4/1/2007 – 13h00
A Abbott, laboratório farmacêutico americano, utilizou de artimanhas estratégicas nos Estados Unidos em defesa do seu antiretroviral Kaletra. Segundo reportagem de ontem do jornal “The Wall Street Journal”, citando documentos e e-mails internos trocados por executivos, o laboratório quintuplicou em 2003 os preços do Norvir, uma droga mais antiga e utilizada junto com outras, para afugentar rivais do mercado e permitir o crescimento de vendas do Kaletra.
Um dos documentos diz que o movimento poderia levar o laboratório a parecer como “grande, malvado e ganancioso”. Mesmo assim, a Abbott levou a estratégia adiante. Os preços subiram 400% e o custo do tratamento do Norvir com o Reyataz superou o do Kaletra, levando os pacientes a migrar para a nova droga da Abbott.
O Kaletra esteve no meio de uma polêmica no Brasil. No fim de 2005, o governo federal quase quebrou a patente da droga, mas mudou de idéia na última hora. O Ministério da Saúde fechou um acordo que previa a doação de remédios, a transferência de tecnologia da produção do Kaletra para laboratórios oficiais pós-2011 e a manutenção do preço por seis anos. ONGs especializadas em saúde criticaram o acordo. (AV)
Fonte: Valor Econômico



