Atual governador aparece com 64,15% dos votos válidos em nova pesquisa; programa de Riedel prevê regionalização, vigilância e saúde digital, enquanto Fábio Trad propõe ampliar a rede do SUS e inclui saúde integral para a população LGBTQIAP+
Mato Grosso do Sul chega às Eleições 2026 com o governador Eduardo Riedel (Progressistas) e o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) como os dois nomes mais bem colocados na nova pesquisa do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), divulgada pelo Correio do Estado. No levantamento, Riedel aparece com 64,15% dos votos válidos, enquanto Fábio Trad soma 18,70% nesse recorte. Na pesquisa estimulada, que considera todos os entrevistados, Riedel tem 47,70% das intenções de voto, e Trad, 13,90%.
A pesquisa ouviu 784 pessoas entre 15 e 19 de setembro, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A disputa ocorre em um estado que mantém indicadores relevantes na epidemia de HIV e aids. Segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, Mato Grosso do Sul registrou 788 casos de aids em 2024, contra 674 em 2023. A taxa de detecção chegou a 27,2 casos por 100 mil habitantes, alta de 16,2% em relação a 2023. O índice colocou o estado entre as unidades da Federação com as maiores taxas naquele ano.
O boletim também registra 165 óbitos por aids em Mato Grosso do Sul em 2024. Entre as crianças expostas ao HIV, foram 113 notificações no estado naquele ano.
Outro dado do Ministério da Saúde mostra que, em 2024, foram registrados 1.194 novos primeiros registros de pessoas com HIV ou aids no estado, considerando os sistemas utilizados pelo boletim. O número é preliminar e integra a série de pessoas cujo primeiro registro ocorreu no Sinan, Siscel, Siclom ou SIM.
É nesse contexto que os programas de governo dos dois candidatos apresentam propostas distintas para a organização da saúde pública. Nenhum dos dois documentos apresenta um conjunto específico de ações dedicado nominalmente à prevenção e ao enfrentamento do HIV/aids. As diferenças aparecem na forma como cada programa trata regionalização, vigilância em saúde, atenção básica, direitos e acesso aos serviços.
Quem é Eduardo Riedel

Eduardo Riedel é o atual governador de Mato Grosso do Sul e disputa a reeleição pelo Progressistas. A candidatura foi oficializada em agosto, com José Carlos Barbosa, o Barbosinha, como candidato a vice-governador. O plano apresentado pela chapa propõe a continuidade e ampliação de políticas desenvolvidas durante o atual mandato.
Natural do Rio de Janeiro, Riedel é formado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e tem mestrado em Zootecnia pela Unesp. Antes de chegar ao governo estadual, ocupou funções ligadas ao setor agropecuário e à administração pública, incluindo a Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica de Mato Grosso do Sul.
No plano de governo para 2027-2030, a saúde aparece dentro da dimensão “Pessoas, Proteção Social e Desenvolvimento Humano”. O documento propõe consolidar uma rede regionalizada e integrada, apoiada por soluções digitais, com o objetivo de ampliar o acesso aos serviços em diferentes regiões do estado.
O capítulo específico sobre saúde é denominado “Saúde Pública, Regionalização, Saúde Digital e Vigilância em Saúde”. Entre as propostas estão a consolidação da regionalização da rede estadual, a implantação e operacionalização do Hospital Regional do Pantanal, o fortalecimento dos hospitais de média complexidade, um modelo integrado de regulação estadual, a expansão da saúde digital, o aumento do acesso a consultas, exames e procedimentos especializados e o fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, sanitária e ambiental. O plano também prevê integração de dados e inteligência em saúde para subsidiar a gestão.
O documento, porém, não traz propostas específicas sobre HIV, aids, ISTs, saúde sexual ou PrEP dentro do capítulo de saúde. As buscas no plano não localizaram menções nominais a aids ou saúde sexual.
Há uma referência direta ao HIV em outra parte do programa. No capítulo sobre gestão fiscal e eficiência do gasto público, o plano cita a manutenção de benefícios fiscais, entre eles a isenção de ICMS para medicamentos destinados ao tratamento de HIV, além de medicamentos para outras doenças, vacinas e kits diagnósticos. A referência está relacionada à política tributária e não constitui uma proposta específica de prevenção, testagem, diagnóstico ou assistência às pessoas vivendo com HIV.
O plano também prevê a implantação do Disque Violência LGBTQIA+, dentro das ações de segurança e prevenção da violência. A medida está relacionada à proteção e atendimento dessa população, mas o documento não a apresenta como uma política de saúde sexual ou de enfrentamento ao HIV.
