Dia do Médico: Ativistas prestam homenagem aos doutores que os inspiram a seguir em frente

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18/10/2014 – 11h

Nesse sábado (18) se comemora o Dia do Médico, uma oportunidade de homenagear os profissionais que sempre estiveram na linha de frente das batalhas contra a aids, lidando com os maiores desafios impostos pela doença. São guerreiros e, ao mesmo tempo, anjos guardiões da vida, como define Marcio Villard, do Grupo Pela Vidda Rio de Janeiro. Fizemos a ele e a outros militantes do movimento de combate ao HIV/aids a seguinte pergunta: Qual é o médico que inspira você a lutar contra a aids? Veja o que eles responderam:

Cazu Barros, ator do Rio de Janeiro, ativista da Federação de Bandeirantes do Brasil: Primeiramente, quero dar parabéns a todos os profissionais de saúde e manifestar a eles minha admiração e meu carinho. Minha lista de inspiradores seria imensa, começando pela doutora Maria Regina Cotrim Guimaraes, minha primeira médica. Mas, em especial, gostaria de homenagear a doutora Vera Pimenta, do Rio de Janeiro, pediatra que, ao longo de sua vida e sua carreira, vem se dedicando, voluntariamente, ao desenvolvimento e à saúde de crianças e jovens bandeirantes, apoiando, incentivando e levando conhecimento a elas sobre a prevenção das DST/aids, a quebra de preconceito e estigmas. Graças à atuação dela junto ao Programa Saúde do Jovem da Federação de Bandeirantes do Brasil, nunca sofri preconceito ou qualquer tipo de constrangimento por ser soropositivo no meio desta grande família bandeirante.

José Roberto (Betinho) Pereira, da ONG Bem-Me-Quer: Sobre o nome de um médico, imediatamente me veio à mente minha médica infectologista, doutora Denise Lotufo. Superatenciosa, com muitos anos de dedicação e experiência, ela participa de grandes discussões da saúde e detém grande conhecimento na área de assistência. Não é à toa que ela coordena a diretoria de Assistência do Programa Estadual de DST Aids de São Paulo. Outra médica muito querida, extremamente profissional e acima de tudo um ser humano de profunda generosidade, é a queridíssima doutora Zarifa Khoury, do Programa Municipal de DST Aids de São Paulo e chefe de uma das unidades da internação da infectologia do Hospital Emílio Ribas. A Zaza, como carinhosamente a chamo, é competentíssima, dedicada e um docinho de leite, como se diz no interior. Amo muito essas duas médicas, que merecem todo nosso respeito e admiração.

José Araújo Lima, presidente do Espaço de Atenção Humanizada (Epah): Durante todos esses anos, encontrei muitos profissionais que merecem a minha homenagem, mas quero destacar um que sempre foi para mim um misto de profissional e ativista: doutor Paulo Motta. Ele mora na cidade de Três Lagoas ( MS) e foi o responsável por atender os portadores de HIV na cidade. Como ginecologista, esse médico viu o primeiro caso de aids chegar em sua mão, depois de muitos profissionais recusarem o atendimento. Em pouco tempo, ele deixou de ser conhecido como ginecologista e passou a ser o “médico da aids”.
Com as dificuldades em realizar seu trabalho, doutor Paulo se inseriu no movimento contra aids e, além de criar um grupo assistencial chamado GAE-VIDA, passou a participar de encontros pelo Brasil e realizar atividades de ajuda mútua com os portadores. Hoje, com 79 anos e aposentado, doutor Paulo Motta será sempre uma referência para quem desejar somar ciência com solidariedade.

Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp): Nestes anos acompanhando o enfrentamento da epidemia tive a oportunidade de conhecer vários médicos comprometidos, que atuam com dedicação e amor à profissão, possibilitando ao paciente a confiança e, consequentemente, a melhoria da qualidade de vida. Neste aspecto, ressalto o trabalho da doutora Karen Morejon, infectologista do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). Com seu trabalho, ela ganhou o respeito e a admiração de todos os seus pacientes.

Jair Brandão, da ONG Gestos, do Recife (PE): Tenho HIV desde os 18 anos. Hoje, estou com 41 e sou acompanhado desde 1997 pelo infectologista doutor Aderbal Vieira, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz da UPE. Ou seja, faz 17 anos que ele me acompanha. Tenho uma grande admiração pela inteligência e principalmente pela paciência e pelo cuidado que doutor Aderbal tem comigo. O nosso diálogo é muito bom e quando me dá broncas, aceito, não fico chateado e reflito muito! Tenho certeza de que essa dedicação do meu médico comigo faz com que me fortaleça e me sinta seguro de que tem alguém, além de minha mãe, pensando e cuidando de mim. Acho que é por isso que no passado eu "relaxei" em alguns momentos. Mas aprendi muito e hoje, mesmo com os problemas pelos quais o hospital está passando, meu médico não mudou de forma alguma. Defendo sempre que a relação médico/usuário tem de ser transparente, sincera, crítica, construtiva, propositiva, humanizada, respeitosa de ambas as partes e informativa, ou seja integral.

