Em alusão ao Dia Mundial de Luta contra a Aids, comemorado sempre em 1 de dezembro, o Mopaids (Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids) divulgou uma carta pública em que manifesta preocupação com o enfraquecimento de políticas globais e nacionais de enfrentamento ao HIV. O documento enfatiza que a epidemia continua marcada por desigualdades sociais e pela vulnerabilização de grupos historicamente marginalizados.
O texto denuncia o possível fechamento de escritórios regionais do Unaids, que durante décadas desempenharam papel essencial na articulação de estratégias globais de prevenção e tratamento. Segundo o movimento, a redução da estrutura internacional compromete a capacidade de monitoramento epidemiológico e dificulta a integração entre governos, pesquisadores e organizações sociais.
A aids além do vírus: determinantes sociais da saúde
Para o Mopaids, a resposta ao HIV não se limita ao campo biomédico. A carta destaca que a epidemia permanece mais agressiva entre pessoas negras, populações LGBTI+, mulheres, trabalhadores e trabalhadoras sexuais, usuários de drogas, pessoas privadas de liberdade e indivíduos em situação de rua. Esses grupos enfrentam barreiras de acesso à saúde e costumam ser alvos de discriminação, fatores que aumentam a vulnerabilidade à infecção e reduzem a adesão ao tratamento.
O documento reforça ainda a importância do Sistema Único de Saúde como pilar central da resposta brasileira ao HIV. O modelo de acesso universal ao tratamento antirretroviral, implantado a partir de políticas públicas e pressionado por mobilização comunitária, é citado como um dos principais motivos para a redução da mortalidade no país ao longo das últimas décadas. Segundo o Mopaids, eventuais ameaças ao SUS representam riscos diretos à continuidade da resposta à epidemia.
A carta convoca gestores públicos, profissionais de saúde, ativistas e pesquisadores a retomarem o protagonismo no combate ao HIV, defendendo a recomposição de recursos, a continuidade das campanhas educativas e a ampliação do acesso às tecnologias de prevenção, como a profilaxia pré-exposição (PrEP). O movimento também pede esforços para combater o estigma e garantir que pessoas vivendo com HIV tenham pleno acesso a direitos, trabalho, saúde e dignidade.
Ao final, o Mopaids lembra que o Dia Mundial de Luta contra a Aids deve ser um momento de memória, mas também de ação.
Dica de entrevista
Mopaids
Site: www.mopaids..org.br




