
Mãe em Mbarara, no Uganda, dando medicamento contra HIV a seus filhos, Unicef/Karin Schermbrucke
O Dia Mundial das Crianças Afetadas e Infectadas pelo HIV, em 7 de maio, chama a atenção para a gravidade do HIV/aids, que ainda acomete centenas de milhares de crianças, em todo o planeta. A data foi criada para lembrar a população que ainda temos no mundo inúmeras crianças vivendo com HIV e que, muitas excluídas de direitos básicos, em diversos países, ainda morrem em decorrência da aids. Por isso, também é um dia de reflexão sobre a importância do pré-natal. Mulheres com um pré-natal adequado, podem trazer ao mundo um bebê livre do vírus.
O programa Conjunto das Nações Unidas Sobre HIV/Aids (UNAIDS), traçou metas específicas para avançar rumo a um futuro livre da aids, inclusive para as crianças. No entanto, as desigualdades têm atrasado significativamente estas alianças entre os países e lideranças. Dados do mais recente [2022-2023] relatório global do UNAIDS apontam que, atualmente, 39 milhões de pessoas vivem com HIV no planeta, 29,8 milhões delas estão em tratamento antirretroviral, mas 620 mil foram à óbito. Além disso, somente em 2022, novas infecções pelo vírus chegaram a 1,3 milhões.
Brasil
O Brasil possui uma população de, em média, 200 milhões de habitantes, e mais de 1 milhão destas pessoas vivem com HIV/aids. Pouco mais de aproximadamente 723 mil estão em tratamento antirretroviral, mas, ainda ocorreram 51 mil novas infecções por HIV e 13 mil brasileiros morreram com a aids como causa básica, no último ano.
Cenário mundial
Em todo o mundo, há avanços. As novas infecções por HIV estão diminuindo, pois os números mostram taxas menores que as dos anos anteriores. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer, especialmente no que diz respeito ao acesso ao tratamento, já que cerca de 9,2 milhões de pessoas continuam sem o devido acesso ao tratamento, sendo destas 660 mil são crianças.
Quase três quartos (71%) das pessoas vivendo com HIV em 2022 (76% das mulheres e 67% dos homens vivendo com HIV) apresentavam cargas virais suprimidas. A supressão viral permite que as pessoas que vivem com HIV tenham uma vida longa e saudável e com risco zero de transmissão sexual do HIV. No entanto, a supressão da carga viral em crianças era de apenas 46%.
Na África subsaariana, apenas 42% das regiões com incidência de HIV acima de 0,3% são atualmente contempladas por programas de prevenção dedicados ao HIV/aids para adolescentes e jovens mulheres.
Ações de prevenção são fundamentais na eliminação da transmissão vertical
Segundo o Unaids e o Unicef, são três ações mais importantes para a prevenção da infecção pelo HIV em crianças. Em primeiro lugar, alcançar as mulheres grávidas com testes e tratamento o mais cedo possível – muitas crianças nasceram com o HIV porque suas mães não receberam nenhum tratamento para o HIV antes ou durante a gravidez ou amamentação. Em segundo lugar, assegurar a continuidade do tratamento e supressão viral durante a gravidez, amamentação e por toda a vida – muitas crianças adquiriram a infecção pelo HIV porque suas mães não continuaram os cuidados de saúde durante a gravidez e amamentação. Em terceiro lugar, prevenir novas infecções por HIV entre mulheres grávidas e amamentando – novas infecções entre crianças ocorrem devido ao fato de a mulher ter adquirido a infecção pelo HIV durante a gravidez ou amamentação.
O SUS disponibiliza todas as ferramentas necessárias para a redução da transmissão vertical do HIV. Apesar do grande progresso desde o início da epidemia, a resposta ao HIV ainda está falhando em relação às crianças.
Redação da Agência Aids com informações do UNAIDS e UNICEF



