Eleições 2026 em Alagoas: com aids em alta na última década, planos dos líderes não trazem agenda específica para HIV

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Renan Filho e JHC estão tecnicamente empatados na disputa pelo governo; programas priorizam regionalização, redução de filas e ampliação da assistência, mas não estabelecem ações próprias para HIV, ISTs, PrEP ou PEP

A disputa pelo governo de Alagoas chega à reta final com Renan Filho (MDB) e João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), tecnicamente empatados.

Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 15 de setembro mostra Renan Filho com 46% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto JHC registra 43%. Lenilda Luna (UP) aparece com 1%. Brancos e nulos somam 6%, e 4% não souberam ou não responderam. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois primeiros colocados estão em situação de empate técnico.

O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre os dias 10 e 14 de setembro, tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral.

Na saúde, os programas apresentados pelos dois candidatos colocam entre as prioridades a descentralização dos serviços, a redução das filas e a ampliação da assistência especializada no Sistema Único de Saúde (SUS).

Os documentos, porém, não apresentam propostas específicas para HIV/aids ou outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e também não estabelecem ações próprias para ampliar a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) ou a Profilaxia Pós-Exposição (PEP).

É nesse cenário que a Agência Aids apresenta as propostas registradas pelos dois candidatos mais bem colocados para saúde, SUS, direitos humanos e populações mais vulneráveis, além de verificar como HIV/aids, ISTs, PrEP e PEP aparecem — ou não — nos programas para 2027 a 2030.

Renan Filho volta à disputa pelo governo

José Renan Vasconcelos Calheiros Filho, o Renan Filho, é senador por Alagoas pelo MDB, com mandato de 2023 a 2031. Já governou o estado antes de chegar ao Senado e, em 2026, retorna à disputa pelo Executivo estadual.

Seu programa de governo, intitulado “Pra Fazer História de Novo”, organiza as propostas em cinco grandes missões. Uma delas, “Cuidar das pessoas”, concentra ações de saúde, proteção social, segurança e garantia de direitos.

Na saúde, um dos eixos é aproximar consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados da população, reduzindo a necessidade de deslocamentos.

O plano prevê um novo modelo de gestão regional da saúde, com planejamento compartilhado entre Estado e municípios, cofinanciamento, protocolos assistenciais, metas e acompanhamento do tempo de espera.

Outra proposta é a construção de 80 Clínicas da Família em Maceió, ampliando a estrutura de atenção primária na capital.

O documento também prevê investimentos na assistência especializada e na saúde da mulher e propõe a criação de um Complexo Econômico-Industrial da Saúde, reunindo hospitais, universidades, laboratórios, indústrias, startups e poder público.

A proposta é estimular a produção de medicamentos, equipamentos, tecnologias e serviços de saúde no próprio estado, articulando também as compras realizadas pelo setor público.

HIV/aids não aparece como política própria no programa de Renan Filho

Embora o documento apresente diferentes propostas de organização do SUS, não há uma política específica para HIV/aids e outras ISTs.

Também não aparecem metas próprias para ampliação da testagem de HIV, prevenção combinada, PrEP, PEP, vinculação e retenção das pessoas no tratamento ou redução da mortalidade por aids.

Na área de direitos humanos, o programa inclui ações voltadas ao enfrentamento da LGBTQIA+fobia, do racismo e de outras formas de discriminação, além de medidas destinadas às mulheres e crianças.

Essas propostas aparecem, porém, separadas de uma política específica de prevenção e cuidado em HIV/aids.

JHC: do Legislativo à Prefeitura de Maceió

João Henrique Holanda Caldas, o JHC, é advogado e nasceu em Maceió. Foi deputado estadual entre 2011 e 2014 e deputado federal a partir de 2015. Renunciou ao mandato na Câmara em janeiro de 2021 para assumir a Prefeitura de Maceió, após ser eleito no ano anterior. Em abril de 2026, deixou a prefeitura para disputar o governo estadual.

Na eleição estadual, JHC apresenta o programa “Alagoas Gigante – Do Sertão ao Litoral, um só futuro”.

Na saúde, o plano concentra as propostas no eixo “Alagoas que Cuida”, com prioridade para regionalização da assistência especializada, organização das filas e ampliação do acesso aos serviços fora da capital.

