5/12/2006 – 19h
Formado por 11 instituições, o Conselho vai funcionar como órgão difusor e orientador de políticas de controle da epidemia no ambiente de trabalho
Foi lançado nesta terça-feira (5/12), em Brasília, o Conselho Empresarial de Doenças Sexualmente Transmissíveis e HIV/Aids do Distrito Federal. Formado inicialmente por 11 instituições, o Conselho vai funcionar como órgão difusor e orientador das políticas locais de controle da epidemia, com participação efetiva junto à Coordenação de DST e Aids do DF. Estimativas da Organização Internacional do Trabalho indicam que, atualmente, 95% dos infectados pelo HIV estão em idade produtiva e trabalham. No mundo, são 39,5 milhões de pessoas vivendo com o vírus. No Brasil, estima-se que sejam 600 mil.
A minuta de portaria de criação do Conselho será encaminhada ao secretário de Saúde do Distrito Federal, José Geraldo Melo. A expectativa é que a portaria seja assinada e publicada no Diário Oficial do DF na próxima semana. Por meio do Conselho, também serão divulgados projetos, estudos e experiências de enfrentamento da epidemia dentro do ambiente de trabalho. Outro papel importante da entidade será garantir os direitos dos trabalhadores que vivem com HIV e aids no DF, com base na defesa dos direitos humanos e no combate ao estigma e ao preconceito.
As empresas que participam do Conselho atuam em áreas diversas, como saúde, telecomunicações, segurança, beleza, educação, decoração, informática e alimentação. Há, também, representantes dos governos federal e distrital, de organizações internacionais e do chamado Sistema S – Sesc/Sesi/Sest/Senat. “O Conselho será um importante parceiro das esferas governamentais, uma vez que ele deverá implantar ações que respondam às necessidades da comunidade empresarial em consonância com as políticas nacional e distrital”, destacou Ivo Brito, chefe da Unidade de Prevenção do Programa Nacional de DST e Aids.
Em sua estrutura funcional, o Conselho terá presidente, vice-presidente e secretário-executivo. Haverá, ainda, coordenadores de grupos de trabalho, que vão elaborar ações considerando as particularidades da epidemia, como as vulnerabilidades de populações específicas – mulheres, profissionais do sexo, usuários de drogas injetáveis, homossexuais e bissexuais. Poderão participar do Conselho empresas que desenvolvam ações de responsabilidade social dentro do tema DST e aids. Em fevereiro do próximo ano, deverão acontecer as reuniões para formulação e aprovação do regimento interno do Conselho, eleição da diretoria e elaboração do planejamento estratégico.
Experiências locais – O lançamento do Conselho Empresarial de DST e HIV/Aids do Distrito Federal aconteceu no auditório da sede do Laboratório Sabin, empresa fundada há 22 anos, ainda no início da epidemia no Brasil. “Implantamos as primeiras metodologias de diagnóstico do HIV e fomos pioneiros na humanização da testagem. Evoluímos junto com a aids e, com o tempo, assumimos nossa responsabilidade social com o tema”, conta Sandra Costa, uma das proprietárias do Sabin.
Hoje, segundo ela, a empresa utiliza palestras e materiais gráficos para abordar a prevenção do HIV entre seus 500 funcionários, que trabalham em 38 unidades presentes em todas as cidades do DF. Também é feita a distribuição de preservativos em períodos específicos, como no carnaval e em outras grandes festas populares.
“Nosso lema é tratar a questão da aids com transparência, ética e respeito. Assim, atingimos não só nossos colaboradores, mas também seus familiares e toda a comunidade em volta deles. É um trabalho recompensador”, diz Sandra. No Sabin, são realizados 30 mil exames de diagnóstico do HIV por ano. Outros 5 mil são testes de carga viral e CD-4/CD-8, usados no monitoramento da saúde das pessoas que têm aids.
Para Luciane da Silveira, médica do trabalho da Brasil Telecom, o desafio do Conselho é aliar informação e mudança de comportamento no ambiente corporativo. “É importante não apenas dizer que o preservativo previne a infecção pelo HIV, mas fazer com que as pessoas usem ou passem a usar”, diz Luciane, que também é membro do Conselho Empresarial Nacional (CEN-Aids).
A Brasil Telecom está presente em 13 estados. São 5 mil funcionários diretos e 15 mil indiretos, considerando os que trabalham em centrais de informação e na manutenção das redes e equipamentos. Para atingir seus clientes, a empresa utiliza diversas ferramentas, como portais na internet, mensagens de texto enviadas para telefones celulares e dicas de prevenção impressas em cartões telefônicos e nas contas de telefone.
Conselho Nacional – Criado em 1998, acompanhando tendência mundial de participação cada vez mais ativa do setor privado no enfrentamento da epidemia, o Conselho Empresarial Nacional de DST e HIV/Aids tem hoje a participação de 22 empresas reconhecidas por atuarem na prevenção da aids. São elas: Editora Abril, Almap BBDO, Avon, Bradesco, Banco Itaú, Brasil Telecom, Confederação Nacional do Comércio, CNT/ SEST/ SENAT, Colgate-Palmolive, Embraer, Grupo Severiano Ribeiro, MTV, Natura, Nestlé, Philips, Senac, Sesc, Sesi, Unibanco, Unilever, Varig e Volkswagen do Brasil.
No País já existem os Conselhos Estaduais Empresariais em DST /Aids em São Paulo, Maranhão, Santa Catarina e Ceará.
Fonte: PN-DST/Aids



