Iraque e Noruega se enfrentam no dia 16 de junho de 2026, às 19h (horário de Brasília), pela primeira rodada do Grupo I da Copa do Mundo. A partida será disputada no Gillette Stadium, em Foxborough, na região de Boston, nos Estados Unidos.
Apesar de possuírem a mesma prevalência estimada de HIV entre adultos de 15 a 49 anos — 0,1% — os dois países apresentam cenários bastante distintos no enfrentamento da epidemia. Enquanto a Noruega mantém baixos índices de transmissão e amplia iniciativas de prevenção e tratamento, o Iraque registra aumento acelerado de novos casos e enfrenta críticas internacionais por leis consideradas discriminatórias contra populações vulneráveis.
Novas infecções cresceram 48% no Iraque em apenas dois anos

Segundo dados do Unaids, cerca de 3.400 pessoas vivem com HIV no Iraque. Embora a prevalência seja considerada baixa, organizações internacionais alertam para a possibilidade de subnotificação devido ao estigma social, à baixa cobertura de testagem e às dificuldades de monitoramento em grupos mais vulneráveis.
O país registrou 500 novos diagnósticos em 2022. Em 2024, esse número chegou a 740, representando um crescimento de 48% em apenas dois anos.
As relações heterossexuais respondem por aproximadamente 60% das transmissões oficialmente registradas. No entanto, entidades internacionais apontam que a criminalização de determinadas práticas dificulta a coleta de informações sobre homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e usuários de drogas injetáveis.
Especialistas avaliam que a falta de dados mais abrangentes pode ocultar parte importante da dinâmica da epidemia no país.
Lei prevê até 15 anos de prisão para relações entre pessoas do mesmo sexo
Em 2024, o Parlamento iraquiano aprovou uma legislação que criminaliza relações entre pessoas do mesmo sexo, com penas que podem chegar a 15 anos de prisão.
A lei também estabelece punições de pelo menos sete anos para quem promover a homossexualidade ou a prostituição, além de prever penas de um a três anos para pessoas que realizem transição de gênero ou para homens considerados afeminados pelas autoridades.
O texto original previa pena de morte para atos homossexuais, mas a proposta foi alterada antes da aprovação após pressões internacionais.
Organizações de direitos humanos e entidades ligadas à resposta ao HIV alertam que leis desse tipo tendem a aumentar o estigma e afastar populações-chave dos serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento.
Conflitos históricos afetaram resposta à epidemia
Os primeiros casos de HIV no Iraque foram registrados na década de 1980. Desde então, guerras, sanções econômicas e períodos prolongados de instabilidade política impactaram significativamente a capacidade do sistema de saúde de responder à epidemia.
Nos últimos anos, o país ampliou a cooperação com organismos internacionais para fortalecer o monitoramento epidemiológico. Ainda assim, desafios persistem.
Segundo o Unaids, apenas 70% das pessoas diagnosticadas com HIV no Iraque recebem tratamento antirretroviral. A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) ainda não está incorporada ao sistema público de saúde e permanece de acesso bastante restrito.
Noruega registra menos de 350 novos casos por ano

Na Noruega, estima-se que 5.400 pessoas vivam com HIV. Destas, 96,5% conhecem seu diagnóstico, um dos índices mais elevados da Europa.
O último dado oficial disponível aponta 332 novos diagnósticos em 2023. Embora o número seja superior ao registrado em países vizinhos como Dinamarca e Suécia, permanece relativamente baixo em comparação com a população nacional.
Homens que fazem sexo com homens respondem por cerca de 45% dos novos casos.
Os imigrantes representam aproximadamente dois terços dos diagnósticos registrados na última década. Grande parte dessas pessoas veio de regiões afetadas por conflitos na África Central, África Oriental e Sudeste Asiático.
A transmissão heterossexual dentro do território norueguês continua sendo relativamente rara, enquanto os casos relacionados ao uso de drogas injetáveis permanecem em níveis baixos.
Oslo aderiu à meta global de acabar com a aids como ameaça à saúde pública
Em 2022, Oslo tornou-se a segunda capital nórdica a integrar a iniciativa Fast-Track Cities, do Unaids.
Ao aderir à Declaração de Paris, a cidade passou a fazer parte de uma rede internacional com mais de 400 municípios comprometidos em acelerar ações locais para alcançar a meta de eliminação da aids como ameaça à saúde pública até 2030.
A estratégia inclui ampliação da testagem, combate ao estigma e fortalecimento do acesso à prevenção e ao tratamento.
Paciente de Oslo entrou em remissão após transplante
No início de 2026, a Noruega ganhou destaque internacional após a divulgação do caso conhecido como “paciente de Oslo”.
Vivendo com HIV desde 2006, um homem de 63 anos apresentou remissão do HIV após receber um transplante de medula óssea para tratar um câncer hematológico.
O procedimento utilizou células de um doador portador da mutação genética CCR5, associada à resistência ao HIV. O caso foi descrito em estudo publicado na revista científica Nature Microbiology e se soma a um grupo extremamente reduzido de pessoas consideradas curadas ou potencialmente curadas da infecção.
Especialistas ressaltam, porém, que o transplante não é uma estratégia aplicável à população geral devido aos riscos elevados envolvidos no procedimento.
Noruega também tem histórico de criminalização relacionada ao HIV
Apesar de ser reconhecida internacionalmente por suas políticas de saúde pública, a Noruega possui um histórico relevante de processos judiciais relacionados à não divulgação, exposição ou transmissão do HIV.
Segundo a HIV Justice Network, o país esteve entre as jurisdições com maior número de processos per capita do mundo.
Entre 1992 e 2017, pelo menos 16 pessoas foram processadas, incluindo casos nos quais não houve transmissão do vírus.
Mudanças realizadas no Código Penal em 2017 restringiram significativamente essas possibilidades. Atualmente, pessoas em tratamento antirretroviral ou que utilizem preservativos não podem ser processadas com base nessas disposições.
Mais números
Iraque
* População: 46 milhões de habitantes
* Pessoas vivendo com HIV: 3.400
* Prevalência de HIV (15 a 49 anos): 0,1%
* Novos diagnósticos em 2024: 740
Noruega
* População: 5,6 milhões de habitantes
* Pessoas vivendo com HIV: 5.400
* Prevalência de HIV (15 a 49 anos): 0,1%
* Novos diagnósticos em 2023: 332
Sobre os países
Localizado no Oriente Médio, o Iraque abriga parte da antiga Mesopotâmia, considerada um dos berços da civilização. A capital, Bagdá, foi durante séculos um dos principais centros intelectuais do mundo islâmico. No futebol, o maior feito da seleção nacional foi a conquista da Copa da Ásia de 2007.
Já a Noruega integra a região escandinava e figura entre os países com maiores índices de desenvolvimento humano do planeta. A capital é Oslo, e sua economia é fortemente impulsionada pela exploração de petróleo e gás no Mar do Norte. No futebol, o principal destaque atual é o atacante Erling Haaland, uma das maiores estrelas do esporte mundial.




