Descaso com a saúde em Guarulhos: o Ministério Público e a Defensoria Pública devem ser acionados. Situação exige ação eficaz. Ativistas se posicionam

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A denúncia sobre a falta de atenção, consultas e acolhimento para as pessoas vivendo com HIV no município de Guarulhos, divulgada por esta Agência e outros veículos de comunicação, não é nova. Há mais de um ano, a população sofre com o descaso do poder público. Consultas para o próximo ano. Falta de especialistas para dar continuidade ao tratamento. A população tem se mobilizado como pode. Em abaixo-assinado, pacientes exigem contratação de médicos e o fim do caos na saúde do município. A denúncia com o descaso no atendimento às pessoas vivendo repercutiu no movimento social. Levar o caso ao Ministério Público e à Defensoria Civil. Ativistas se posicionam e exigem providências.

Em nota pública, o Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids – Mopaids, repudiou a situação.

“Agregamos instituições da sociedade civil e ativistas independentes, sem vinculações partidárias e em caráter voluntário. Vimos manifestar nossa preocupação e indignação com a saúde pública da cidade de Guarulhos/SP. Desde dezembro de 2024, recebemos informações e denúncias sobre a descontinuidade do atendimento às pessoas vivendo com HIV e aids no município, em especial no CTA de Guarulhos. No local, são atendidas pessoas com HIV, sífilis, hepatite e todos os tipos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Esta situação viola o direito à saúde integral e coloca em risco o controle das epidemias, bem como prejudica as pessoas já afetadas. Não é possível que, em 2025, nos deparemos com a descontinuidade no acompanhamento: exames, monitoramento, prescrições qualificadas e atendimento humanizado no terceiro maior arrecadador de impostos dentre os municípios do Estado de São Paulo. Deixar de renovar contratos ou prever contratações e concursos públicos é, no mínimo, falta de planejamento. O município já apresentou uma boa resposta, mas que ficou no passado. Esta situação também afeta os serviços da capital e das cidades do entorno, que passam a ser uma esperança para quem está sem atenção, mesmo com custos de deslocamento e sobrecarga nos demais serviços da região. Guarulhos precisa responder e respeitar seus habitantes. Lamentamos que os profissionais que permaneceram estejam sobrecarregados e sem poder atender com qualidade. Nos solidarizamos com as pessoas vivendo com HIV e atendidas neste serviço. Encaminhamos esta nota pública de cobrança à atual gestão para solução imediata. Hoje temos meios de conter a epidemia e garantir qualidade de vida para os afetados. É irresponsabilidade deixar de usar dessas ferramentas e insumos, com equipes qualificadas. O HIV e a aids permanecem presentes e o “silêncio representa morte!”. Que se tomem medidas imediatas”, diz o documento assinado por Eduardo Barbosa, coordenador do Mopaids.

Américo Nunes Neto – presidente do Instituto Vida Nova:

“A situação atual exige uma ação rápida e eficaz para garantir a qualidade do atendimento e a saúde dos pacientes. É fundamental trabalhar juntos para encontrar soluções sustentáveis e garantir a continuidade do serviço. Esta situação interfere na adesão ao tratamento, está indo na contramão da política de IST/Aids. Assim como política de incentivo para sociedade civil organizada que não acontece.  Além disso, é fundamental que as pessoas com HIV/aids tenham acesso ao acompanhamento médico regular: Para monitorar a carga viral e ajustar os medicamentos conforme necessário; apoio psicológico, para lidar com o estresse e a ansiedade relacionados à doença, assim como a educação em saúde, para entender melhor a doença e o tratamento e o acesso a medicamentos, para garantir a continuidade do tratamento.”

 

 

Emília Martins  – Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas:

“A falta de médicos efetivos é geral em Guarulhos. Nós não precisamos só de infectologistas, temos comorbidades decorrentes do tratamento e precisamos das especialidades também. Eles realizam ações, às vezes, com mutirão de médicos. Eles atendem, fazem receitas muitas vezes erradas e depois você não acha mais o médico. Vivenciamos maus atendimentos: existe a falta de compromisso de muitos profissionais, em geral. Toda essa situação tem prejudicado muito os pacientes com HIV, é claro, mas a população em geral sofre com a falta de médicos. Não tem cardiologista, neurologista, ortopedista, gastro, proctologista. Muitos dos que estavam bem, fazendo o tratamento, estão adoecendo em todos os sentidos, com a preocupação de não ter atendimento. Surtam, entram em depressão e chegam até a abandonar o tratamento. Essa situação precisa mudar com urgência!”

 

Claudio Pereira – Grupo de Incentivo à Vida:

No caso de Guarulhos, não estamos nos referindo a um município pequeno e desprovido de orçamento. Uma cidade do porte de Guarulhos tem condições para resolver essa questão rapidamente. Organizações civis ou pessoas físicas do município precisam pedir a instauração de procedimentos junto ao Ministério Público e a Defensoria Pública, além de levar a demanda ao legislativo municipal.”

 

 

 

José Roberto Pereira – presidente do Projeto Bem-Me-Quer:

“É impressionante como a segunda cidade mais populosa do estado de São Paulo fica há meses sem garantir cuidados especializados às PVHA da região. Falta de recursos não é, porque, segundo o IBGE, o PIB de Guarulhos em 2021 foi de aproximadamente R$ 77,37 bilhões, representando a terceira maior economia do estado de São Paulo e a décima do Brasil. A cidade de Guarulhos historicamente foi uma grande parceira da sociedade civil organizada, nos tempos da grande ONG Diet foi referência em cuidado integral e hoje é esse sucateamento dos serviços e do atendimento. É inaceitável que 11 mil pessoas vivendo com HIV/aids fiquem sem acompanhamento com infectologista. Curiosamente, o prefeito Lucas Sanches é filiado ao PL, o partido que jurou de pés juntos que, onde o PL governasse, tudo melhoraria muito. Volto a repetir: é estarrecedor saber que 11 mil pessoas com HIV/aids em Guarulhos estão vivendo em total abandono, sob o risco de adoecerem e até morrerem de algum agravo causado pela patologia.”

Redação da Agência de Notícias da Aids

Dicas  de entrevista:

Instituto Vida Nova
Tel.: (11) 2297-1516

Grupo de Incentivo à Vida
Tel.: (11) 5084-0255

Projeto Bem-Me-Quer
Tel.: (11) 3917-1513

E-mail: bemmequer@bemmequer.org.br

Movimento Nacional das Cidadãs Posithivass
Site: www.mncp.org.br

Mopaids
Site: www.mopaids.org.br

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