Da PrEP ao acesso desigual: como Inglaterra, Gana, Panamá e Croácia enfrentam o HIV

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O Grupo L da Copa do Mundo é formado por Inglaterra, Gana, Panamá e Croácia, quatro seleções que chegam ao Mundial com diferentes trajetórias no futebol e também em seus cenários de saúde pública. Após a primeira rodada, Inglaterra e Gana dividem a liderança da chave, com três pontos cada.

Dentro e fora dos gramados, os países apresentam realidades distintas no enfrentamento ao HIV, que vão de programas avançados de prevenção e tratamento a desafios relacionados ao acesso à saúde, desigualdades sociais e estigma.

Inglaterra amplia prevenção, mas desigualdades permanecem

A Inglaterra tem avançado significativamente na resposta ao HIV, alcançando as metas globais “95-95-95” estabelecidas pelo Unaids. De acordo com o relatório oficial “HIV Action Plan Monitoring and Evaluation”, divulgado pelo governo inglês, 95% das pessoas vivendo com HIV no país conhecem seu diagnóstico, 95% das diagnosticadas estão em tratamento antirretroviral e 98% das pessoas em tratamento apresentam supressão viral.

Em 2024, cerca de 114 mil pessoas viviam com HIV no território inglês. Apesar dos avanços, aproximadamente 6 mil pessoas ainda não tinham conhecimento da infecção. Os novos diagnósticos caíram 6% entre 2023 e 2024, mas as desigualdades continuam presentes: enquanto houve redução entre homens gays e bissexuais brancos, os casos aumentaram entre homens gays e bissexuais negros.

O país também se destaca pela oferta de prevenção combinada. A PrEP passou a ser disponibilizada gratuitamente pelo sistema público de saúde inglês, o NHS, em 2020, após um programa experimental iniciado em 2017. O governo anunciou ainda investimentos para ampliar testagem, campanhas de prevenção, distribuição da profilaxia e estratégias de combate ao estigma.

Croácia mantém baixa taxa de HIV com foco em diagnóstico e tratamento

A Croácia possui uma das menores taxas de HIV do sudeste europeu. De acordo com dados do Unaids, cerca de 1.800 pessoas vivem com HIV no país, sendo que 86% conhecem seu estado sorológico, 98% estão em tratamento e 98% apresentam supressão viral. Em 2024, foram registrados aproximadamente 120 novos diagnósticos.

A epidemia croata está concentrada principalmente entre homens que fazem sexo com homens (HSH), grupo que representa cerca de 75% das novas infecções. Desde 2010, o país mantém serviços de testagem gratuita e, nos últimos anos, ampliou o acesso à PrEP, que passou a ser utilizada regularmente por cerca de mil pessoas em 2024.

A trajetória do país também é marcada pela consolidação do acesso ao tratamento antirretroviral gratuito e por políticas de prevenção baseadas no sistema público de saúde. A Croácia registrou seu primeiro caso oficial de HIV em 1985 e, até 2024, notificou cerca de 2,3 mil casos acumulados.

Gana enfrenta queda nos casos, mas convive com barreiras sociais

Em Gana, estima-se que 330 mil pessoas vivem com HIV. O país registrou cerca de 15 mil novas infecções em 2024, mantendo uma tendência de redução em comparação com anos anteriores. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam uma queda de 38% nos novos casos desde 2010.

A transmissão sexual continua sendo a principal via de exposição ao vírus, e a prevalência entre pessoas de 15 a 49 anos é estimada em 1,5%. Desde 2008, o país mantém parceria com o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) para monitoramento da epidemia e fortalecimento das ações de saúde.

Em 2016, Gana aprovou uma legislação que criminaliza a discriminação contra pessoas vivendo com HIV, proibindo práticas como demissão, recusa de emprego e divulgação do status sorológico sem consentimento. Entretanto, o país enfrenta críticas por suas políticas contra a população LGBTQIA+, com leis que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo e podem dificultar o acesso à prevenção e ao cuidado em saúde.

Panamá tem desafios concentrados em populações vulneráveis

No Panamá, cerca de 31 mil pessoas vivem com HIV, segundo dados do Unaids. Em 2024, o país registrou aproximadamente 1.500 novas infecções, com uma prevalência de 0,7% entre adultos de 15 a 49 anos. Entre homens que fazem sexo com homens, a prevalência chega a 1,8%.

Um dos principais desafios panamenhos está na desigualdade de acesso aos serviços de saúde. A população indígena, especialmente no território de Ngäbe-Buglé, é uma das mais afetadas pela epidemia. A região concentra dificuldades relacionadas à pobreza, distância dos centros urbanos e limitações na oferta de tratamento e prevenção.

O território possui uma das maiores taxas de impacto da epidemia no país: apesar de representar apenas uma parcela pequena da população panamenha, responde por uma proporção significativa das mortes relacionadas à Aids entre pessoas jovens. O acesso à PrEP também permanece restrito, sendo oferecida gratuitamente apenas em algumas cidades.

No Mundial, as quatro seleções disputam pontos dentro de campo, mas também representam realidades distintas na busca por prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e redução do estigma relacionado ao HIV.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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