Teatro, cinema, oficinas, debates e apresentações culturais transformam o espaço comunitário da Conferência Internacional de Aids em um roteiro de experiências que vai muito além da programação científica
Depois da cerimônia oficial de abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, marcada para domingo (26), será a vez de a Aldeia Global (Global Village) abrir suas portas. A partir de segunda-feira (27), o espaço comunitário da Aids 2026 convida participantes de diferentes partes do mundo a conhecer uma programação que traduz, por meio da arte, da cultura e do ativismo, os principais desafios da resposta ao HIV na atualidade.
Ao longo de quatro dias, o visitante poderá escolher entre dezenas de peças de teatro, filmes, oficinas, apresentações culturais e rodas de conversa que abordam temas como criminalização, redução de danos, financiamento da resposta global, chemsex, juventudes, inteligência artificial, novas tecnologias de prevenção, trabalho sexual, pessoas trans, saúde mental, envelhecimento e busca pela cura do HIV.
Mais do que um espaço paralelo à programação científica, a Aldeia Global é tradicionalmente o ponto de encontro das comunidades. É ali que experiências locais dialogam com pesquisas internacionais e que a ciência encontra as histórias de quem vive diariamente os impactos da epidemia.
O combate ao estigma abre a programação
A abertura da Aldeia Global já evidencia a diversidade de linguagens que ocuparão o espaço durante toda a semana.

Um dos primeiros destaques será “HIV no Tribunal”, espetáculo apresentado pelo Instituto Cultural Barong, que utiliza o teatro para provocar reflexões sobre o estigma e a criminalização do HIV.
Ao longo do dia, a programação passa por alguns dos temas mais urgentes da resposta global, como o financiamento internacional para o enfrentamento da epidemia, os desafios relacionados ao chemsex e aos direitos humanos na América Latina, a sustentabilidade das políticas de redução de danos e o protagonismo das juventudes na prevenção com PrEP.
O cinema também marca presença logo no primeiro dia, com produções como A Rota Migratória da Aids, O Último Presente: A Coragem de Jim, Nossa Esperança e O Legado da Resistência, que apresentam diferentes perspectivas sobre a epidemia em diversas partes do mundo.
Diversidade, moda e novas formas de prevenção
A terça-feira (28) coloca em evidência o protagonismo das populações mais afetadas pelo HIV.
As atividades discutem inclusão de pessoas vivendo com HIV e com deficiência, liderança comunitária, direitos das crianças que vivem com HIV, trabalho sexual, produção de conteúdo digital para ampliar o acesso à PrEP e estratégias voltadas às novas gerações.
Um dos momentos mais aguardados da programação cultural será o desfile da DASPU, iniciativa que transformou a moda em instrumento de mobilização pelos direitos das profissionais do sexo.
Também merece destaque a sessão “Três vozes, muitas vozes: o apelo pelo acesso ao lenacapavir”, que discute um dos medicamentos mais promissores para ampliar a prevenção ao HIV em escala global.

Entre as exibições de cinema está “HIV e Aids suas histórias: 20 anos do Global Village”, documentário produzido pela Agência de Notícias da Aids, em parceria com o Sesc São Paulo. O filme revisita a trajetória da Aldeia Global ao longo de duas décadas, resgatando memórias, personagens e momentos que marcaram um dos espaços mais simbólicos da Conferência Internacional de Aids. A exibição ganha um significado especial por acontecer justamente na edição realizada no Brasil.
Ciência, inovação e comunidades no mesmo palco
A programação da quarta-feira aproxima ainda mais os debates científicos da realidade das comunidades.
Questões relacionadas à inteligência artificial, ao aprendizado de máquina, à pesquisa para a cura do HIV e ao futuro das políticas globais de saúde dividem espaço com discussões sobre liderança comunitária, redução do estigma, maternidade, direitos das pessoas migrantes e participação social.
A sessão que celebra os 10 anos da campanha U=U (Indetectável=Intransmissível) na América Latina e no Caribe é um dos destaques do dia, ao lado de debates sobre o desenvolvimento de vacinas e iniciativas voltadas ao fortalecimento da resposta comunitária.
As atividades culturais continuam reunindo filmes e apresentações que abordam longevidade, trabalho sexual, imigração e experiências de resistência em diferentes países.
Juventudes e o futuro da resposta ao HIV
No último dia, a Aldeia Global olha para os próximos desafios da epidemia.
Entre os destaques estão o lançamento do Guia de Boas Práticas na Descriminalização do HIV, debates sobre o papel das vacinas na era dos medicamentos injetáveis de longa duração e atividades voltadas ao fortalecimento das respostas lideradas pelas comunidades caribenhas.
A programação também reúne oficinas sobre saúde mental, adesão ao tratamento, prevenção para jovens e apoio entre pares.
No palco e nas telas, o público encontrará produções que abordam experiências de jovens vivendo com HIV, comunidades amazônicas, pessoas surdas e iniciativas que utilizam diferentes linguagens para combater a desinformação e ampliar o acesso à prevenção.
Um roteiro para viver a Conferência além das salas científicas
Quem visitar a Aldeia Global encontrará muito mais do que uma programação cultural. Cada peça, filme, oficina ou debate foi pensado para ampliar discussões que também atravessam a programação científica da Aids 2026, mas sob a perspectiva das pessoas vivendo com HIV, das organizações comunitárias e dos movimentos sociais.
Entre teatro, moda, cinema, música e inovação, a Aldeia Global reafirma uma das marcas históricas da Conferência Internacional de Aids: lembrar que a resposta à epidemia não se constrói apenas nos laboratórios ou nas salas de congresso, mas também nas ruas, nos coletivos, nas comunidades e nos espaços onde cultura, direitos humanos e ciência caminham lado a lado.
Confira a programação na íntegra.
Redação da Agência de Notícias da Aids



