Documentário que celebra os 20 anos do Global Village será exibido na Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro

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Produção da Agência Aids em parceria com o SescTV reúne relatos de ativistas de diferentes países e resgata a história de um dos espaços mais simbólicos da resposta comunitária ao HIV

O espaço que, há mais de duas décadas, reúne ativistas, pesquisadores e representantes da sociedade civil de todo o mundo para compartilhar experiências, denunciar desigualdades e construir respostas coletivas ao HIV será também palco para contar a própria história. O documentário “HIV e Aids, Suas Histórias: 20 anos do Global Village”, produzido pela Agência Aids em parceria com o SescTV, será exibido na próxima terça-feira (28), das 14h50 às 15h50, durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), no espaço Global Village, no Riocentro, no Rio de Janeiro.

A exibição acontece exatamente no ambiente que inspirou a produção e promete emocionar participantes de diferentes países ao reunir memórias de quem ajudou a construir um dos mais importantes espaços de mobilização comunitária da resposta global ao HIV.

Com cerca de 30 minutos de duração, o documentário marca a primeira coprodução internacional do SescTV sobre o tema. A produção foi gravada durante a 25ª Conferência Internacional de Aids, realizada em julho de 2024, em Munique, na Alemanha, e reúne depoimentos de ativistas que, ao longo de décadas, transformaram experiências pessoais em ações coletivas de prevenção, cuidado, defesa dos direitos humanos e enfrentamento ao estigma.

Ao todo, são 18 entrevistas, gravadas em português, espanhol e inglês, com representantes de diferentes continentes. As histórias revelam conquistas importantes da resposta global ao HIV, mas também lembram que a epidemia continua marcada por profundas desigualdades sociais, políticas e econômicas.

Entre os entrevistados estão nomes como Mary Akokoth Elias, do Quênia; Veriano Terto, da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA); Sara Hernandez Cepeda, da Rede de Jovens Vivendo com HIV da América Latina; e Matias Duarte, do Paraguai, além de outras lideranças comunitárias que fazem do ativismo uma ferramenta de transformação social.

Histórias que atravessam fronteiras

Um dos relatos mais impactantes é o da ativista ucraniana Valeria Rachinska, da organização 100% Life, maior ONG comunitária de pessoas vivendo com HIV da Ucrânia. Ela conta como a guerra alterou completamente a rotina de quem já enfrentava outra emergência de saúde pública.

“Em 24 de fevereiro, quando a invasão russa começou, fui para um abrigo com meus dois filhos. Foi uma experiência difícil, mas tivemos que pensar na sobrevivência diária, em alimentos, água e segurança”, relata.

Mesmo em meio ao conflito, a organização conseguiu reorganizar sua atuação para acessar recursos humanitários e manter o atendimento às pessoas vivendo com HIV, garantindo continuidade ao tratamento e ao suporte comunitário.

O coração comunitário da Conferência

Criado em 2004, o Global Village nasceu como um espaço dedicado ao encontro entre movimentos sociais, organizações comunitárias, pesquisadores e ativistas durante as Conferências Internacionais de Aids. Ao longo dos últimos 20 anos, tornou-se um símbolo da participação social na resposta ao HIV, promovendo intercâmbio de experiências, inovação e fortalecimento de redes globais de solidariedade.

Mais do que um espaço de exposições e debates, o Global Village se consolidou como um ambiente onde histórias individuais ajudam a construir respostas coletivas para uma epidemia que continua desafiando governos e sociedades.

“Para nós, este é um momento especial. Não é nem comum, nem fácil, viabilizar projetos internacionais. Quero agradecer profundamente à Fecomércio e ao Sesc São Paulo, na pessoa do presidente Ivo Dall’Acqua, na pessoa do diretor regional Luiz Galina e à equipe do SescTV, por viabilizarem este importante documentário. Ele retrata duas décadas de enfrentamento e cidadania de ativistas ao redor do mundo. Enquanto não temos a cura, o ativismo acolhe, aponta possibilidades e constrói pontes. Mostramos, na obra, a vida de pessoas que fazem a diferença no cotidiano deste nosso mundo que coexiste com o HIV”, disse a jornalista Roseli Tardelli, diretora da Agência de Notícias da Aids.

