Eleições 2026 ampliam presença trans nos parlamentos; conheça quem chega à Câmara e às assembleias

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Erika Hilton bate recorde com quase 1,6 milhão de votos; Duda Salabert é reeleita, Thabatta Pimenta chega à Câmara e novas representantes conquistam cadeiras em São Paulo e no Rio Grande do Sul

As eleições de 2026 ampliaram a presença de pessoas trans nos espaços de decisão política do país. Representantes com trajetórias construídas na defesa dos direitos humanos, da população LGBTQIA+, da educação, da cultura e de políticas sociais conquistaram novos mandatos ou garantiram pela primeira vez uma cadeira na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas.

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) comemorou a eleição de sete candidaturas acompanhadas pela entidade: Erika Hilton, Duda Salabert, Thabatta Pimenta, Linda Brasil, Dani Balbi, Natasha Ferreira e Sofia Favero.

“Estávamos ansiosas por este resultado! Ampliamos nossas presenças com votações extremamente expressivas e demos uma bela resposta à transfobia!”, afirmou a associação após a divulgação dos resultados.

A totalização oficial das eleições em São Paulo, no entanto, acrescenta outro nome à representação trans eleita em 2026: Thammy Miranda (PSD), que conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa paulista com 85.619 votos. Assim, considerando os resultados já confirmados, ao menos oito pessoas trans foram eleitas para os legislativos federal e estaduais.

Na Câmara dos Deputados, Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PSOL-MG) renovaram seus mandatos, enquanto Thabatta Pimenta (PV-RN) chegará pela primeira vez ao Congresso Nacional. Nas assembleias, Dani Balbi (PCdoB-RJ) e Linda Brasil (PSOL-SE) foram reeleitas. Natasha Ferreira (PT-RS), Sofia Favero (PSOL-SP) e Thammy Miranda (PSD-SP) conquistaram novos mandatos estaduais.

Erika Hilton faz história novamente

Uma das votações de maior impacto do pleito foi a de Erika Hilton (PSOL-SP). Aos 33 anos, a deputada federal recebeu 1.596.472 votos e tornou-se a mulher mais votada da história do Brasil em uma eleição para a Câmara dos Deputados. Em São Paulo, ficou atrás apenas de Lucas Pavanato (PL) entre os candidatos ao cargo.

Mulher trans, negra e natural de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, Erika construiu sua trajetória política na capital paulista. Antes de chegar ao Congresso, integrou a Bancada Ativista e foi vereadora de São Paulo.

Em 2022, ao lado de Duda Salabert, fez parte do primeiro grupo de mulheres trans eleito para a Câmara dos Deputados. Quatro anos depois, retorna ao Congresso com uma votação quase seis vezes superior à obtida na eleição anterior.

Duda Salabert renova mandato em Minas Gerais

Também reeleita para a Câmara, Duda Salabert (PSOL-MG) recebeu 229.535 votos. Professora de literatura e língua portuguesa, ambientalista e defensora dos direitos humanos, Duda ocupa uma cadeira na Câmara desde fevereiro de 2023.

Natural de Belo Horizonte, iniciou sua trajetória eleitoral disputando uma vaga no Senado em 2018. Em 2020, foi eleita vereadora da capital mineira com 37.613 votos, então a maior votação da história para o cargo na cidade. Dois anos depois, chegou à Câmara dos Deputados.

Em sua atuação parlamentar, temas relacionados à educação, emergência climática, meio ambiente, direitos humanos e proteção da população LGBTQIA+ estão entre suas principais frentes.

Thabatta Pimenta leva representação trans do RN à Câmara

No Rio Grande do Norte, Thabatta Pimenta (PV) conquistou 92.743 votos, equivalentes a 4,71% dos votos válidos para deputado federal, e garantiu uma das oito cadeiras do estado na Câmara.

Natural de Carnaúba dos Dantas, Thabatta já havia rompido outras barreiras na política potiguar. Foi a primeira vereadora trans eleita no Rio Grande do Norte e, em 2024, conquistou uma cadeira na Câmara Municipal de Natal com 7.085 votos, tornando-se a vereadora mais votada da capital naquele pleito.

Sua trajetória política reúne a defesa dos direitos LGBTQIA+, dos direitos humanos e das pessoas com deficiência. Thabatta também costuma relacionar essa última pauta à experiência pessoal de cuidado com o irmão Ryan, pessoa com deficiência.

A partir de fevereiro de 2027, passa a compor, ao lado de Erika e Duda, a representação trans na Câmara dos Deputados.

