02/12/2014 – 14h30
Pesquisadores, cientistas, ativistas e profissionais de saúde se reuniram nessa segunda-feira (1º) para discutir soluções para o combate à aids no Brasil. O evento “Tribuna Livre: Combate à Aids no Brasil, o que precisa mudar?” foi promovido pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (DMP-FMUSP), pelo Núcleo de Estudos para a Prevenção da Aids (Nepaids) e pelo Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp). Em torno de 60 pessoas participaram dele.
Alguns pontos apresentados para discussão foram: reformular e aperfeiçoar o sistema de vigilância; aumentar a transparência na geração e divulgação dos dados; gerar consensos sobre tendência da infecção e da mortalidade; conhecer a epidemia entre heterossexuais; conhecer o itinerário da morte por aids; desenvolver estudos sobre cenários e impactos das novas tecnologias na redução da epidemia; e protagonismo das novas gerações. Um documento será produzido com as diretrizes levantadas durante o evento.
Para Mário Scheffer, professor do DMP-FMUSP, a intenção foi promover um debate aberto sobre o que precisa mudar no enfrentamento à epidemia. “O objetivo é reunir especialistas e pesquisadores centrais da luta contra a aids, especialmente os dados da epidemia, prevenção, qualidade da assistência, tratamento com antirretrovirais, e, a partir daí, não só fazer um diagnóstico da situação atual, mas também apresentar propostas sobre o que o Brasil pode avançar nesses tópicos e também rotas que precisam ser corrigidas. Muitos de nós não concordamos com as políticas e as condutas atuais.”
“Estamos velhos não só de idade. A resposta desse país à epidemia é velha. A gente não tem feito nada além de apontar que os jovens estão hoje muito mais vulneráveis. Mas, de fato, a gente não conseguiu sair de apontar, de identificar o problema de maneira inconsistente”, afirmou no debate a médica Maria Amélia Veras, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Segundo Vera Paiva, do Instituto de Psicologia da USP, a ausência de um programa de prevenção aumenta a vulnerabilidade. “O que vemos sistematicamente é a juventude abandonada, negligenciada nas escolas e onde quer que seja no programa de prevenção. A vulnerabilidade programática e política, pra mim, é a resposta, e entender como é que se produz isso também é um saber diferente do saber epidemiológico.”
De acordo com o doutor em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela FMUSP, Aluísio Segurado, as diferenças regionais são importantes e não devem ser menosprezadas. “A epidemia brasileira não pode ser entendida como uma única epidemia. Há um mosaico de epidemias acontecendo em diferentes regiões do país e, por, vezes, na mesma região. As estratégias de intervenção têm de ser voltadas a cada uma dessas situações e a cada um desses grupos que estão necessitando da mesma intervenção.”
Ao término das apresentações dos especialistas foi aberto um debate. Nele, foram questionados a qualidade dos testes rápidos e o discurso de prevenção baseado no uso de preservativos. O debate também contou com a participação de internautas através das redes sociais e foi transmitido ao vivo pela internet.
Leandro Fonseca, repórter colaborador da Agência de Notícias da Aids



