador, deputado estadual, deputado federal e senador antes de assumir o Governo de Santa Catarina em 2023.
Em 2022, foi eleito governador com 70,64% dos votos válidos. Em 2026, disputa a reeleição pelo PL.
Seu plano para 2027 a 2030 apresenta sete grandes áreas, entre elas infraestrutura, segurança, saúde, educação, desenvolvimento econômico e gestão pública.
Jorginho concentra propostas em filas, hospitais e prevenção
O capítulo dedicado à saúde tem como diretriz garantir atendimento de alta e média complexidade de forma regionalizada, com articulação entre hospitais estaduais, estruturas próprias e redes municipais.
Entre as medidas está a continuidade do Fila Zero, com fortalecimento da tabela estadual de cirurgias e do programa de valorização dos hospitais filantrópicos e municipais.
O documento também prevê custeio dos mais de 300 novos leitos de UTI que, segundo o próprio programa, foram abertos na atual gestão, além de expansão do sistema estadual de saúde com planejamento para os próximos dez anos.
Outra proposta é ampliar as Carretas da Saúde da Mulher e da Família, destinadas à realização de exames preventivos em regiões de difícil acesso.
O plano também registra entre as realizações da atual gestão a ampliação de leitos de UTI, o volume de cirurgias eletivas e a criação de habilitações estaduais de alta complexidade em áreas como cardiologia e ortopedia.
Apesar das referências à prevenção e ao acesso regional aos serviços, o documento não apresenta uma política nominal para HIV/aids, ISTs, PrEP ou PEP.
Quem é João Rodrigues

João Rodrigues é comunicador e empresário, natural de São Valentim, no Rio Grande do Sul. Construiu a maior parte de sua trajetória política no Oeste catarinense.
Foi vice-prefeito e prefeito de Pinhalzinho, deputado estadual, deputado federal, secretário estadual da Agricultura e prefeito de Chapecó por diferentes mandatos. Em 2026, deixou a prefeitura para disputar o Governo de Santa Catarina pelo PSD.
Seu programa para 2027 a 2030 tem 25 páginas e apresenta a saúde como um dos principais eixos de investimento.
João Rodrigues propõe novos hospitais e força-tarefa contra filas
O programa de João Rodrigues prevê a elaboração de um Plano de Investimentos em Saúde, com planejamento regional.
Uma das propostas é construir novos hospitais para ampliar a assistência em diferentes regiões e diminuir deslocamentos de pacientes para os grandes centros. O documento também prevê a utilização das estruturas hospitalares antigas, depois de reformadas, como pronto-atendimentos e hospitais-dia.
Na Atenção Básica, o candidato propõe qualificar as equipes municipais, ampliar a telemedicina e as videoconsultas e fortalecer a integração entre as secretarias municipais de Saúde.
O plano cita expressamente o fortalecimento das ações de vigilância e prevenção de doenças transmissíveis, com ampliação das condições tecnológicas para diagnóstico precoce e controle.
Força-tarefa para cirurgias e mais serviços no interior
Na atenção especializada, João Rodrigues propõe criar uma Força-Tarefa Médica para reduzir as filas de cirurgias, em parceria com serviços de residência médica.
Também estão previstas novas salas cirúrgicas, ampliação de centros de diagnóstico e distribuição de serviços de média e alta complexidade de acordo com as demandas regionais.
O documento propõe ainda ampliar leitos hospitalares e de UTI e fortalecer hospitais de pequeno e médio porte para que realizem mais exames e cirurgias.
Na área de prevenção, o plano inclui campanhas de conscientização e orientação contra doenças infectocontagiosas, além de vacinação, saúde da mulher e da criança, saúde mental e prevenção ao uso de álcool e outras drogas.
Santa Catarina tem taxa de aids acima da média brasileira
O Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, mostra que Santa Catarina registrou em 2024 uma taxa de detecção de aids de 22,9 casos por 100 mil habitantes, enquanto a média brasileira ficou em 17,4.
O indicador catarinense foi o oitavo maior entre as unidades da Federação naquele ano.
O estado, porém, apresentou redução importante na última década. Em 2014, a taxa era de 29,5 casos por 100 mil habitantes. Em 2024, caiu para 22,9 — diminuição de 22,4% em dez anos.
No índice composto utilizado pelo Ministério da Saúde para acompanhar diferentes dimensões da epidemia entre 2020 e 2024, Santa Catarina aparece na 12ª posição entre as unidades federativas. O indicador considera, entre outros elementos, detecção de HIV e aids, mortalidade, diagnóstico em crianças e parâmetros relacionados ao momento do diagnóstico.
PrEP e prevenção já fazem parte da resposta estadual
A ausência de propostas próprias nos programas não significa que essas estratégias não existam atualmente no SUS catarinense.
A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina mantém acompanhamento específico de HIV/aids e publica boletins epidemiológicos periódicos sobre a epidemia. O boletim estadual mais recente disponível na página oficial é o de 2025, atualizado em janeiro de 2026.
A prevenção ao HIV no SUS inclui testagem, preservativos, Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), Profilaxia Pós-Exposição (PEP), tratamento antirretroviral e acompanhamento das pessoas vivendo com HIV, dentro das diretrizes nacionais de prevenção combinada.
Redação da Agência de Notícias da Aids