Dani Balbi amplia votação no Rio

No Rio de Janeiro, Dani Balbi (PCdoB) garantiu a reeleição para a Assembleia Legislativa com 169.474 votos, a quarta maior votação entre os 70 deputados estaduais eleitos.

Dani já havia feito história em 2022, quando se tornou a primeira mulher trans eleita para a Alerj. Professora, roteirista, dramaturga e doutora em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atua no Legislativo em pautas relacionadas a direitos das mulheres e da população LGBTQIA+, educação, ciência, cultura, trabalho e enfrentamento ao racismo.

A votação deste ano representa um salto em relação aos 65.815 votos recebidos quatro anos atrás.

Linda Brasil se consolida em Sergipe

Outra pioneira que renovou o mandato foi Linda Brasil (PSOL-SE). Ela recebeu 44.384 votos, tornando-se a terceira candidata mais votada para a Assembleia Legislativa de Sergipe.

Educadora e ativista pelos direitos humanos e da população LGBTQIA+, Linda construiu uma trajetória marcada por sucessivos rompimentos de barreiras. Em 2020, tornou-se a primeira mulher trans eleita vereadora em Aracaju. Dois anos depois, foi eleita deputada estadual, também como a primeira mulher trans a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa sergipana.

Sua trajetória também passa pela organização da sociedade civil. Linda está ligada à criação de iniciativas voltadas ao acolhimento e à defesa dos direitos da população LGBTQIA+ em Sergipe.

Natasha Ferreira faz história no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a eleição de Natasha Ferreira (PT) inaugura uma presença inédita: ela será a primeira parlamentar travesti da história da Assembleia Legislativa gaúcha.

A atual vereadora de Porto Alegre recebeu 54.027 votos e terminou a disputa como a 22ª candidata mais votada para o Legislativo estadual.

Aos 38 anos, natural de Sapiranga, Natasha construiu parte de sua trajetória profissional e política no campo dos direitos humanos. Em 2024, já havia feito história ao se tornar a primeira vereadora travesti eleita pelo PT em Porto Alegre.

Na Câmara Municipal, defendeu propostas como a criação de cotas para pessoas trans em concursos públicos e estágios e destinou recursos a políticas direcionadas à população LGBTQIA+.

Sofia Favero estreia com mais de 400 mil votos

A estreia de Sofia Favero (PSOL) nas urnas foi uma das votações de maior destaque na disputa pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Psicóloga, 33 anos e natural de Aracaju, ela recebeu 407.773 votos e foi a terceira candidata mais votada para a Alesp.

Foi sua primeira candidatura registrada. Sofia chega ao maior parlamento estadual do país com uma votação superior à de grande parte dos nomes já estabelecidos na política paulista e passa a integrar uma bancada do PSOL que terá nove representantes na próxima legislatura.

Thammy Miranda também conquista vaga na Alesp

O resultado oficial paulista registra ainda a eleição de Thammy Miranda (PSD) para deputado estadual, com 85.619 votos. Atual vereador da cidade de São Paulo, Thammy passa da Câmara Municipal para a Assembleia Legislativa a partir de 2027.

Homem trans, ele amplia a diversidade da representação na Alesp e se soma a Sofia Favero entre as pessoas trans eleitas para o Legislativo estadual paulista.

Candidaturas trans cresceram

A eleição ocorre em um cenário de crescimento da participação política de pessoas trans e travestis. Segundo o levantamento divulgado pela Antra, 116 candidaturas trans foram identificadas nas eleições de 2026, distribuídas pelo país. Em 2022, haviam sido contabilizadas 79.

O crescimento é de aproximadamente 46% em quatro anos. Quando a associação iniciou esse monitoramento, em 2014, havia identificado apenas sete candidaturas.

Entre as 116 candidaturas mapeadas neste ano, 104 eram de mulheres trans e travestis, sete de homens trans ou pessoas transmasculinas e cinco de pessoas não binárias. A Antra informou ainda que 69% das pessoas candidatas eram pretas ou pardas.

Para a entidade, ampliar o número de candidaturas não encerra o desafio de transformar presença eleitoral em poder político e capacidade de decisão.

“A eleição termina, mas o trabalho apenas começa. As parlamentares eleitas terão diante de si o desafio de atuar em defesa da democracia, dos direitos humanos e da proteção da população trans e travesti. A presença trans na política não se encerra na conquista de um mandato: ela amplia nossa capacidade de disputar direitos, proteger vidas e construir uma democracia na qual nossa comunidade também tenha poder de decisão”, afirmou a Antra.

A posse da nova legislatura está prevista para fevereiro de 2027.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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