Dia dos Pais: Fabiano Oliveira superou seus medos e hoje espalha a mensagem de que a paternidade é possível mesmo vivendo com o HIV

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Neste Dia dos Pais, é hora de homenagear aqueles que desempenham um papel fundamental em nossas vidas: pais, padrastos, avós, tutores e outras figuras paternas que nos guiaram, inspiraram e apoiaram ao longo dos anos.

Enquanto as famílias se reúnem, trocam abraços e compartilham histórias neste domingo (13), a Agência Aids traz para somar em sua série de reportagens especiais a história de Fabiano Oliveira, marcada por muita luta, superação e amor incondicional por seus filhos.

Sr. Fabiano é paulista, mas vive em Jaboatão dos Guararapes – Pernambuco. Foi criado por pais nordestinos que desde muito cedo ensinaram a ele o valor do trabalho. Pai de três: Marina Fabiele, de 16 anos, Maria Alice, também de 16, e Artur José, de 13, os dois últimos são filhos de criação. Os três são donos de uma parte especial de seu coração.

Fabiano vive com HIV há vinte anos e conta que até aqui não foi nada fácil lidar com todos os desafios, decisões importantes da paternidade e as mudanças ocasionadas desde que o HIV chegou em sua vida.

Segundo o entrevistado, antes de sua primogênita Marina nascer, sua percepção em relação à paternidade por um momento foi mudada, em razão do medo do desconhecido.

‘‘Eu tinha o sonho de ser pai, e quando descobri meu diagnóstico achei que não conseguiria realizar esse sonho. Eu lembro como se fosse hoje que eu abracei minha mãe e minha tia, e chorando eu disse para elas que o que eu mais queria na vida era ser pai e que isso iria me impedir”.

Fabiano escondeu sua sorologia por muitos anos, pelo medo, inclusive do preconceito que viria a sofrer. Todos aqueles receios e inseguranças da subjetividade de Fabiano, somadas ao fato de que anos atrás não havia tantos avanços, acesso facilitado à serviços de saúde, e ampla assistência às pessoas vivendo com HIV/aids, mais a discriminação social em massa que existia, agravou seu emocional e psicológico.

“Em 2003 ainda era muito difícil, longe de tudo, precisava andar muitos quilômetros de distância para buscar medicação, a gente não tinha tantos recursos como hoje, como o I=I [Indetectável é igual a intransmissível], redes de apoio, grupos de whatsapp…”, exemplificou.

Ele teve muitas perguntas e dores em seu coração, mas esses sentimentos não o impediram de lutar, e diferente do que pensava inicialmente, sua condição não interrompeu a realização do seu grande sonho de se tornar pai. Fabiano não ficou casado com a mãe de Marina, mas sua primeira vitória contra a aids foi ter a certeza de que sua filha não nasceu com HIV. Hoje, aos 16 anos, a menina vive com a mãe na Bahia e segue sendo uma jovem saudável. “Eu considero a minha filha um milagre!”.

Segundo ele, o apoio de sua atual companheira, Cicilia Maria, que também é HIV+, desde quando se conheceram há pouco mais de quatro anos, foi fundamental para abrir sua sorologia ao mundo, inclusive para a sua filha Marina, quando estava entrando na fase da adolescência.

“Minha esposa sempre deixou claro para todos que vive com HIV, e foi ela quem me incentivou muito a abrir minha sorologia”, afirma.

“Eu contei para a minha filha e a reação dela foi tranquila, ela disse que já sabia, imagino que outras pessoas tenham contado, e até por isso ela reagiu tranquilamente, talvez já estivesse preparada para isso. Agora é como se um peso tivesse saído das minhas costas!”.

A saudade é real, mas para Fabiano, a distância física jamais será capaz de desconectar seus corações um do outro.

Com seu novo relacionamento, ele ganhou ainda outros dois presentes, seus enteados: os pequenos Artur e Maria, podendo ter a oportunidade de se tornar pai mais uma vez e multiplicar o amor parental. Com eles, também divide uma relação de afeto e cumplicidade, que constroem dia após dia, juntos. Eles têm o ensinado a importância de fortalecer laços, criar memórias e reafirmar a importância do amor paternal.

Para o futuro de seus filhos, deseja muitas realizações, prosperidade, saúde e prevenção.

Para os outros pais vivendo com HIV ele deixa uma mensagem de esperança: “cultivem muito essa oportunidade que Deus e a ciência nos deu, de termos um tratamento que nos deixa capacitados para sermos pais com filhos sorodiferentes. Cuidem muito bem de suas crianças, deem muitos conselhos aos seus filhos para se protegerem e se prevenirem, para que não passem pelo que passamos”.

“Deixo aqui um feliz Dia dos Pais para todos os pais, especialmente para os como eu, que vivem com HIV”, finaliza.

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Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista

Instagram: @fabianode4094

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