17/12/2014 – 19h
A deputada federal Manuela d’Ávila (PC do B) assina, nessa quarta-feira (17), artigo no “Jornal do Comércio” sobre a alta incidência de aids no Rio Grande do Sul – são quase 100 registros a cada 100 mil habitantes. Para ela, as causas vão de “insucesso políticas públicas a fatores culturais”. Leia o artigo na íntegra:
Banir velhos preconceitos é um dos desafios
São preocupantes os dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde, que revelam que Porto Alegre tem cinco vezes mais casos de aids do que a média nacional. São quase 100 registros a cada 100 mil habitantes. A cada 10 casos de Aids diagnosticados no Brasil, pelo menos um é no Rio Grande do Sul. Os fatores para esse resultado são múltiplos, vão desde o insucesso de políticas públicas na área até fatores culturais.
É fato que, hoje, o desconhecimento mata mais que a aids. A população precisa saber dos riscos que corre, como se prevenir e derrubar tabus. É uma questão multidisciplinar, que parte de estratégias educativas. Mas o preconceito é ainda uma grande barreira. Um exemplo recente foi o afastamento, em Parobé, de uma psicóloga e uma técnica de enfermagem, depois de proferirem palestra sobre sexualidade. Alguns segmentos da sociedade se sentiram ofendidos. Como vamos avançar se não falarmos no assunto? Toda e qualquer ação de prevenção precisa ser inclusiva, didática e honesta, e não pode ser pautada pelo conservadorismo ou pelos velhos preconceitos.
A aplicabilidade de recursos também faz parte do combate. O TCU já vem alertando desde 2012 a quase inexistência de aplicabilidade de recursos em prevenção na capital. As receitas e rendimentos naquele ano em programas de prevenção de DST/aids, sob administração da prefeitura, eram de R$ 2,03 milhões e, no dia 31 de dezembro do mesmo ano, quando o dinheiro deveria estar praticamente zerado, o saldo era de R$ 2,05 milhões. O que sugere que nada foi aplicado. O que vemos, dois anos depois, é esse quadro assustador.
Precisamos fazer com que nossos jovens, que não viram o pânico gerado pela doença no final dos anos 1980, saibam o risco que a aids representa. Cada vez mais jovens são infectados com a doença: enquanto, em 2004, foram registrados 9,6 soropositivos para cada 100 mil habitantes, em 2013, foram 12,7 casos, um aumento de 33%. Temos a obrigação de exigir campanhas eficientes de conscientização, sobretudo porque há recursos estaduais e federais para isso. Temos que lutar contra a bancada fundamentalista — e sempre o fiz no Congresso – – para que a cada passo não tenhamos um novo recuo. Precisamos resgatar o protagonismo nesta luta!



