17/10/2014 – 15h20
Ilustração Blog Associação Paulista de Desenvolvimento da Medicina (SPDM)
Não é à toa que o Brasil elege o terceiro sábado de outubro como o Dia Nacional de Combate à Sífilis. O aumento dos casos dessa DST, uma das mais antigas do mundo, preocupa e as razões por que isso acontece pedem reflexão na data comemorada nesse sábado (18) em sua nona edição. Os números registrados são bem superiores aos de HIV/aids e outras DSTs e a sua transmissão vertical (de mãe para filho, na gravidez) é um dos grandes desafios da saúde pública atualmente. No Brasil, foram estimados 28.500 casos em gestantes, uma média de 5,8 casos por mil nascidos vivos, em 2012, segundo o Ministério da Saúde. De 2000 a 2013, foram notificados 75.683 casos.
“É complicado falar em controle , pois as taxas de prevalência variam de acordo com a época, a região e perfil populacional por meio dos quais se alastra”, disse Orestes Diniz, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ao portal da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
“O desenvolvimento da primeira sorologia para a sífilis, a penicilina, significou uma redução significativa da doença na década de 40. No entanto, com a revolução sexual, houve novamente um aumento da incidência da doença infectocontagiosa, que a repercussão do diagnóstico de HIV só minimizaria em meados dos anos 80. Hoje, mais uma vez, estamos diante de uma nova onda de sífilis, um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, que já apresenta taxas preocupantes”, explicou Orestes Diniz à SBI.
O Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais (DDAHV) fez um guia para explicar o que é a doença, como tratar, como é feito o diagnóstico. Veja a seguir:
O que é a sífilis
É uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum. Podem se manifestar em três estágios. Os maiores sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que a doença é mais contagiosa. O terceiro estágio pode não apresentar sintoma e, por isso, dá a falsa impressão de cura da doença.
Todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar o teste para diagnosticar a sífilis, principalmente as gestantes, pois a sífilis congênita pode causar aborto, má formação do feto e/ou morte ao nascer. O teste deve ser feito na 1ª consulta do pré-natal, no 3º trimestre da gestação e no momento do parto (independentemente de exames anteriores). O cuidado também deve ser especial durante o parto para evitar sequelas no bebê, como cegueira, surdez e deficiência mental.
Formas de transmissão
A sífilis pode ser transmitida de uma pessoa para outra durante o sexo sem camisinha com alguém infectado, por transfusão de sangue contaminado ou da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto. O uso da camisinha em todas as relações sexuais e o correto acompanhamento durante a gravidez são meios simples, confiáveis e baratos de prevenir-se contra a sífilis congênita.
Sinais e sintomas
Os primeiros sintomas da doença são pequenas feridas nos órgãos sexuais e caroços nas virilhas (ínguas), que surgem entre a 7 e 20 dias após o sexo desprotegido com alguém infectado. A ferida e as ínguas não doem, não coçam, não ardem e não apresentam pus. Mesmo sem tratamento, essas feridas podem desaparecer sem deixar cicatriz. Mas a pessoa continua doente e a doença se desenvolve. Ao alcançar um certo estágio, podem surgir manchas em várias partes do corpo (inclusive mãos e pés) e queda dos cabelos.
Após algum tempo, que varia de pessoa para pessoa, as manchas também desaparecem, dando a ideia de melhora. A doença pode ficar sem apresentar sintomas por meses ou anos, até o momento em que surgem complicações graves como cegueira, paralisia, doença cerebral e problemas cardíacos, podendo, inclusive, levar à morte.
Diagnóstico
Quando não há evidencia de sinais e ou sintomas, é necessário fazer um teste laboratorial ou teste rápido. Esta nova tecnologia se caracteriza pela execução, leitura e interpretação dos resultados feitos em, no máximo, 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. Além disso, para a leitura dos seus resultados não é necessário o uso de algum equipamento específico, podendo ser feita a olho nu. Por estes motivos, os testes rápidos para sífilis fazem parte das estratégias do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (DDAHV) para ampliar a cobertura diagnóstica desse agravo.
Os testes rápidos para sífilis fornecidos pelo DDAHV consistem em testes treponêmicos que possibilitam a determinação visual qualitativa da presença de anticorpos IgG e IgM anti-Treponema pallidum em amostras de sangue total coletadas a partir de punção digital.
Os testes são fornecidos gratuitamente para os serviços e distribuídos por todo território brasileiro. Como pode ser observado no gráfico abaixo, houve um aumento significativo do fornecimento destes testes. No ano de 2013 foram distribuídos cerca de 2,5 vezes mais testes quando comparado com a distribuição de 2012. O mesmo pode ser observado para 2014 que, até o mês de agosto, já haviam sido distribuídos mais testes do que durante todo o ano de 2012.
Tratamento
Recomenda-se procurar um profissional de saúde, pois só ele pode fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento mais adequado, dependendo de cada estágio. É importante seguir as orientações médicas para curar a doença. A penicilina ainda é o principal tratamento!
Sífilis congênita
É a transmissão da doença de mãe para filho. A infecção é grave e pode causar má-formação do feto, aborto ou morte do bebê, quando este nasce gravemente doente. Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado é positivo, tratar corretamente a mulher e seu parceiro. Só assim se consegue evitar a transmissão da doença.
Sinais e sintomas
A sífilis congênita pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas estão presentes já nos primeiros meses de vida. Ao nascer, a criança pode ter pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados, problemas ósseos, surdez ou deficiência mental. Em alguns casos, a sífilis pode ser fatal.
O diagnóstico se dá por meio do exame de sangue e deve ser pedido no primeiro trimestre da gravidez e último trimestre da gravidez e no parto. O recomendado é refazer o teste no 3º trimestre da gestação e repeti-lo logo antes do parto, já na maternidade. Quem não fez pré-natal, deve realizar o teste antes do parto. O maior problema da sífilis é que, na maioria das vezes, as mulheres não sentem nada e só vão descobrir a doença após o exame.
Tratamento
Quando a sífilis é detectada, o tratamento deve ser indicado por um profissional da saúde e iniciado o mais rápido possível. Os parceiros também precisam fazer o teste e ser tratados, para evitar uma nova infecção da mulher. No caso das gestantes, é muito importante que o tratamento seja feito com a penicilina, pois é o único medicamento capaz de tratar a mãe e o bebê. Com qualquer outro remédio, o bebê não estará sendo tratado. Se ele tiver sífilis congênita, necessita ficar internado para tratamento por 10 dias. O parceiro também deverá receber tratamento para evitar a reinfecção da gestante e a internação do bebê.
Cuidados com o recém-nascido
Todos os bebês devem realizar exame para sífilis independentemente dos exames da mãe. Os bebês que tiverem suspeita de sífilis congênita precisam fazer uma série de exames antes de receber alta.
Dica de entrevista:
DDAHV
Assessoria de imprensa
Tel.: (61) 3315-7665


