25/06/2014 – 19h50
A distribuição do antirretroviral Ritonavir para as pessoas em tratamento de HIV/aids foi fracionada nessa terça-feira (24) e voltou ao normal nessa quarta (25) no posto do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, em São Paulo (CRT-SP). O fracionamento (divisão da dose de um mês em duas partes) aconteceu não porque o remédio está em falta, segundo informou o CRT, mas por causa de um problema interno de comunicação.
A Agência de Notícias da Aids soube do fracionamento no comecinho da tarde de quarta, quando José Araújo Lima, presidente da ONG Espaço e Prevenção Humanizada (Epah), foi buscar seus remédios e recebeu o Ritonavir para apenas 14 dias (foto ao lado).
“Eu fiquei 1 hora e 35 minutos numa fila de umas 20 pessoas com necessidade de atendimento preferencial, muitas com dificuldade de locomoção”, contou Araújo. “Quantas delas terão de voltar para pegar o restante do remédios?”
“Houve uma falta de comunicação entre o pessoal da farmácia e os responsáveis do apoio técnico”, disse a infectologista Mylva Fonsi, da gerência desse setor. “O estoque estava baixando e, em vez de perguntar se estava tudo normal, alguém decidiu fracionar, temendo que fosse faltar. Mas não era o caso, porque a data da entrega do próximo lote já estava acertada”, continuou Mylva.
A médica disse que 20 pessoas foram afetadas pela falha. “Vamos ligar para todas e pedir que venham buscar o que ficou faltando.”
José Araújo Lima considerou absurda a explicação do CRT. “Um centro que é visitado por delegações de todo o mundo cometer um erro primário desses tira a sua referência”, reagiu o ativista. “É mais uma mostra do que tem sido o descaso para com as pessoas vivendo com HIV/aids. Sugiro que os responsáveis, antes de sacrificar um funcionário, saiam de seus gabinetes e vão até a fila da farmácia para ver como se sentem as pessoas lá na ponta.”
Redação da Agência de Notícias da Aids



