04/06/2014 – 13h50
“Essa reunião marca um novo tempo. Depois de um ano aprisionada, essa comissão volta a cumprir papéis de extrema relevância para os direitos humanos”, disse a deputada Erika Kokay (PT-DF) (foto), em tom de desabafo, fazendo referência à saída do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, em fevereiro. Erika falou durante a 11ª edição do Seminário Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), na Câmara de Deputados, em Brasília, na tarde dessa terça-feira (3). Ela fez parte, com o deputado federal Jean Wyllys, Roseli Tardelli, diretora-executiva da Agência de Notícias da Aids, entre outros, de uma das duas mesas de discussões sobre o tema “Aids: Formas de Saber/Formas de Adoecer”.
O seminário aconteceu na mesma data em que a presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei 12984/14, que define crimes de discriminação aos portadores do HIV/aids, uma demanda de mais de uma década dos movimentos sociais que tratam do tema. “O parlamento é uma casa onde as pessoas podem trocar ideias. Encontros como esse servem para que políticas públicas e demandas da sociedade civil possam ser implementadas no Brasil”, afirmou Roseli Tardelli.
Uma vida positiva
O ator e bailarino Rafael Bolacha (29) participou do seminário para falar sobre o seu blog “Uma vida positiva” (umavidapositiva.com.br) e do livro de mesmo nome, da Editora Cidade Viva. Bolacha descobriu que tinha o vírus HIV aos 25 anos e contou aos deputados, cientistas e especialistas presentes na mesa que resolveu começar a escrever porque não encontrou literatura acessível para os jovens portadores do vírus. “Esse encontro faz com que o assunto circule e esse é nosso foco”, disse (veja o vídeo).
Beijinho no ombro para o preconceito
A campanha “Beijinho no ombro, camisinha no bolso”, estrelada pela musa do funk Valesca Popozuda, durante o último Carnaval, foi apresentada no seminário como exemplo de novas formas de se comunicar ao falar da prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST).
O coordenador da campanha, Carlos Tufveson, da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual do Rio e Janeiro (Ceds), disse que a iniciativa ganhou as ruas porque estabeleceu uma relação direta entre as pessoas. Artistas, personalidades, empresários, jovens, casais e grupos familiares participaram das gravações e mandaram um alerta para o crescimento do comportamento de risco e a importância da prevenção contra DST. (veja a campanha)
Aids e a Copa
Roseli Tardelli (foto a direita) anunciou como a Agência de Notícias da Aids vai trabalhar na promoção de discussões sobre o tema durante a Copa do Mundo. Toda vez que o Brasil entrar em campo, a agência publicará indicadores sobre a situação da aids nos países que disputam a partida. “Nós precisamos romper esse estado de acomodação na sociedade, a gente tem de ganhar essa pauta novamente, gerando notícia e informação”, ressaltou Tardelli.
Falta política púbica na prevenção
Dois especialistas sobre a questão da aids integraram as mesas no Seminário. Richard Parker, presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), advertiu que “não existe avanço sem o esforço político”. Valdiléa Gonçalves dos Santos, médica infectologista da Fiocruz, destacou que foram muitos os avanços científicos alcançados no combate ao vírus HIV. “Por mais que avance (a ciência), é clara a necessidade de se atuar em outras dimensões. É preciso voltar a politizar a questão da aids”, concordou.
A assessora de Direitos Humanos das Nações Unidas, Ângela Pires Terto, falou sobre a importância de o Brasil cumprir os diversos tratados internacionais dos quais é signatário com relação aos direitos humanos. Ela também apresentou uma pesquisa feita em cinco regiões do mundo que mostra como a descriminalização interfere no número de infectados pelo HIV. A pesquisa está publicada no HotSite HIV andthe Law (www.hivlawcommission.org)
Leticia Leite, especial para Agência de Notícias da Aids