Saúde da Gente Alagoana pretende levar especialistas ao interior

Uma das principais propostas é o Saúde da Gente Alagoana, que prevê polos regionais para consultas especializadas, exames e cirurgias.

O objetivo descrito no programa é diminuir a dependência de Maceió para procedimentos especializados e ampliar a capacidade de atendimento nas diferentes regiões do estado.

O plano prevê ainda uma regulação estadual única, com organização das filas segundo critérios definidos e possibilidade de acompanhamento dos tempos de espera.

Mutirões permanentes para consultas, exames e cirurgias também fazem parte das propostas.

Outro eixo é a ampliação da Telessaúde, com teleconsultas, telediagnóstico e teleinterconsultas conectando profissionais e usuários dos municípios do interior a especialistas.

A proposta é acompanhada pela ampliação do Transporte Sanitário Regional, destinado aos pacientes que ainda precisarem se deslocar para receber atendimento.

Medicamentos, vacinação e atenção materno-infantil

JHC também propõe criar o Remédio em Casa, destinado a pessoas que utilizam medicamentos de forma continuada e apresentam dificuldades de deslocamento.

Na vacinação, o programa Imuniza Alagoas prevê busca ativa de pessoas com esquemas vacinais incompletos, vacinação itinerante e metas de cobertura pactuadas com os municípios.

A saúde materno-infantil aparece em outra frente, com a proposta de estruturar uma rede regionalizada, estabelecer protocolo estadual de pré-natal e organizar maternidades de referência para parto, pós-parto e atendimento aos recém-nascidos.

Programa de JHC também não apresenta ações específicas para HIV

Assim como ocorre no programa de Renan Filho, o documento de JHC não apresenta um eixo próprio para HIV/aids ou ISTs.

Não são detalhadas propostas específicas para PrEP, PEP, prevenção combinada, ampliação da testagem de HIV ou acompanhamento das pessoas vivendo com o vírus.

O programa inclui direitos humanos e prevê que políticas destinadas à juventude, mulheres, igualdade racial, pessoas com deficiência, população idosa e povos tradicionais sejam consideradas de maneira transversal em áreas como saúde, educação e assistência social.

Raio-X do HIV/aids em Alagoas

Os dados nacionais mostram uma trajetória de crescimento da taxa de detecção de aids no estado na última década.

Em 2014, Alagoas registrava 14,6 casos de aids por 100 mil habitantes. Em 2024, eram 18,9. A variação representa aumento de 29,5%, segundo o Ministério da Saúde.

No mesmo ano, foram notificados 609 casos de aids e 593 casos de HIV no estado. A taxa de detecção de HIV ficou em 18,4 casos por 100 mil habitantes.

Dados preliminares contabilizados até 30 de setembro de 2025 apontavam outros 480 casos de HIV e 433 casos de aids em Alagoas.

É importante diferenciar os dois indicadores. HIV é o vírus causador da infecção; aids é o estágio mais avançado, que pode ser evitado com diagnóstico e tratamento adequados. Atualmente, pessoas que vivem com HIV e mantêm tratamento antirretroviral podem alcançar carga viral indetectável, situação em que não transmitem o vírus por via sexual.

A prevenção disponível pelo SUS inclui preservativos, testagem, tratamento das ISTs, PEP — utilizada depois de uma situação de possível exposição ao HIV — e PrEP, destinada a pessoas HIV negativas antes de possíveis exposições.

Regionalização está presente nos dois planos

Apesar das diferenças na formulação das propostas, a regionalização ocupa espaço nos dois programas.

Renan Filho propõe reorganizar a gestão regional, ampliar a articulação entre Estado e municípios, acompanhar filas e fortalecer a atenção básica, além de criar 80 Clínicas da Família em Maceió e um complexo voltado à produção e inovação em saúde.

JHC propõe polos regionais de especialidades, regulação única, mutirões, telessaúde, transporte sanitário e entrega domiciliar de medicamentos.

O próximo governo encontrará, portanto, uma rede do SUS que continuará responsável pela prevenção, diagnóstico e tratamento em um estado onde a taxa de detecção de aids cresceu quase 30% em uma década.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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