Eleições 2026 em Goiás: líderes nas pesquisas não apresentam propostas específicas para HIV e Aids

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Paraná Pesquisas mostra Daniel Vilela com 45,6%; Wilder Morais e Marconi Perillo aparecem praticamente empatados na segunda posição; programas trazem propostas gerais para a saúde, mas não detalham ações específicas para HIV, Aids ou ISTs

A disputa pelo Governo de Goiás chega à reta final com Daniel Vilela (MDB) na primeira posição. Segundo pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 28 de setembro, o governador aparece com 45,6% das intenções de voto. Wilder Morais (PL) registra 18,5% e Marconi Perillo (PSDB), 18,4%, uma diferença de apenas 0,1 ponto percentual. Na sequência, Luis Cesar Bueno (PT) tem 6,1%, Luciana Amorim (UP), 0,9%, e Danilo Pinheiro (PCO), 0,8%.

O levantamento ouviu 1.352 eleitores de 62 municípios entre os dias 25 e 27 de setembro. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

É nesse cenário eleitoral que a Agência Aids analisou os programas de governo dos candidatos mais bem posicionados, com atenção às propostas para o Sistema Único de Saúde e, especialmente, às políticas voltadas ao HIV, à Aids, às infecções sexualmente transmissíveis e à saúde sexual.

Os documentos apresentam propostas amplas para a saúde, com medidas relacionadas à regionalização da assistência, ampliação do acesso a serviços especializados, redução de filas, vigilância em saúde e modernização da rede. Não foram identificadas, porém, propostas específicas que mencionem nominalmente HIV, Aids, ISTs ou saúde sexual, nem estratégias direcionadas à prevenção, testagem ou cuidado dessas populações.

O cenário do HIV e da aids em Goiás

Os dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram que Goiás registrou 1.397 casos de HIV em 2024, segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025. A taxa de detecção naquele ano foi de 19,0 casos por 100 mil habitantes, acima dos 14,6 registrados pelo estado em 2014. Em 2023, a taxa havia chegado a 19,8 casos por 100 mil habitantes.

Em relação à aids, Goiás contabilizou 1.153 casos em 2024, com taxa de detecção de 15,7 casos por 100 mil habitantes. O indicador havia sido de 17,6 em 2023 e de 13,3 em 2014.

A mortalidade também aparece no boletim. Em 2024, foram registrados 247 óbitos por aids em Goiás. A taxa bruta de mortalidade foi de 3,4 óbitos por 100 mil habitantes, enquanto a taxa padronizada ficou em 2,7 por 100 mil. Em 2023, haviam sido 304 mortes, com taxa bruta de 4,2 e padronizada de 3,3.

O boletim também registra 1.074 casos de HIV e 760 casos de aids em Goiás até setembro de 2025. Esses números são preliminares e correspondem a um período ainda incompleto do ano, portanto não podem ser comparados diretamente aos totais anuais de 2024.

Outro indicador relacionado à transmissão vertical é o número de crianças expostas ao HIV. Goiás teve 153 notificações em 2024 e 76 até setembro de 2025. Desde 2015, o estado acumula 1.343 notificações de crianças expostas.

Quem é Daniel Vilela

Daniel Elias Carvalho Vilela, 42 anos, é o atual governador de Goiás e disputa a reeleição pelo MDB. Filho do ex-governador Maguito Vilela, nasceu em Jataí, no sudoeste goiano. É formado em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira e pós-graduado em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas.

Sua trajetória política inclui os cargos de vereador de Goiânia, deputado estadual e deputado federal. Na Câmara, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça. Em 2022, foi eleito vice-governador na chapa de Ronaldo Caiado e passou a comandar o Executivo estadual em 2026, após a saída de Caiado para disputar a Presidência da República.

O plano de governo de Daniel Vilela para 2027-2030 está organizado em seis eixos estratégicos, sendo o primeiro deles dedicado a Desenvolvimento Humano e Bem-Estar, que reúne as propostas de saúde.

Daniel Vilela propõe regionalização e uso de tecnologia na saúde

Entre as principais propostas está o fortalecimento da regionalização da saúde, com ampliação da capacidade dos hospitais estaduais e das Policlínicas. O programa prevê ainda serviços descentralizados de hemodiálise, aumento da oferta de consultas, exames complexos, cirurgias eletivas e tratamentos especializados.

O plano também prevê o fortalecimento da Atenção Primária em parceria com os municípios, melhorias nos sistemas de regulação e ampliação da telessaúde para aproximar especialistas da população do interior.

