DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA AIDS: EM ATO ECUMÊNICO PROMOVIDO PELA IGREJA ANGLICANA E PELO GAPA, RELIGIOSOS FAZEM AUTOCRÍTICA

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2/12/2006 – 10h30

“Estamos atrasados”, admite Arthur Cavalcante, Reverendo da Igreja Anglicana Santíssima Trindade, em relação ao combate da Aids. A confissão foi feita durante ato ecumênico promovido pela igreja da qual faz parte e pelo Grupo de Apoio à Prevenção da Aids de São Paulo (GAPA-SP), na noite desta sexta-feira, 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra Aids. Surpreendentemente jovem, ostentando cerca de 30 anos, o reverendo explicou a motivação primordial da iniciativa: pessoas próximas foram infectadas pelo vírus HIV. Segundo o religioso, isso lhe chamou a atenção para a “pandemia”. Desde então, a luta contra a Aids tornou-se um “compromisso”. “Foi a igreja quem nos procurou interessada em fazer um ato no dia 1º de dezembro”, explica José Carlos Veloso, presidente do GAPA-SP. O ativista disse que não hesitou. “A gente acha importante essa aproximação [entre laicos e religiosos]”, explica.

O início do ato, realizado no interior de uma moderna igreja em forma de “V” (com o vértice voltado para cima), teve a apresentação do coral de “Resistência Negra”, formado por representantes de “várias igrejas”. Em seguida, ativistas e clérigos fizeram uma pequena apresentação de cada uma das organizações ou instituições presentes, seguida de uma liturgia (nome dado ao culto religioso na Igreja Anglicana). Cada indivíduo teve “três minutos” para sua fala. O representante da Igreja Metodista, Reverendo Luciano, fez uma crítica e autocrítica dura e corajosa. Ele lembrou que, no início da pandemia (começo dos anos 80), “não faltaram grupos religiosos para demonizar os doentes”. “Esse deve ser um espaço de autocrítica”, concluiu.

Cláudio Monteiro, da Pastoral da Aids, pediu a “união de todas as religiões para a disponibilização dos medicamentos para todos os portadores do HIV no mundo.” Frei Clemente, do Mosteiro de São Bento, discorreu sobre o trabalho efetuado pela paróquia, que atende “cerca de 400 soropositivos”. Representando o Candomblé, o Babalorixá Celso de Oxaguián, lembrou das vítimas da pandemia, mas ressaltou que também é importante “celebrar a vida”. Ele arrancou risos ao contar que, quando chegava ao local, entrou na “igreja errada” (do outro lado da Praça Olavo Bilac, há uma igreja evangélica).

Por fim, o pastor Sebastião Bertolino, da Igreja Assembléia de Deus, admitiu a relação complicada da religião com a Aids. Contudo, na sua avaliação, a instituição que ele representa tem “buscado superar essa questão muito delicada que é o preconceito”. “Alguns pastores já estão bastante sensíveis [ao tema do vírus HIV]”, garantiu.

Léo Nogueira

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