Quem é Fábio Trad

Fábio Trad, do PT, é ex-deputado federal e advogado. Natural de Campo Grande, nasceu em 18 de agosto de 1969 e também é professor de Direito. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, presidiu a seccional de Mato Grosso do Sul da OAB entre 2007 e 2009. Em 2026, foi homologado como candidato ao governo pela Federação Brasil da Esperança, tendo Dona Gilda como candidata a vice-governadora.
O programa registrado pela candidatura está organizado em 13 eixos estratégicos. O próprio documento informa que a versão apresentada à Justiça Eleitoral é um retrato do momento e poderia receber acréscimos e ajustes durante a campanha.
Na saúde, o programa parte de um diagnóstico de concentração dos serviços especializados em Campo Grande, com dificuldades de acesso para moradores do interior. O texto cita filas para consultas, exames e cirurgias e aponta a fragilidade da regionalização como um dos principais problemas da rede estadual.
A proposta de campanha para o setor é denominada “Saúde pública regionalizada – Defesa do SUS e construção de uma rede estadual mais forte”. Entre as medidas estão a reorganização da assistência desde as unidades básicas até os hospitais de grande porte, o fortalecimento dos hospitais regionais de Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã, Nova Andradina e Coxim e a construção de novos hospitais regionais em Corumbá, Naviraí e Jardim.
O programa também prevê centros regionais de exames e especialidades, ampliação do serviço público de hemodiálise em cidades-polo, centros de referência para diferentes áreas e assistência integral à saúde da mulher. Há ainda a proposta de unidades móveis para comunidades rurais, indígenas, ribeirinhas e fronteiriças, além da criação da Carreira Estadual do SUS-MS e de uma Gratificação de Interiorização da Saúde.
HIV, ISTs e saúde sexual no programa de Trad
Assim como no plano de Riedel, não há uma proposta específica de HIV/aids, PrEP ou prevenção e tratamento de ISTs no programa de Fábio Trad. As buscas no documento não localizaram menções a HIV ou aids.
Há, entretanto, uma proposta relacionada à população LGBTQIAP+. No eixo de assistência social e direitos humanos, o programa prevê a criação de uma Política Estadual de Direitos LGBTQIAP+, com ações de combate à discriminação, acolhimento institucional, inclusão produtiva, qualificação profissional, combate à violência, promoção da cidadania e acesso à saúde integral.
A proposta não especifica quais serviços de saúde seriam ofertados à população LGBTQIAP+ nem estabelece, no documento, medidas próprias de prevenção, diagnóstico ou tratamento de HIV e outras ISTs.
O que os dois planos apresentam para a saúde — e o que não aparece sobre HIV
Os dois programas colocam a regionalização da saúde entre as principais estratégias. Riedel apresenta uma rede integrada entre atenção primária, média e alta complexidade, com regulação digital, vigilância epidemiológica e ampliação da saúde digital. O plano de Trad concentra propostas na expansão da estrutura hospitalar regional, ampliação dos serviços especializados, unidades móveis e fortalecimento da gestão pública do SUS.
Quando o foco é especificamente HIV/aids e ISTs, porém, os documentos não apresentam programas próprios para testagem, prevenção combinada, PrEP, PEP, diagnóstico precoce, tratamento do HIV, adesão ao tratamento, enfrentamento do estigma ou assistência específica às pessoas vivendo com HIV.
No caso de Riedel, a única menção nominal encontrada ao HIV está relacionada à isenção de ICMS para medicamentos destinados ao tratamento da infecção. Já o programa de Fábio Trad estabelece uma política estadual para a população LGBTQIAP+, incluindo acesso à saúde integral, mas não relaciona essa proposta nominalmente ao HIV, à aids ou às ISTs.
Os dados epidemiológicos do Ministério da Saúde mostram que o tema permanece presente no cenário estadual: 27,2 casos de aids por 100 mil habitantes em 2024, 788 casos registrados no ano e 165 óbitos por aids. No mesmo ano, 113 crianças expostas ao HIV foram notificadas em Mato Grosso do Sul.
Assim, os programas colocam diferentes caminhos para organizar e ampliar a assistência em saúde, mas não detalham, para o próximo mandato, uma agenda específica de HIV/aids e ISTs proporcional aos indicadores apresentados pelo próprio Ministério da Saúde para Mato Grosso do Sul.
Redação da Agência de Notícias da Aids




