Debate sobre o atual momento de aids no mundo marca o segundo dia da 20ª Conferência Internacional de Aids

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

21/07/2014 – 00h05

"Onde Estamos Agora? " Está foi a pergunta do painel que iniciou o segundo dia da 20ª Conferência Internacional de Aids, em Melbourne, na Austrália. Com o objetivo de localizar o atual momento do enfrentamento da aids, através da análise de três linhas: estado da arte na epidemiologia e acesso, das pessoas que vivem com a aids e dos estudos e possibilidades de cura, o debate reuniu mais de mil pessoas no auditório principal do Melbourne Center.

Na abertura, o presidente das Ilhas Fijii, Epeli Nailatikau iniciou o painel apresentando os oradores e incluindo um ponto a mais na discussão. "Além de perguntar onde nós estamos, penso que poderíamos também nos perguntar onde queremos chegar", declarou.

O primeiro a falar foi Salim Abdool Karim, diretor para o Centro para o Programa de Pesquisa em Aids da África do Sul, que também é presidente do Departamento de Saúde Reprodutiva e Pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS). Salim fez um balanço da história da aids, desde os primeis casos em 1981 e destacou o número pessoas que vivem com HIV no mundo (35 milhões), bem como o número de mortes (3 milhões e meio) e novas infecções (2,1 milhões). “Os maiores casos estão em países do continente africano”, relembrou. Ao apresentar a lista dos 20 países com maior incidência chamou a atenção para sua localização em países em desenvolvimento, sobretudo os africanos e a Índia, além do Brasil que ocupa o 15º lugar.

Para Salim, a presença do HIV entre homens que fazem sexo com homens é sentida em todo o mundo, com forte destaque nos países africanos, variando desde 6% dos casos no Egito a 31% na África do Sul.

Sobre a transmissão do HIV a partir do uso de drogas injetáveis, o destaque global está no Paquistão, enquanto a África do Sul assiste ao crescimento entre meninas jovens de 15 a 21 anos ( quase um quarto das meninas desta idade estão infectadas). “A chave para fim da aids está na busca de estratégias para uma epidemia controlada, envolvendo trabalhos direcionados as populações mais atingidas, a diminuição de doenças oportunistas e redução do estigma.”

A ativista Lydia Mungherera de Uganda deixou os slides de lado e resolveu falar a plenária com o “coração". Contou um pouco de sua história como médica que vive com aids há muitos anos e seu trabalho que ganhou amplitude através da Rede de Pessoas que Vivem com HIV/Aids.

Algumas das realizações de Lydia a incluem como co-fundadora da "Uganda Cares", um centro de tratamento na clínica de Masaka, que oferece medicamentos antirretrovirais gratuitos a pessoas vivendo com o HIV. Lydia fundou, em 2003, um grupo de apoio psicossocial às mães positivas, o "Mamas Club". O grupo atualmente tem inscritos 50 mães com o objetivo principal a troca de experiências, mutuo apoio e geração de renda. Sob aplausos pediu a todos que não desistam da busca de um mundo melhor com garantia de saúde a todos os que precisam. .

O painel encerrou com a Jintanat Ananworanich, pediatra e imunologista com experiência na medicina de HIV e ensaios clínicos em adultos e crianças. Sua pesquisa abrange uma gama de tópicos, incluindo patogênese do HIV, tratamento antirretroviral, neuro aids e a cura do HIV. É autora de mais de 175 publicações revisadas por pares sobre o HIV. A médica fez um relato de casos de estudos em andamento e encerrou apresentando um vídeo de 20 minutos com depoimentos de pacientes que esperam a cura.

Liandro Lindner, de Melbourne (Austrália)

A Agência de Notícias da Aids cobre a Conferência na Austrália com o apoio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais e do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo

Apoios