06/03/2014 – 18h45
O `Diário do Comércio`, publicação especializada em economia e gestão, destacou na sua edição dessa quarta-feira (5) o livro “O Valor da Vida, 10 Anos da Agência Aids”, de Roseli Tardelli, editora executiva da Agência de Notícias da Aids. Lançado no dia 1º de dezembro, em São Paulo, a o livro fala da luta contra o preconceito e a ignorância que ela abraçou nos anos 90 quando seu irmão, Sérgio Tardelli, morreu em consequência de problemas causados pelo vírus da aids. O texto faz uma breve retrospectiva da trajetória de Roseli até a fundação da Agência Aids. Confira abaixo:
Aids: 12 mil mortes por ano no País.
Líder no combate à aids, o Brasil ainda acumula números expressivos de infectados. Segundo dados do órgão especial da ONU para a aids (Unaids), pelo menos 490 mil brasileiros estão infectados com o vírus HIV. Por ano, são registrados, em média, 36 mil novos casos.
Militante da causa, a jornalista Roseli Tardelli lançou o livro O Valor da Vida, onde detalha sua luta para informar a população e conter o preconceito em relação ao tema.
Já se passaram 32 anos desde a descoberta do vírus causador da aids e os tratamentos evoluíram, mas ainda há muito o que fazer. No Brasil, que é referência mundial no tratamento da aids, há entre 490 mil e 530 mil pessoas infectadas pelo HIV, segundo levantamento feito pelo Ministério da Saúde e pelo Unaids.
Dessas, 237 mil estão em tratamento e recebem mensalmente o coquetel anti aids. Dos 20 medicamentos que o compõem, o Brasil já fabrica 11. No entanto, outras 135 mil pessoas não sabem que têm o vírus. E, por ano, 12 mil mortes são causadas pela doença no Brasil, onde cerca de 460 milhões de preservativos são distribuídos anualmente.
Para Roseli, esses números comprovam que a ciência ainda tem um longo caminho a percorrer. E a imprensa também. Na luta contra a desinformação sobre o assunto, Roseli fundou a Agência de Notícias da Aids há dez anos, um portal de informações contra o HIV.
“Meu trabalho é um combate à doença, mas também ao preconceito, à desinformação e à ignorância, pois foi a partir disso tudo que o HIV cresceu. Se há 32 anos tivéssemos realizado uma divulgação correta dizendo que todos estavam vulneráveis frente a um vírus que é mutante, e não apenas os homossexuais, os ganhos em relação à Aids teriam sido maiores”, explica a jornalista.
No livro, Roseli conta como consolidou a Agência Aids. Além do apoio de pessoas engajadas na causa, foi movida por uma dor pessoal, a morte de seu irmão, Sérgio Tardelli, em 1994, vítima da doença.
O livro também reúne as boas notícias. Segundo a autora, a evolução dos coquetéis e a consolidação do programa de combate à aids no País fizeram com que a doença deixasse de ser considerada uma sentença de morte para ser encarada como uma enfermidade crônica. Por fim, o material apresenta uma cronologia das primeiras descobertas, avanços e principais acontecimentos relacionados à doença, desde 1920.
Acomodação
Em relação ao momento atual da doença no mundo, Roseli garante que houve uma acomodação, tanto por parte da indústria farmacêutica, quanto da ciência e também da população. "Acho que o desafio da ciência hoje é olhar para as especificidades do HIV. Ainda não demos esse salto da informação para que, enfim, possamos causar uma mudança de comportamento. E as pessoas precisam perceber que o assunto é com elas. Isso é fundamental".
Roseli teme que a popularização da doença e dos tratamentos disponíveis possam diminuir o medo da população. “As campanhas do Ministério da Saúde só surgem no carnaval e em dezembro, no dia mundial da Aids. Até parece que as pessoas só têm relação sexual sem camisinha nesse período. Trata-se de uma questão de saúde pública e ponto. As campanhas tem que ser direcionadas. Senão fica parecendo que tem remédio e não precisamos mais nos preocupar”, afirma.


