Descriminalização, prevenção e direitos humanos: terceiro dia da AIDS 2014

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22/07/2014 – 11h45

Os participantes da 20ª Conferência Internacional de Aids ouviram bastante nesta terça-feira, 22 de julho, que a descriminalização das drogas injetáveis é uma medida chave para acabar com a transmissão do HIV no mundo. A Conferência acontece em Melbourne, na Austrália, com um fuso horário 13 horas na frente do horário de Brasília.

Uma das sessões chave discutiu o impacto das políticas de drogas para os usuários, a propagação do HIV e as comorbidades de tuberculose e hepatites. Durante a sessão, o comissário global de Drogas, Sir Richard Branson, que participou por videoconferencia, disse que a guerra global contra as drogas falhou tanto em termos de resultados de drogas e de saúde pública, particularmente em relação com o HIV e com a hepatite C, e que chegou a hora de substituir a criminalização e a punição dos usuários de drogas pelo tratamento e cuidado em saúde.

“A reforma da política de drogas não deveria ser vista isoladamente”, disse Sir Richard Branson. “Ela tem o potencial de acarretar mudanças em outras áreas, como o sistema penitenciário global, que é cronicamente superlotado, ou de reduzir o impacto negativo do policiamento em algumas comunidades”.

“Globalmente nós estamos usando muito dinheiro e ainda mais recursos preciosos em prisões, quando deveríamos estar gastando esse dinheiro em educação, treinamento profissional, e no caso dos usuários de drogas, no tratamento, cuidado médico apropriado e ressocialização”.

As atividades de hoje da Conferência começaram com apresentações da plenária sobre as barreiras para uma prevenção efetiva do HIV. Questões discutidas incluíram o fortalecimento dos sistemas de saúde (explanado por Olive Shisana, da África do Sul), a superação da desigualdade de gênero (tema apresentado por Jennifer Gatsi-Mallet, da Namíbia), e o aumento dos investimentos em ações de resposta ao HIV (Mark Dybul, do Fundo Global).

O dia também incluiu dois simpósios chave: um trouxe lideranças jovens na resposta global ao HIV e o outro focou em como um melhor envolvimento com a ciência do HIV pode melhorar o acesso ao tratamento.

A tarde também trouxe um simpósio sobre o HIV em trabalhadores do sexo, baseado em um trabalho do jornal médico “The Lancet”. Muitos outros paineis ainda discutiram temas como a promoção do bem-estar de pessoas com HIV através do consumo de água limpa, boas condições de higiene e saneamento; os prós e os contras dos avanços biomédicos e científicos nas tecnologias de prevenção do HIV; e o impacto das leis anti-gays entre os índices de HIV nos homens que fazem sexo com homens.

Durante a noite de terça, acontece também a vígilia para lembrar os 35 milhões de pessoas que morreram em decorrência do HIV ou da aids e também para celebrar os triunfos da ciência, medicina, política e das comunidades na luta contra o HIV e a aids. A vigilia esse ano tem ainda um significado extra por conta dos seis delegados mortos no desastre do vôo MH17.

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