
Com o início do ano letivo, escolas de todo o Brasil retomam sua missão educacional, e no Maranhão, um dos focos desse retorno é a educação sexual como ferramenta essencial na proteção de crianças e adolescentes. A iniciativa se dá por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), uma parceria entre os ministérios da Educação e da Saúde, que busca promover a saúde integral dos estudantes, incluindo a conscientização sobre prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e combate ao abuso sexual infantil.
A violência sexual contra crianças e adolescentes segue sendo um grave problema social, muitas vezes cometido por pessoas próximas às vítimas, o que dificulta a identificação e a denúncia. Nesse contexto, a educação sexual se torna uma importante aliada, ensinando os jovens a reconhecer e denunciar situações de abuso, compreender seu próprio corpo e estabelecer limites saudáveis nas relações interpessoais. Além disso, o debate também abrange o uso seguro da internet e os direitos sexuais e reprodutivos, preparando os alunos para se protegerem de possíveis riscos.
Educação sexual na prática: o exemplo do Maranhão

No Maranhão, a educação sexual dentro do Programa Saúde na Escola tem sido adaptada à realidade local. De acordo com Jadilson Neto, coordenador estadual do PSE, a abordagem é personalizada para cada município, garantindo que os conteúdos atendam às particularidades regionais.
“O programa Saúde na Escola tem 14 temas, entre eles está Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva com prevenção às ISTs, e aqui no Maranhão essa temática é trabalhada de forma adaptada para cada realidade. Os municípios maranhenses têm especificidades locais, então ela pode variar”, explica Jadilson.

O coordenador destaca que a curiosidade dos jovens sobre o tema é natural, e que dúvidas frequentes são tratadas de forma didática e sem tabus. “As novas experiências na adolescência podem desencadear sentimentos de medo e insegurança. [É recorrente] perguntas como: ‘Quando é ideal ter a primeira relação sexual? O que é hímen? O homem e a mulher têm a mesma resposta sexual? Como sei se tenho uma disfunção sexual? A mulher ejacula? Por que acontece a falta de desejo sexual? Pode usar camisinha masculina e feminina ao mesmo tempo?’ são comuns”, relata.
Formação e inovação para ampliar o alcance

Além de levar o debate para dentro das salas de aula, o Maranhão investe na capacitação dos profissionais da educação e da saúde para que possam abordar a temática de maneira adequada e segura. Segundo Jadilson, “através das equipes de Estratégia Saúde da Família, o Estado do Maranhão tem a sensibilidade de orientar, por meio de webinários, oficinas e seminários, os profissionais de saúde e educação para trabalharem a temática dentro do ambiente escolar. Além disso, temos campanhas pontuais, e as Mostras de Experiências Exitosas do Programa Saúde na Escola Maranhense sempre têm municípios com essa temática, demonstrando que é uma atividade prioritária entre os 14 temas do PSE”.
“A Coordenação Estadual de ISTs/Aids do Maranhão está em constante contato com professores e escolares, abordando de forma sistemática a mandala da prevenção, que traz essa abordagem da PEP e PrEP”, frisa.

Superando barreiras
Apesar dos avanços, os desafios que surgem reforçam a necessidade de superar resistências. “As principais dificuldades expressas pelos professores são os tabus que permeiam o tema, a relação com os pais e responsáveis dos alunos, que tendem a reprovar a abordagem do assunto em sala de aula, e a falta de uma formação profissional adequada para tratar o conteúdo de maneira ampla e segura. Por isso, estamos sempre com educação permanente para nossos profissionais”, conta.
Desde a implementação das ações no âmbito do programa, segundo Jadilson, muitos resultados positivos foram alcançados. Ele destaca o aumento no número de escolas e alunos com contato direto com a temática, o que contribuiu significativamente para que mais adolescentes conhecessem seus direitos em relação à saúde sexual e reprodutiva.
Educação sexual e saúde mental: um olhar integrado
Falar sobre educação sexual também é falar sobre autocuidado e saúde mental. Nesse contexto, Jadilson ressalta que os educadores, dentro do Programa Saúde na Escola, têm discutido questões relacionadas à saúde mental a partir de uma perspectiva integrada, o que tem possibilitado um espaço de diálogo ainda mais aberto com os alunos.
“As aulas em nossas escolas iniciaram essa semana, e também está acontecendo no Maranhão a Semana de Combate à Gravidez na Adolescência. Estamos todos trabalhando para melhorar a questão do não uso de telas no ambiente escolar. Inclusive, no dia 20/02, teremos um webinário voltado aos gestores do Programa Saúde na Escola sobre a saúde mental dos escolares’’, compartilha.

De acordo com um levantamento do Ministério da Saúde, sistematizado pelo SISAB (Sistema de Informação sobre Saúde da Atenção Básica), até o momento, no Maranhão, já foram realizadas cerca de 4.435 ações sobre saúde sexual e saúde reprodutiva, alcançando 277.298 escolares em todo o estado no ciclo do PSE 2023/2024.
Além disso, 2.229 escolas de 195 municípios foram contempladas, entre os 217 existentes no Maranhão. Entre os 14 temas trabalhados no PSE, saúde sexual e reprodutiva ficou em 6º lugar no ranking de atividades deste ciclo 2023/2024.
O programa segue buscando inovações para alcançar mais alunos, consolidando-se como um exemplo de como a educação sexual pode ser abordada de forma responsável e eficiente dentro das escolas.
“A iniciativa do Maranhão reforça a importância de unir esforços entre família, escola e poder público para garantir um ambiente seguro e informativo para crianças e adolescentes, prevenindo abusos e promovendo saúde e bem-estar”, finalizou.
Kéren Morais (keren@agenciaids.com.br)
Dica de entrevista
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Jadilson Neto
@jadilsonneto
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