DIA INTERNACIONAL DA MULHER: Uma biomédica, uma infectologista e uma professora. Conheça três mulheres que viraram referência na luta contra a aids

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06/03/2014 – 19h30

Uma delas, Lair Guerra, foi a primeira diretora do Programa Brasileiro de Aids e esteve à frente dele durante dez anos. Sofreu um acidente de carro em pleno combate, quando participava de um congresso em Recife (PE). Marinela Della Negra é considerada uma espécie de fada madrinha de crianças e adolescentes que, ao longo da história da aids, buscam tratamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Nair Brito é uma professora que levou sua pedagogia de forma camarada para as mulheres ao criar o Movimento Nacional de Cidadãs Posithivas. Essas três mulheres abrem a série de perfis que publicaremos a partir de hoje até sábado, 8 de março, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Lair Guerra, a primeira diretora do programa brasileiro de aids

Lair Guerra de Macedo nasceu no Piauí em 1943. Fez o primário na cidade de Curimatá e cursou Ciências Biomédicas na Universidade de Pernambuco. Casou-se em 1962 e teve cinco filhos.

Em 1977 começou a lecionar microbiologia na Universidade do Piauí e a administrar o laboratório da universidade. Em seguida, tendo obtido bolsa da Organização Pan-americana de Saúde, deslocou para a cidade de Atlanta, na Geórgia (EUA), com a família. Em Atlanta atuou como pesquisadora visitante na área de doenças sexualmente transmissíveis no Center for Disease Control (Centro de Controle de Doenças). Paralelamente, cursou o mestrado em Microbiologia na Georgia State University, enquanto acompanhava no CDC as primeiras pesquisas sobre o vírus HIV.

Depois de seis anos na Georgia, voltou ao Brasil, onde passou a atuar inicialmente como professora na Universidade de Brasília. Foi convidada a iniciar o Programa Brasileiro de DST/Aids em 1986, do qual foi diretora por 10 anos, tendo trabalhado com dez ministros. Nesse período, conseguiu recursos do Banco Mundial, com os quais qualificou e treinou  profissionais para o combate às DST/aids.

Lair estabeleceu ainda centros de referência para o tratamento de pacientes, incentivou a criação e a manutenção de organizações não governamentais e iniciou o programa de teste de vacina para prevenção da aids. Representou o Brasil em três reuniões da Assembleia Mundial de Saúde, em Genebra.

Em agosto de 1996, ela participava de um congresso em Recife quando sofreu um acidente de carro. Teve traumatismo craniano e entrou em coma, ficando com algumas sequelas, como dificuldades de fala e falhas na memória recente.

Há quatro anos, durante evento em que foi homenageada pelo Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (GAPA) de São Paulo com o 3º Prêmio Paulo César Bonfim, Lair foi ovacionada de pé pela plateia presente na cerimônia no Edifício Itália, em São Paulo.

___O texto acima foi feito com base nas informações do livro "100 nomes que fizeram a história da luta contra a aids no Brasil" e do site Portal da Medicina.

Nair Brito, uma das primeiras a conseguir do governo o coquetel antiaids

Nair Brito nasceu em 1960 numa fazenda de café em Marumbi, no Paraná. Chegou em São Paulo com a  família ainda criança. Estudou, brincou, namorou e casou. Aos 19 anos, teve o seu primeiro filho, quando sua vida ganhou novo significado.

Os anos se passaram e um novo desafio surgiu: diagnóstico de HIV positivo, doenças, necessidades, medos e amor. E novos aprendizados: unir forças para poder superar o descaso com a saúde pública, ainda que fosse o último desafio.

Nair encontrou eco nesse grito com o Grupo de Incentivo à Vida  (GIV). Foi nessa militância e com Áurea Abadde, advogada e coordenadora do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (GAPA) de São Paulo, que moveu uma das primeiras ações no país, exigindo que o estado cumprisse seu dever de prestar atendimento com medicamentos às pessoas com HIV e aids.

Na sua luta era preciso dar aos portadores do vírus a oportunidade de encontrar uma chance para viver, pois até então só tinham uma: esperar pela morte. Com a iniciativa dela, os portadores do vírus venceram e hoje o acesso é possível.

Nair fez pedagogia na Universidade de São Paulo (USP), participou dos grupos Toque de Mulher, Rede Paulista de Mulheres com o HIV e foi articuladora com a sociedade civil no Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo.

Hoje, ela contribui para com os seguintes projetos:  "Flores Vermelhas, documentário que será lançado em breve, Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas, ICW–Rede Internacional de Mulheres com HIV/Aids, Movimento Latino e Caribenho de Mulheres com HIV/Aids e com o Projeto Saber para Reagir em Língua Portuguesa, cujo objetivo é ajudar mulheres vivendo com HIV e aids dos países que falam português a lutarem pelos seus direitos.

Marinella Della Negra, referência nacional no tratamento de crianças com aids 

Marinella Della Negra nasceu na cidade de Borgosesia, na Itália, e naturalizou-se brasileira. Médica efetiva do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e consultora do Ministério da Saúde para assuntos relacionados à aids pediátrica, ela começou a trabalhar com crianças portadoras do HIV em 1985, quando aceitou acompanhar pela primeira vez um bebê soropositivo recusado por outras equipes —  até então, pouco se conhecia sobre os tratamentos da doença e suas formas de transmissão.

A partir daí, Marinella se dispôs a pesquisar a aids pediátrica e a procurar informações com especialistas, em revistas e em instituições internacionais. Os casos seguintes de crianças com HIV  foram encaminhados a Marinella, que passou a se dedicar quase exclusivamente ao número sempre crescente de pequenos pacientes.

Aos poucos, formou uma equipe dedicada e especializada no tratamento de crianças soropositivas.

Em 1989, ela conseguiu doação em dinheiro de uma empresa que repassava verbas para organizações não governamentais dedicadas ao tratamento de soropositivos e decidiu, então, fundar uma dessas entidades, que chamou de Associação de Auxílio às Crianças Portadoras de HIV.

Além de ajudar os doentes, fornecendo remédios, cuidando de seu encaminhamento a hospitais e ambulatórios, e de transmitir informações sobre a doença a pacientes e suas famílias, a ONG criada por Marinella também organizou o primeiro encontro sobre aids pediátrica no Brasil.

Redação Agência de Notícias da Aids

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