Governadora e ex-prefeito do Recife estão tecnicamente empatados na pesquisa AtlasIntel; programas apresentam propostas para regionalização e ampliação do SUS, mas não estabelecem ações específicas para PrEP ou PEP
A disputa pelo Governo de Pernambuco chega à reta final com a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) tecnicamente empatados.
Pesquisa AtlasIntel divulgada em 17 de setembro mostra Raquel com 48,7% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto João Campos registra 45,6%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento ouviu 1.793 eleitores entre os dias 11 e 16 de setembro, tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral.
Na saúde, os programas dos dois candidatos concentram propostas em regionalização, ampliação da rede hospitalar, fortalecimento da Atenção Primária, atendimento especializado e redução das filas do Sistema Único de Saúde (SUS).
Quando o recorte é HIV/aids e outras infecções sexualmente transmissíveis, os documentos apresentam conteúdos diferentes. O plano de Raquel Lyra cita prevenção e controle das ISTs, testagem, diagnóstico precoce e eliminação da transmissão vertical do HIV. No programa de João Campos, aparecem propostas de saúde para a população LGBTQIAPN+, mas não foram localizadas referências nominais a HIV/aids, PrEP ou PEP.
Pernambuco registrou mais de 1,5 mil casos de aids em 2024
O cenário epidemiológico ajuda a dimensionar a importância dessas políticas. Segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, Pernambuco registrou 1.968 casos de HIV em 2024. Em relação à aids, foram 1.537 casos no mesmo ano.
A taxa de detecção de HIV ficou em 20,6 casos por 100 mil habitantes, enquanto a de aids foi de 16,1 por 100 mil. O estado também registrou 422 mortes por aids em 2024, com taxa padronizada de mortalidade de 3,6 óbitos por 100 mil habitantes.
Os dados referentes a 2025 ainda eram preliminares no fechamento do boletim: até 30 de setembro daquele ano, haviam sido registrados 1.503 casos de HIV e 1.064 casos de aids.
Quem é Raquel Lyra

Raquel Lyra é advogada, ex-procuradora do Estado, ex-deputada estadual e ex-prefeita de Caruaru. Eleita em 2022, tornou-se a primeira mulher a governar Pernambuco. Em 2026, disputa a reeleição pelo PSD.
Seu programa para 2027 a 2030 apresenta propostas em áreas como saúde, educação, segurança pública, desenvolvimento econômico e cidadania. Na saúde, o documento prevê continuidade e ampliação de políticas iniciadas no atual mandato.
Raquel cita ISTs, testagem e transmissão vertical do HIV
O plano dedica um eixo específico à Saúde e Qualidade de Vida, com propostas para ampliação da rede hospitalar de média e alta complexidade, fortalecimento da Atenção Primária, modernização dos serviços e redução das filas.
Na atenção materno-infantil, o programa prevê ampliar e qualificar a linha de cuidado destinada a gestantes, mães e crianças, incluindo pré-natal, testagem e acompanhamento.
É nesse conjunto de propostas que aparecem referências diretas às infecções sexualmente transmissíveis.
O documento prevê ações de prevenção e controle das ISTs, ampliação da testagem e do diagnóstico precoce, além do enfrentamento da sífilis congênita e da eliminação da transmissão vertical do HIV, quando o vírus pode ser transmitido da mãe para a criança durante a gestação, parto ou amamentação.
A proposta também inclui ampliação e interiorização da rede de hospitais da mulher, assistência às gestações de alto risco e ações de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças que atingem especialmente a população feminina.
Apesar das referências às ISTs e ao HIV, não foram identificadas propostas nominais específicas para ampliação da PrEP ou da PEP no material consultado.
Quem é João Campos

João Henrique de Andrade Lima Campos é engenheiro civil e presidente nacional do PSB. Foi deputado federal por Pernambuco e prefeito do Recife, cargo para o qual foi eleito em 2020 e reeleito em 2024.
Para a disputa estadual, apresenta o programa “Pernambuco Pronto para Fazer História”, com propostas para saúde, desenvolvimento econômico, políticas sociais, mulheres e direitos e diversidades.
João Campos propõe interiorização e integração do SUS
Na saúde, uma das principais diretrizes do programa é reduzir a concentração dos serviços especializados na Região Metropolitana.
O plano prevê ampliar a estrutura estadual nas áreas onde existem vazios assistenciais, fortalecer hospitais regionais e Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs) e aproximar consultas, exames e procedimentos de média e alta complexidade da população do interior.
Entre as propostas estão ampliação da rede hospitalar, fortalecimento da atenção especializada, política de fixação de médicos e expansão da Atenção Primária.
A regionalização, a telemedicina e outras ferramentas digitais também aparecem como estratégias para diminuir deslocamentos e melhorar o acesso aos serviços. Novos hospitais, combate às filas, descentralização do atendimento e tecnologia estão entre os principais pontos dos planos estaduais de saúde apresentados na campanha.
O programa prevê ainda prontuário integrado e mecanismos de gestão das filas, além do fortalecimento da assistência farmacêutica e da Rede de Atenção Psicossocial.
Saúde LGBTQIAPN+ aparece entre as propostas de João Campos
O programa dedica uma seção específica à garantia de direitos e diversidades.
Entre as propostas está a oferta de suporte contínuo em saúde mental para a população LGBTQIAPN+ em todas as macrorregiões do estado e a capacitação da rede pública para o respeito ao nome social.
O documento também prevê ações de acolhimento e inclusão dessa população nos serviços públicos e encaminhamento de situações de LGBTfobia para as redes de saúde e assistência social.
Pernambuco já possui uma Política Estadual de Saúde Integral LGBT e serviços ambulatoriais destinados a essa população. A Secretaria Estadual de Saúde informa que a política envolve Atenção à Saúde, Vigilância em Saúde e Educação em Saúde. ([Sesau Pernambuco][8])
No programa de João Campos consultado pela reportagem, porém, não foram localizadas propostas que mencionem nominalmente HIV/aids, PrEP ou PEP.
Pesquisa, medicamentos e novas tecnologias
Outro eixo do programa de João Campos é a criação de um Ecossistema da Saúde, Biotecnologia e Ciências da Vida.
A proposta prevê articulação entre instituições como Lafepe, Hemobrás, Fiocruz, universidades, hospitais e empresas para estimular pesquisa, inovação e produção de medicamentos, vacinas, hemoderivados, biofármacos e tecnologias diagnósticas.
O plano, entretanto, não individualiza o HIV/aids dentro dessa proposta.
Raio-X do HIV/aids em Pernambuco
Em 2024, Pernambuco contabilizou:
* 1.968 casos de HIV;
* 1.537 casos de aids;
* taxa de detecção de HIV de 20,6 por 100 mil habitantes;
* taxa de detecção de aids de 16,1 por 100 mil;
* 422 mortes por aids, com taxa padronizada de mortalidade de 3,6 por 100 mil habitantes.
No acompanhamento da transmissão vertical, foram notificadas 354 crianças expostas ao HIV em 2024. Até setembro de 2025, eram 151 registros.
O estado também mantém uma estrutura específica de prevenção e cuidado. O Plano Estadual de Saúde registra serviços para a população LGBTQIAPN+ e aponta PrEP e PEP entre as demandas atendidas nesses espaços.
No âmbito nacional, o Brasil mantém como objetivo a eliminação da aids e da transmissão do HIV como problemas de saúde pública até 2030.
Redação da Agência de Notícias da Aids



