Diretora executiva do Unaids elogia ações do Fórum de ONGs/Aids de São Paulo

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24/02/2014 – 20h30
 
A diretora executiva adjunta do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids), Jan Beagle, conheceu, na tarde desta segunda-feira (24), a sede do Fórum de ONGs/Aids de São Paulo. O objetivo da visita foi conhecer o trabalho do grupo, que representa mais de 100 organizações não governamentais da luta contra a aids.

O presidente do Fórum, Rodrigo Pinheiro, explicou para Jan que a entidade é um espaço de articulações de políticas públicas. "Lutamos pela garantia dos direitos humanos e já tivemos muitas conquistas, como a garantia do acesso aos medicamentos antirretrovirais, o fortalecimento das ações de luta contra a aids na base”, disse Rodrigo. “Também participamos da criação de políticas públicas para o controle e prevenção da doença, bem como de assistência aos portadores do HIV, entre outros."

Jan elogiou a opção da ONG pelos direitos humanos. “Esse é o caminho do sucesso da luta contra a aids”, observou ela.

Rodrigo lembrou que uma das ações lideradas pelo Fórum foi o movimento Tolerância Zero, contra o desabastecimento de antiretrovirais, em 2010. Na época, ONGs de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Maranhão, Pernambuco e Ceará promoveram manifestações contra a falta de alguns medicamentos nos serviços de saúde.

Jan, que estava acompanhada da coordenadora do Unaids no Brasil, Georgiana Braga, quis saber como é que o Fórum contribui para manter o movimento ativo. Segundo observou ela, "antes (no início da epidemia) era alta a prioridade de se mobilizar contra a doença, as pessoas iam para as ruas. Hoje não acontece o mesmo".

Rodrigo disse que a dificuldade das ONGs em acessar recursos tem enfraquecido o movimento e, nesse ano, uma das metas do Fórum é fortalecer as ONGs. "Vamos capacitar as organizações para que elas acessem os recursos". No entanto, ele lembrou que hoje as pessoas não querem mais se mostrar. "Precisamos voltar para as ruas de forma organizada", comentou o presidente do Fórum.

Campanhas

Rodrigo contou ainda como o Fórum tem reagido aos vetos governamentais de campanhas contra a aids dirigidas a públicos especificos, como jovens gays e profissionais do sexo. Em 2012, por exemplo, enviou carta à imprensa se posicionando contra o veto do governo federal que impediu a veiculação, em TV aberta e canais de grande circulação, do filme dirigido aos jovens homossexuais, como parte da campanha nacional de prevenção à aids no Carnaval.

No ano passado, o Ministério da Saúde também vetou a campanha do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais voltada à promoção dos direitos da prostitutas. Na época, o Fórum saiu em defesa da campanha e lembrou que o material vetado foi formulado com a participação das prostitutas e a intenção foi unir elementos eficazes em qualquer ação de saúde, como o protagonismo. “Temos enfrentado uma bancada conservadora no Congresso e não tem sido fácil", observou Rodrigo.

Outro tema que ganhou destaque na reunião foi o acesso da população ao tratamento antiretroviral no Brasil. Segundo disse Jan, mesmo com o acesso universal, apenas 44% das pessoas acessam a medicação. "Homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, usuários de drogas e travestis têm dificuldade de acessar os serviços de saúde no Brasil e isso contribui para o alto índice de mortalidade da doença", destacou Rodrigo.

Jan e Georgiana continuam em São Paulo nesta terça-feira (25) para conhecer o trabalho do Centro de Treinamento e Referência de DST/Aids do Estado e também o Ambulatório de Travestis e Transexuais. Ainda nesta semana Jan se reúne, em Brasília, com representantes do Grupo de Trabalho Unaids para debater a inclusão do tema aids na agenda pós-2015.

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

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