Dengue: Quem pode tomar a vacina no SUS em 2025? Infectologista Álvaro Furtado alerta sobre avaliação individual para pessoas vivendo com HIV

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O Ministério da Saúde anunciou a aquisição de 9,5 milhões de doses da vacina contra a dengue Qdenga, desenvolvida pela farmacêutica Takeda, para 2025. Embora a vacina tenha papel relevante no combate à doença, ela não é a principal ferramenta para controlar a dengue. Por conta da disponibilidade limitada, o imunizante está sendo oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apenas para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, grupo que concentra grande parte das hospitalizações pela doença após os idosos.

A vacina Qdenga, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pode ser administrada em pessoas de 4 a 59 anos na rede privada, mas ainda não foi avaliada em indivíduos acima de 60 anos. Com um esquema de duas doses, a vacina é indicada tanto para quem já teve dengue quanto para quem nunca foi infectado. Entretanto, está contraindicada para gestantes, lactantes, pessoas imunossuprimidas e quem tem alergia a seus componentes.

Vacinação em pessoas vivendo com HIV/aids

Uma das dúvidas recorrentes é sobre a aplicação da vacina em pessoas vivendo com HIV/aids. O infectologista Dr. Álvaro Furtado, do Hospital das Clínicas de São Paulo e do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids, destacou em suas redes sociais que a vacina é uma ferramenta valiosa, mas deve ser avaliada caso a caso.

“A Qdenga é uma vacina tetravalente atenuada contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. No entanto, não há estudos específicos sobre sua aplicação em populações imunossuprimidas, como pessoas vivendo com HIV. Por isso, a recomendação é que o médico avalie individualmente a saúde de cada paciente”, explica o especialista.

Dr. Álvaro orienta que pacientes com HIV devem considerar os seguintes fatores:

– CD4 acima de 350: Se o paciente está com carga viral indetectável e a contagem de células CD4 está acima de 350, a vacina pode ser uma opção viável.

– Imunossupressão grave: Para indivíduos com imunossupressão severa ou sem controle adequado da terapia antirretroviral, a vacina é desaconselhada devido ao risco de complicações.

“No caso de pessoas com imunossupressão grave, como aquelas sem controle adequado da terapia antirretroviral, pode ser recomendável evitar a vacina, pois ela pode apresentar riscos em determinados cenários para pacientes específicos”, alerta.

O infectologista reforça a importância do uso de repelentes como estratégia complementar no combate ao vetor da dengue.

A situação da dengue no Brasil

O Brasil enfrenta um aumento alarmante nos casos de dengue. Em 2024, foram registrados 6,6 milhões de casos e 5 mil mortes pela doença. Em 2025, até o momento, o Ministério da Saúde confirmou 4 mortes e investiga outros 62 óbitos suspeitos. O estado de São Paulo concentra a maioria dos casos, com mais de 29 mil notificações até janeiro.

Cuidados preventivos

Embora a vacinação seja uma ferramenta importante, a principal estratégia contra a dengue continua sendo a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. Pneus, garrafas, pratos de plantas e outros reservatórios de água parada devem ser descartados ou mantidos cobertos.

Redação da Agência de Notícias da Aids

Dica de entrevista

@dr.alvarocosta

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