Marcos Rogério lidera pesquisa Veritá com 47,8%, seguido por Adailton Fúria, com 19,7%; propostas concentram-se em regionalização, filas e saúde digital, enquanto HIV, ISTs, PrEP e PEP não recebem metas próprias
A disputa pelo governo de Rondônia tem Marcos Rogério (PL) na primeira posição e Adailton Fúria (PSD) em segundo lugar, segundo pesquisa do Instituto Veritá divulgada em 12 de setembro.
No cenário estimulado de primeiro turno, Marcos Rogério aparece com 47,8% das intenções de voto, enquanto Adailton Fúria registra 19,7%. Hildon Chaves (União Brasil) tem 11,8% e Expedito Netto (PT), 10,4%.
O levantamento ouviu 1.220 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 7 e 12 de setembro, por telefone. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança, de 95%.
Rondônia tem população estimada em 1.751.950 habitantes, segundo o IBGE, distribuídos por 52 municípios em uma área de 237,7 mil quilômetros quadrados. As distâncias entre os municípios e a concentração de serviços especializados aparecem entre os problemas apontados pelos dois programas de governo.
A Agência Aids consultou os documentos apresentados à Justiça Eleitoral por Marcos Rogério e Adailton Fúria para identificar as propostas relacionadas à saúde, ao Sistema Único de Saúde (SUS), aos direitos humanos, à população LGBTQIA+ e às políticas de prevenção e cuidado em HIV/aids, ISTs, PrEP e PEP.
Nos dois planos, a saúde recebe espaço amplo. Não foram localizadas, entretanto, propostas que mencionem nominalmente HIV, aids, PrEP ou PEP.
Quem é Marcos Rogério

Marcos Rogério é senador por Rondônia e cumpre mandato no Senado de 2019 a 2027. Nascido em Ji-Paraná, já exerceu mandato de deputado federal e atualmente é filiado ao PL.
Seu programa para 2027 a 2030 possui dez eixos estratégicos. O primeiro deles é dedicado à saúde e leva o título “Saúde: pessoas em primeiro lugar”.
Rogério promete atacar filas e regionalizar a assistência
O plano parte de uma crítica à concentração dos serviços especializados e ao deslocamento de pacientes até Porto Velho.
A proposta é organizar a política estadual de saúde a partir de quatro prioridades: enfrentamento das filas e reorganização da regulação; regionalização de consultas, exames, cirurgias e leitos; recuperação da capacidade hospitalar e da força de trabalho; e ampliação da prevenção, saúde digital e cuidado especializado.
Entre as primeiras medidas está a criação de um Gabinete de Crise da Saúde, sob coordenação direta do governador, com a meta de enfrentar em 180 dias o passivo de consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas.
Também estão previstas a construção de um novo pronto-socorro em Porto Velho, ampliação de leitos hospitalares, aperfeiçoamento da regulação e uso de saúde digital e telemedicina.
S.O.S. Saúde e Cirurgia Já
Outra proposta é o S.O.S. Saúde, operação extraordinária de 180 dias para reduzir a demanda acumulada.
O programa prevê utilização de capacidade ociosa da rede pública, privada e filantrópica, ampliação de atendimentos noturnos e nos fins de semana e estabelecimento de metas de produção.
Depois desse período, o plano propõe o Cirurgia Já, destinado a manter a oferta de cirurgias durante todo o ano e impedir a formação de novas filas.
A candidatura também promete criar uma nova plataforma estadual de regulação, integrada aos 52 municípios, com ordenação dos pacientes por protocolos clínicos, risco e tempo de espera.
Saúde Perto de Casa
No interior, a estratégia prevista é o Saúde Perto de Casa. O programa inclui uma tabela complementar estadual de financiamento do SUS, credenciamento de especialistas e exames nos próprios municípios e implantação de Ambulatórios Médicos de Especialidades em polos regionais.
Também estão previstos polos de telessaúde com atendimento remoto de especialistas e fortalecimento dos hospitais regionais.
O documento afirma que a intenção é reduzir a necessidade de longos deslocamentos de pacientes até a capital.
Apesar do detalhamento das propostas gerais de saúde, HIV/aids, ISTs, PrEP e PEP não aparecem nominalmente como políticas próprias no plano consultado.
