Delegação de São Paulo destaca debates mais interessantes da Aids 2014

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24/07/2014 – 13h

Cura, novas tecnologias, estratégias de prevenção e testagem, assistência e criminalização. Esses são os temas que a delegação de São Paulo tem acompanhado na 20ª Conferência Internacional de Aids, na Austrália. O evento termina nessa sexta-feira (25) e a turma já planeja um encontro para discutir o que chama de ecos de Melbourne.

Segundo a coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Eliana Gutierrez, os debates que mais têm chamado sua atenção são os que abordam a aids em populações-chave. “Mesmo nos países onde a epidemia é generalizada, ela cresce principalmente nas populações-chave. O mundo concorda, por exemplo, que temos de focar na prevenção para evitar novas infecções do HIV entre homens que fazem sexo com homens (HSH)”, explica Eliana. “E o que me assusta é nessa conferência é a questão do aumento da criminalização de determinadas práticas sexuais e dos profissionais do sexo.”

A médica Caritas Basso, responsável pela área de assistência do Programa Municipal de São Paulo, acompanha rodas de conversas sobre tratamento como prevenção e cura do HIV. “Acredito que o Brasil está no caminho para replicar o tratamento como prevenção. Temos uma rede de saúde bem estruturada, apesar de algumas dificuldades de acesso. Precisamos fazer com que isso chegue nas populações mais vulneráveis, que não estão nos nossos serviços. Por aqui aprendi muito. Mesmo com todas as dificuldades, o Brasil está à frente em muitos pontos, principalmente quando o tema é a criminalização.”

Ana Lúcia, responsável pela área de prevenção do HIV no município, participa de workshops voltados para a qualidade da prevenção. “Em São Paulo, a Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas (PCAP) revelou que de cada 10 paulistanos apenas 5 usaram camisinha na última relação. A prevenção no cotidiano envolve tecnologias menos complexas, mesmo assim nem todos acessam”, diz Ana Lúcia. Para ela, é preciso mais investimentos, principalmente nas ferramentas virtuais como estratégia de prevenção, para se avançar na luta contra as aids.

O responsável pela interlocução com a sociedade civil no Programa Municipal, Marcos Blum, diz que não viu novidades neste evento. “A conferência está focada no leste asiático e na África Subsaariana. São locais que estão vivendo momentos anteriores ao Brasil.”

Entre o que aprendeu em Melbourne, Marcos destaca um projeto de Nova Guiné. “Neste país asiático eles trabalham parcerias público/privada e ONGs. Por exemplo, os postos de gasolina distribuem de forma gratuita preservativos. Essa é uma ação de prevenção primária, atinge uma população que não está nos serviços, como os caminhoneiros.”

Representando o Movimento Paulistano de Luta Contra Aids (Mopaids), Américo Nunes acompanha debates relacionados á articulação da sociedade civil e governo. “Vi muitas coisas, mas estou cada vez mais interessado nas discussões sobre o fim da aids. Tenho expectativas em relação a cura e percebi que tudo está pautado numa agenda de 2020, 2030, não só em termos das novas tecnologias de prevenção, mais em relação à assistência”, relata.
Américo conta que viu poucas pesquisas sobre comportamento. “A gente também precisa ter estudos que compõem as ações de prevenção. Não só a medicalização, mas outros fatores.”

O aumento da epidemia na terceira idade também chamou atenção do militante. “Dentro da escala epidemiológica para 2020, o índice de pessoas infectadas com HIV está em 75% nas pessoas de terceira idade. Há países pensando em estratégias de prevenção para esse público.”

As infectologistas Mylva Fonsi, do Programa Estadual de DST/Aids, e Rosana Del Bianco, do Programa Municipal, têm idos aos debates sobre tratamento com prevenção e sobre a cura.

“Não há novidades em relação à profilaxia pré-exposição (PreP), mas vejo que no Brasil o tema é mais médico. Aqui, o debate é relacionado à nova tecnologia como instrumento de prevenção”, disse Mylva.

A médica pede cautela com a PreP. “As pessoas que aderem à PreP são as que menos aderem ao preservativo e vice versa. Então, a PreP é mais uma estratégia.”

Já Rosana acompanha debates sobre população marginalizada. “Vi uma excelente apresentação sobre redução de danos no Vietnã. Também acompanhei debates sobre o porquê de não termos chegado à cura. Vi boas mesas sobre tuberculose e HIV, epidemia de aids entre trabalhadores do sexo. Este é um congresso multiprofissional”, disse Rosana.

Talita Martins, de Melbourne (Austrália)

A Agência de Notícias da Aids cobre a Conferência na Austrália com o apoio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais e do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo

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