Parceria em defesa da saúde e dos direitos humanos

Lançado em junho de 2025, em São Paulo, o documentário representa mais um capítulo da parceria histórica entre o Sesc São Paulo e a Agência Aids, instituições que há décadas desenvolvem iniciativas voltadas à prevenção, ao combate ao estigma e à promoção da saúde.

Luiz Galina: “Lidar com cultura e educação exige vocação” - Jornal Mundo LusíadaDurante a estreia, o diretor regional do Sesc São Paulo, Luiz Galina, destacou o compromisso da instituição com a resposta ao HIV.

“Há 30 anos nós temos essa parceria. Acho que nós batalhamos para que a prevenção de doenças, as terapias das doenças, do HIV, da Aids, sejam mais conhecidas, sejam mais utilizadas e que realmente nós possamos colaborar para que haja sempre boa saúde de todos nós.”

Galina reforçou ainda a importância da produção audiovisual para preservar a memória do ativismo e ampliar o acesso ao conhecimento.

“Quero reafirmar a nossa satisfação e apoiar esse evento de lançamento do documentário, que posteriormente ficará disponível em nossa plataforma ‘SESC Digital’ gratuitamente, para que as pessoas possam conhecer alguns dos rostos e histórias de ativistas que têm feito a diferença no enfrentamento aos múltiplos preconceitos relacionados às pessoas que vivem com HIV/aids.”

O diretor ressaltou o papel do Sesc na promoção do pensamento crítico e da construção de políticas públicas mais inclusivas.

“O SESC entende a saúde de forma integral. Sabemos que, historicamente, as desigualdades têm afetado de maneiras diferentes as pessoas, a partir de marcadores sociais específicos. Criar e preservar espaços públicos de debate, reflexão, e cooperação entre os diversos atores e esferas que compõem a sociedade, pode ser uma contribuição diferente e importante Incentivo ao pensamento crítico é um dos caminhos mais significativos para a construção de sociedades mais justas e solidárias, para tanto é possível que as informações, saberes e experiências, incluindo a perspectiva dos que vivenciam tais acontecimentos e suas consequências, sejam transformadas em conhecimento e como um bem comum. Que esse trabalho desenvolvido pelo SESC e pela Roseli Tardelli e sua equipe possam frutificar e colaborar para uma política de saúde, de prevenção e de terapia que sejam de ótima qualidade e acessíveis a todas as pessoas.”

Da memória à mobilização

Ao ser exibido justamente no Global Village da AIDS 2026, o documentário ganha um significado especial: devolve ao espaço comunitário as histórias de quem ajudou a construí-lo ao longo de duas décadas.

Em um momento em que a resposta global ao HIV enfrenta novos desafios, como o avanço das desigualdades, as ameaças ao financiamento internacional e a necessidade de ampliar o acesso à prevenção e ao tratamento, a produção reafirma que o protagonismo das comunidades continua sendo um dos pilares mais importantes no enfrentamento da epidemia.

Ficha Técnica

Concepção e Direção Geral: Roseli Tardelli
Assistente de Direção: Margarete Noé
Pré-produção: Talita Martins
Pré-roteiro: Talita Martins e Margarete Noé
Entrevistas: Roseli Tardelli
Coordenação de Gravação das Entrevistas em Munique: Margarete Noé
Câmera e Gravação das Entrevistas: Bianca Duarte
Edição e Finalização: Pedro Ó, Gabriel Felício, Margarete Noé e Roseli Tardelli
Gravação de Offs: Ricardo Bechara

Redação da Agência de Notícias da Aids

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