Outra frente é a chamada “Saúde Inteligente: Vigilância, Tecnologia e Prevenção a Serviço da Vida”. A proposta prevê o uso de tecnologia e inteligência artificial na vigilância epidemiológica, identificação de riscos, apoio à regulação e ações de prevenção. O documento também cita expansão da telessaúde, fortalecimento do prontuário eletrônico e modernização do Laboratório Estadual de Saúde Pública (Lacen-GO) e das Regionais de Saúde.

Na atenção materno-infantil, o programa Rede Nascer prevê acompanhamento de gestantes, puérperas e crianças desde o pré-natal, além de maior cofinanciamento estadual, qualificação de maternidades regionais e UTIs neonatais e interiorização do atendimento obstétrico especializado.

O plano ainda apresenta propostas para saúde mental, autismo e reabilitação, com descentralização de serviços, ampliação dos CAPS, Centros Especializados em Reabilitação e equipes multiprofissionais.

HIV, aids e ISTs no plano de Vilela

Apesar de tratar de vigilância epidemiológica, prevenção, atenção primária, saúde da mulher e cuidado materno-infantil, o plano de Daniel Vilela não apresenta uma proposta específica para HIV ou aids. Também não foram localizadas referências a “HIV”, “aids”, “saúde sexual” ou “sexualmente” no documento.

Assim, embora medidas gerais de vigilância, prevenção, regionalização e ampliação do acesso possam abranger diferentes áreas da saúde, o programa não detalha ações específicas de testagem para HIV, prevenção combinada, PrEP, PEP, assistência às pessoas vivendo com HIV ou enfrentamento às ISTs.

Quem é Wilder Morais

Candidato ao senado pelo Goiás.
Foto: Wilder Morais Oficial

Wilder Pedro de Morais, 58 anos, nasceu em Taquaral, no interior de Goiás, em 29 de junho de 1968. É engenheiro civil e empresário. Na política, foi secretário estadual de Infraestrutura e de Indústria, Comércio e Serviços e, em 2022, foi eleito senador pelo PL para o período de 2023 a 2031.

O próprio plano de governo relata que Wilder cresceu em uma família de trabalhadores, estudou em Goiânia e construiu sua carreira empresarial antes de ingressar na vida pública. O documento também registra sua passagem pelas secretarias estaduais e sua atuação no Senado.

Sua candidatura ao governo tem como vice Ana Paula Rezende, pelo Partido Liberal. O programa, intitulado “Goiás para Quem Faz”, organiza as propostas para 2027-2030 em sete prioridades, sendo a primeira “Minha Vez, Saúde com Data”.

Wilder Morais concentra propostas em filas, especialistas e medicamentos

O programa de Wilder parte da ideia de que o usuário do SUS deve conseguir acompanhar sua posição na fila, saber a prioridade clínica e ter uma previsão para o atendimento. A proposta prevê unificação das filas estaduais de consultas, exames, cirurgias e terapias, além de uma regra chamada “Data na Guia”, com prazo de referência e canal de acompanhamento.

Entre as entregas previstas estão ainda a Tabela SUS Goiás, que complementaria valores federais para procedimentos realizados por instituições filantrópicas e unidades privadas, a distribuição de profissionais especialistas onde houver unidades públicas e uma política de fixação de profissionais no interior.

O plano também prevê o “Remédio em Casa”, destinado a pessoas que têm dificuldade para buscar medicamentos de uso contínuo, além da revisão da capacidade, equipes, leitos, insumos e contratos dos hospitais regionais nos primeiros 100 dias de governo.

Na área de saúde da mulher, Wilder propõe uma linha regional de cuidado para prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer de mama e colo do útero, pré-natal de risco e endometriose. O plano também apresenta propostas para saúde bucal, autismo e saúde mental.

Há ainda uma diretriz geral de acesso sem discriminação e sem constrangimento. O documento afirma que os serviços deverão ter protocolos de respeito, acessibilidade e encaminhamento independentemente de origem, condição econômica, raça, sexo, idade, deficiência, religião ou orientação sexual.

HIV, aids e ISTs no plano de Wilder

Essa diretriz de acesso sem discriminação inclui a orientação sexual, mas não é apresentada como uma política específica de saúde sexual ou de enfrentamento ao HIV/aids. No programa de Wilder Morais, não foram localizadas propostas nominais para HIV, aids, ISTs ou saúde sexual.

O documento estabelece medidas gerais para organização da rede, acesso a especialistas, exames, medicamentos e atenção regionalizada, mas não detalha ações específicas de testagem de HIV, PrEP, PEP, prevenção combinada, tratamento antirretroviral, acompanhamento de pessoas vivendo com HIV ou prevenção e tratamento de ISTs.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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