DIA INTERNACIONAL DA MULHER: Documentário ‘Flores Vermelhas’ marca os 13 anos do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas

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08/03/2014 – 12h

Mulheres guerreiras, que enfrentam a aids e o preconceito, cada uma com sua história de vida, elas se fortalecem na luta dentro do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP). Nesse mês dedicado às mulheres, por causa do 8 de março, comemoram também os 13 anos do grupo que ajudaram a fundar para reunir as soropositivas em todo o Brasil e ajudá-las a conquistar e defender seus direitos. Para isso, criaram um projeto com o nome “Flores Vermelhas”, que consiste num lindo livro e num documentário a serem lançados no Rio, na terça-feira, dia 11, e em São Paulo, no dia 17. O documentário traz depoimentos de mulheres de todas as regiões. Veja o serviço no fim desta entrevista que fizemos com três idealizadores do projeto, as cidadãs Nair Brito, Silvia Almeida e Jenice Pizão.

Agência de Notícias da Aids: Como surgiu a ideia de fazer o documentário?

Nair Brito (foto): Foi a percepção de que a história escrita pelas mulheres com HIV/aids de forma corajosa , árida , silenciosa e, às vezes, solitária precisava ter mais mais aliados. Isso é, mais gente envolvida, independentemente da sorologia, na luta pelos seus direitos e, assim, fazer a vida de todas as mulheres florir com abundência, o que é possível se os seus direitos forem acessados.

Silvia Almeida: A ideia é dar visibilidade ao movimento das mulheres no contexto da aids.

Jenice Pizão:
Era um sonho ativo que foi tomando força na medida em que vivenciávamos os 13 anos da história do MNCP. Era preciso registrar a luta das mulheres com HIV/aids, ser ouvidas em nossos direitos, desejos e em nossas necessidades.

Qual foi o critério para escolher as mulheres que participam do documentário, dando seus depoimentos?

Nair : Bom seria se todas as mulheres do MNCP participassem, porque todas são grandes protagonistas. Mas, em função do limite de dinheiro e também de mulheres que não podem participar, foi preciso buscar alternativas e uma delas foi convidar ativistas do MNCP por região. Esse critério propiciou retratar todo o país quanto ao ativismo das mulheres e à sua diversidade.

Silvia (foto): O critério das escolhas era o sentir -se segura para mostrar -se e dar visibilidade a este grupo.

Jenice: Embora muitas de nós tenhamos vivido o abandono, o desrespeito, a discriminação, enfim a violência em seus diferentes aspectos, somos também únicas em nossas histórias pessoais. Assim, foi difícil escolher esta ou aquela cidadã. Outra dificuldade foi que não conseguimos entrevistar todas as cidadãs significativas para o MNCP por diversos motivos. Dessa forma, tentamos trazer as falas que tínhamos em diferentes regiões, idades, orientação sexual, fase da epidemia da aids e do próprio movimento.

Quais os objetivos que você espera atingir com a exibição?

Nair:
Os objetivos são: 1- sensibilizar mais mulheres para a participação cidadã e a luta pelos seus direitos – 2- contribuir para a redução do estigma e da discriminação vinculados às pessoas com HIV/aids.

Silvia: O objetivo é ainda discutir a vulnerabilidade das mulheres no contexto de relações estáveis, mais uma vez discutir o preconceito e o empoderamento feminino.

Jenice (foto): Espero que as pessoas conheçam cada vez mais as histórias de mulheres que vivem com HIV neste país. São histórias de vida, dor e violência, mas também de descobertas, alegrias, crescimento individual e grupal.

O que precisa acontecer para que as mulheres percebam que estão em vulnerabilidade?

Nair: A percepção de risco está sempre nas nossas vidas e nós a identificamos. Mas o que acontece quase sempre é que ou negamos ou pagamos para ver o que acontece. Eu posso falar por mim: neguei e paguei para ver e o preço foi bem alto. Perdi! Se você não é infectada pelo HIV tome uma atitude a seu favor, use camisinha. Se você, como eu, pagou para ver é preciso ter coragem para essa nova etapa, mas é possível viver.

Silvia: O empoderamento feminino precisa dar um salto para diminuir a vulnerabilidade. Assim, precisamos estar atentas às seguintes questões: 1 -É preciso entender que amor não impede que o parceiro ou parceira sinta desejo e se envolva sexualmente com outras pessoas. Passamos anos fazendo de conta que a traição só acontece na casa dos vizinhos e, nesta visão equivocada, a aids foi invadindo lares de relacionamentos estáveis. Hoje, as questões de infidelidades precisam ser tratadas como questões de responsabilidade conjugal. 2 – Vemos na nossa sociedade uma inversão de valores perigosa entre as jovens que se expõem sexualmente, valorizando o corpo a sensualidade, com a ideia de que engravidar é status e “a transa” está banalizada. A educação sexual, com todos os contextos de prevenção ( gravidez, DST/aids) deve ser inserida nas escolas e ampliada nos lares para que esta vulnerabilidade diminua.

Jenice: Penso que a sociedade deve trazer essas discussões à tona, com o intuito de visibilizar e assim buscar estratégias para minimizar a violência de gênero, tanto institucional, como social e econômica.

O que você deseja para as mulheres neste século?

Nair: Liberdade, acesso aos seus direitos, alegria, amor e paz

Silvia: Desejo que as mulheres cada vez mais conheçam sua força, usufram de sua inteligência e mudem os valores que vão mudar o mundo.

Jenice: Meu desejo é para o ser humano, mulheres, homens, crianças e idosos. Precisamos olhar o diferente com ética e respeito. Precisamos entender que sozinhos somos fracos. Estar ombro a ombro na igualdade é o que nos fortalece. Talvez assim vamos conseguir reduzir as desigualdades sociais, educacionais, econômica e de gênero. Poder compartilhar a vida com qualidade e alegria.

Serviço

Lançamento do livro e do documentário “Flores Vermelhas”, que mostra os 13 anos do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas

Rio de Janeiro
Data: 11 de março
Endereço: Escola de Enfermagem Anna Nery, Rua Afonso Cavalcanti, 275 Cidade Nova
Hora: 9 h
Entrada gratuita

São Paulo
Data: 17 de março
Endereço: Cine Sesc, Rua Augusta, 2075
Hora: 20 h
Entrada gratuita

Ficha técnica

Realização: MNCP
Direção Pedro J. Duarte
Ideia Original: Nair Brito, Silvia Almeida e Jenice Pizão
Entrevistas: Roseli Tardelli

Redação da Agência de Notícias da Aids

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