Diálogo sobre prevenção e saúde abre Dezembro Vermelho no Senac Santos

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No dia 3 de dezembro, a Agência Aids deu início ao ciclo de palestras Dezembro Vermelho no Senac Santos com uma roda de conversa sobre saúde e prevenção ao HIV/aids. O encontro reuniu o ativista Beto Volpe, que vive com HIV há mais de 30 anos, e o médico infectologista Evaldo Stanislau. A mediação foi feita pela jornalista Roseli Tardelli, diretora da Agência Aids.

Durante o evento, foram discutidos temas como a prevenção combinada do HIV, novas tecnologias de prevenção, o papel da mídia na luta contra a epidemia e a importância da informação como ferramenta de enfrentamento ao estigma. A parceria entre o Senac São Paulo e a Agência Aids, que existe desde 2006, foi destacada como exemplo de como a educação pode contribuir para a conscientização sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Beto Volpe compartilhou sua trajetória após o diagnóstico positivo em 1989, aos 28 anos, quando contraiu o vírus. “Meu mundo desabou, achei que não resistiria aos meses seguintes”, relembrou. O apoio da família foi fundamental para sua superação e posterior engajamento na militância. Desde então, Beto fundou o grupo Ipupiara e desenvolveu ações de prevenção na Baixada Santista.

Já o Dr. Evaldo Stanislau, professor e pesquisador da Inspirali Educação e infectologista do Hospital das Clínicas da USP, trouxe informações atualizadas sobre os avanços na prevenção e tratamento do HIV, destacando a importância da ciência e do acesso à saúde pública.

O especialista explicou que o uso do preservativo, juntamente com o uso das profilaxias pré e pós-exposição ao HIV tem contribuido para a redução das novas infecções. “Com a prevenção combinada com o uso de medicamentos ficou claro que este é o caminho. O uso da PrEP e a possibilidade de fazer a PEP são marcos e estão bastante consolidados. As pessoas precisam conhecer a prevenção combinada, que impacta positivamente na redução do número de novas infecções.”

Entre as décadas de 80 e 90 Santos liderava o ranking nacional de números de casos da doença proporcionais à população. O cenário, no entanto, mudou quando a prefeitura criou o primeiro programa municipal da doença do Brasil, tornando-se referência no combate à Aids em todo o mundo. Em 2024, de acordo com a Prefeitura de Santos, a cidade registrou 68 casos de residentes que contraíram o HIV e 53 pessoas que desenvolveram a aids em 2024.

“A cidade de Santos já foi conhecida como a capital da aids no Brasil devido ao alto número de infecções registradas. O quadro mudou, mas é sempre importante ficarmos atentos. Por isso, a parceria que estabelecemos com o Senac para ampliar o escopo de prevenção é fundamental porque a informação chega antes que o HIV se instale”, diz a jornalista Roseli Tardelli, curadora do Dezembro Vermelho.

Outros debates

Além de Santos, diversas unidades do Senac no interior do Estado também realizarão rodas de conversa e atividades educativas como parte da campanha Dezembro Vermelho. Alunos de cursos nas áreas de Saúde, Segurança no Trabalho, Nutrição, Radiologia, Odontologia, Enfermagem, Hemoterapia, Ótica, Massoterapia, Educação Física, Gestão de Planos de Saúde, Gastronomia e Alimentação participarão das ações.

A programação segue com novas atividades, incluindo uma roda de conversa no Senac Campinas, Senac Ribeirão Preto, Senac Barretos e Senac São José do Rio Preto, ampliando o alcance das iniciativas de prevenção e combate ao estigma relacionados ao HIV/aids.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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