Jucimara Moreira, do Grupo Pela Vidda Rio de Janeiro e do Movimento das Cidadãs PositHIVas: Existem vários médicos que gostaria de homenagear neste dia tão especial, como Leonardo Maia, Brenda Hoagland, Sandra Wagner, Valdiléia Veloso (foto), entre outros que, com seus esforços na luta contra esta epidemia, nos encorajam a continuar na luta. E que eles nunca desistam de nós, pois precisamos cada vez mais de médicos como estes: competentes, sem preconceito, valorosos nesta luta tão árdua e militantes nesta causa que não é só nossa e sim de todos nós. Precisamos cada dia mais de novos medicos que sejam infectados com o vírus da militância contra esta epidemia.

Marcio Villard, do Grupo Pela Vidda Rio de Janeiro: Existem vários médicos que eu podería homenagear, mas a minha inspiração e a minha fortaleza é Marcia Rachid. Ela dispensa comentários no contexto de HIV/aids.“No confronto entre o rio e a rocha, o rio sempre ganha…. Não é graças a sua força, mas sim à sua perseverança…” (Anônimo) Assim são os nossos médicos! Feliz Dia dos Médicos!

Beto Volpe, fundador da ONG Hipupiara, de São Vicente (SP): Marcos Montani Caseiro, médico infectologista, pesquisador e meu médico há muitos anos. É um híbrido entre o doutor House e o Path Adams. Ele age duro no tratamento, mas sem perder a ternura, jamais! Faz questão de se afeiçoar aos pacientes que, sem exceção, sentem o mesmo por ele. É um amigo que nos dá vida, para muito além do acompanhamento clínico.

Cida Lemos, do Movimento das Cidadãs PositHIVas: Quero homenagear meu medico, doutor Celso Ferreira Ramos Filho que, além de um excelente e competente profissional, é amigo, psicólogo, conselheiro atencioso às reclamações dos pacientes. Em 2000, descobri a minha sorologia e fui encaminhada a ele com a imunidade superbaixa e a carga de vírus altíssima. Graças aos conhecimentos e ao interesse do dotor Celso estou viva para contar a história. Ainda este mês, durante uma consulta, ele me contou que há algum tempo não tem perdido, nem internado nenhum paciente com HIVaids, o que me deixou muito feliz porque confio totalmente na sua capacidade e, principalmente, na forma clara e direta como conversa explicando todas as dúvidas que temos. Algumas vezes nos encontramos em conferências, congressos, seminários e estes encontros me deram força e coragem para aprender como lidar com as adversidades pessoais, além de motivação para ajudar os que necessitam de informaçao e carinho. Dr. Celso Ramos, parabéns pelo Dia do Médico e muita saúde para continuar sendo exemplo para os seus pacientes e nos dando a certeza de que podemos ter uma vida com qualidade.

Vando Oliveira, coordenador da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+) do Ceará: No Dia do Médico, minha homenagem é para a doutora Melissa Medeiros, infectologista do Hospital São José, em Fortaleza (CE). Pelo seu profissionalismo e pela maneira exemplar como atende seus pacientes que vivem com HIV/aids.

Sílvia Almeida, do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas: Em 1994, a aids entrou na minha história e fui indicada a uma infectologista, doutora Maria Lúcia Biancallana, médica do convênio ao qual sou vinculada. Naquele momento, ela e os outros profissionais da área pouco sabiam sobre esta doença e a busca pela informação era o que existia de mais importante. Mas junto a desconhecimentos e incertezas, o carinho, a afetividade e a vontade de vencer a doença foram fundamentais para o bom aproveitamento do tratamento. A atuação profissional desta médica, a amizade que nos uniu (e une ) foram fundamentais para minha melhora, para a superação da fase mais crítica da epidemia e para meu amadurecimento no processo de atuação no movimento de aids. A melhora física me possibilitou lutar em prol da divulgação de informações e, consequentemente, da diminuição do estigma e do preconceito.Ttive também a oportunidade de conhecer diversos outros profissionais dos serviços públicos da saúde que se dedicam de corpo e alma à aids. Me permito aqui dizer que a aids nos trouxe algumas coisas boas e esta união ativa e ativista de médicos e pacientes  por uma causa é uma delas. Aproveito para agradecer a todos os profissionais e amigos que nos atendem, nos acompanham e que se infectaram pela luta junto conosco!

Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)

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