Quem é Adailton Fúria

Adailton Antunes Ferreira, o Adailton Fúria, é advogado e nasceu em Cacoal. Iniciou a trajetória política como vereador do município, foi deputado estadual e posteriormente prefeito de Cacoal, cargo para o qual foi reeleito em 2024. Em 2026, disputa o governo de Rondônia pelo PSD.
O próprio programa registra essa trajetória e apresenta Fúria como ex-vereador, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Cacoal.
Seu plano possui 116 páginas e reúne 245 compromissos distribuídos em quatro grandes pilares. A saúde está inserida no primeiro, denominado “Proteger a Vida”, por meio do programa “Saúde Perto de Quem Precisa”.
Fúria propõe fila única, regionalização e fortalecimento da atenção primária
Na saúde, Adailton Fúria também coloca a regionalização entre as prioridades. O plano propõe reorganizar a regulação para consultas, exames, cirurgias e internações, identificar filas acumuladas e acompanhar o tempo de espera.
Outra frente é o fortalecimento dos hospitais e das referências regionais, com reorganização da assistência em Ji-Paraná e Ariquemes e avaliação de uma estrutura hospitalar de referência para a chamada Macro II.
O documento prevê ainda reforço da atenção primária em parceria com os municípios, com ações de vacinação, saúde bucal, acompanhamento de hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas, além de cuidado após alta e vigilância em saúde.
Saúde materno-infantil e primeira infância
O programa de Fúria também dedica um conjunto de propostas à saúde de gestantes, crianças e adolescentes.
Entre as medidas estão integração do pré-natal, identificação precoce de gestações de risco, transporte sanitário, parto seguro, atenção neonatal, puerpério, vacinação e acompanhamento da criança.
A candidatura também propõe integrar as políticas de primeira infância com saúde, educação, alimentação e prevenção da violência.
Direitos humanos e população LGBTQIA+
O plano de Adailton Fúria apresenta uma seção específica sobre “Direitos, inclusão, diversidade e acessibilidade”.
O documento propõe ações para enfrentar violência contra mulheres, racismo, intolerância religiosa, discriminação racial e violências contra a população LGBTQIA+. Também prevê qualificação dos serviços públicos para atendimento sem preconceito e articulação entre municípios, segurança, escolas, unidades de saúde e sociedade civil.
Raio-X do HIV/aids em Rondônia
Rondônia apresenta um cenário distinto de outros estados já abordados na série.
Em 2014, a taxa de detecção de aids era de 24 casos por 100 mil habitantes. Em 2024, caiu para 20,4 por 100 mil, redução de 15% em uma década. Apesar da queda, o indicador permaneceu acima da média nacional, de 17,4 casos por 100 mil habitantes.
A mortalidade seguiu direção diferente. Entre 2014 e 2024, enquanto o Brasil apresentou queda de 37% na taxa padronizada de mortalidade por aids, Rondônia registrou aumento de 2,3%. Foi um dos quatro estados brasileiros onde houve crescimento nesse indicador no período.
Dados estaduais ajudam a mostrar quem vem sendo mais atingido. Entre 2019 e 2024, Rondônia contabilizou 3.935 casos de HIV/aids em adultos. Aproximadamente metade ocorreu entre pessoas de 20 a 34 anos, e 72% dos registros foram entre homens.
A região de Madeira-Mamoré, onde está Porto Velho, concentrou 2.060 casos no período, o maior número entre as sete regiões de saúde do estado.
PrEP e PEP já fazem parte da rede de prevenção
Embora não apareçam nos planos dos dois candidatos, PrEP e PEP já integram a resposta pública ao HIV em Rondônia.
O governo estadual informa que a rede oferece Profilaxia Pós-Exposição ao HIV e Profilaxia Pré-Exposição, além de testagem rápida e distribuição de preservativos e outros insumos de prevenção.
Em ações realizadas em 2024, foram distribuídos no estado 658 mil preservativos, 38,4 mil unidades de gel lubrificante e mais de 26 mil testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C.
O próximo governo assumirá um estado que conseguiu reduzir a taxa de detecção de aids na última década, mas ainda registra índice superior à média brasileira e apresentou aumento da mortalidade por aids no mesmo período.
Redação da Agência de Notícias da Aids



