Do tratamento à cura: mulheres vivendo com HIV reafirmam luta por direitos no 8 de Março

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Neste Dia Internacional da Mulher, o Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP) torna público um manifesto que ecoa décadas de mobilização, resistência e construção coletiva das mulheres que vivem com HIV no Brasil.

No documento, elas denunciam que, além do vírus, seguem enfrentando o peso do estigma, da violência de gênero, do racismo, da pobreza e das barreiras no acesso a uma saúde verdadeiramente integral. Ao mesmo tempo em que reafirma a centralidade do tratamento e do cuidado, o manifesto aponta para um horizonte mais amplo: o direito de viver com dignidade, de participar das decisões que impactam suas vidas e de avançar, com investimento em ciência e políticas públicas, do tratamento à cura.

Em um chamado à sociedade e aos gestores públicos, as mulheres organizadas no MNCP lembram que não há resposta efetiva ao HIV sem suas vozes, experiências e protagonismo.

Leia a seguir o manifesto na íntegra e conheça as reivindicações e esperanças que marcam esta data de luta.

 

Manifesto das Mulheres do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas
Do tratamento à cura: Juntas, vivas e com direitos assegurados
Dia Internacional da Mulher

Neste Dia Internacional da Mulher, nós, mulheres que vivemos com HIV e Aids, erguemos nossas vozes em unidade, coragem e resistência.

Somos mulheres diversas — mães, filhas, trabalhadoras, lideranças comunitárias, ativistas e cuidadoras. Somos mulheres que enfrentam diariamente não apenas o vírus, mas também o peso do estigma, da desigualdade, da violência e da invisibilidade.

Há décadas seguimos em luta.

Lutamos para que todas as mulheres tenham acesso ao diagnóstico, direito ao tratamento com respeito e de viver com dignidade. A mobilização é a nossa força e juntas conquistamos avanços importantes na resposta ao HIV no Brasil.

Mas sabemos que o tratamento, por si só, não é suficiente.

Ainda enfrentamos barreiras no acesso aos serviços de saúde, discriminação nos espaços institucionais, violência de gênero, pobreza, racismo, estigma religioso e abandono familiar. Muitas de nós seguem sendo silenciadas quando deveriam ser acolhidas, cuidadas e respeitadas.

A saúde das mulheres que vivem com HIV precisa ser integral.

Isso significa garantir acesso à saúde mental, ao cuidado livre de julgamentos, aos direitos sexuais e reprodutivos, à proteção social e a políticas públicas que reconheçam nossas realidades e vulnerabilidades.

Reafirmamos que não há resposta efetiva ao HIV sem a participação ativa das mulheres que vivem com o vírus.

Nossa experiência é conhecimento.
Nossa vivência é política.
Nossa luta é transformação.

Neste momento da história, olhamos também para o futuro.

Reivindicamos investimento contínuo em ciência, inovação e pesquisa para que avancemos do tratamento à cura do HIV. Queremos viver em um mundo onde nenhuma mulher precise carregar o peso do preconceito e onde a esperança da cura seja acompanhada pela garantia plena de direitos.
Seguiremos juntas.

Juntas na defesa da vida.
Juntas na luta contra o estigma.
Juntas pela justiça social.
Juntas por políticas públicas que nos protejam.
Juntas por um futuro sem discriminação.

Porque somos resistência.
Somos cuidado.
Somos transformação.

Neste Dia Internacional da Mulher, afirmamos:

Estamos vivas.
Estamos organizadas.
E nossos direitos precisam ser assegurados.

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