CROI 2025: Estudo revela que estatinas podem proteger o coração de pessoas vivendo com HIV para além da redução do colesterol

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

O uso de estatinas pode reduzir significativamente o risco cardiovascular em pessoas vivendo com HIV, indo além da diminuição do colesterol e atuando na redução da placa coronária e da inflamação. Essa foi a principal conclusão apresentada pelo professor Steven Grinspoon na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI 2025), realizada em São Francisco, no começo de março.

Os resultados são parte de um subestudo do estudo internacional REPRIEVE, que demonstrou que o uso diário de pitavastatina pode reduzir em 36% o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC, em pessoas vivendo com HIV e consideradas de baixo a moderado risco para doenças do coração.

Benefícios para pessoas com placa coronária preexistente

O subestudo analisou 804 participantes nos Estados Unidos e evidenciou que aqueles com placa coronária preexistente tiveram um benefício ainda maior com o tratamento preventivo com pitavastatina.

As placas não calcificadas se formam nas artérias antes do surgimento de sintomas como angina e insuficiência cardíaca e podem se romper, provocando coágulos sanguíneos e eventos cardiovasculares graves. O tratamento com estatinas ajuda a estabilizar essas placas e, eventualmente, reduzi-las.

No estudo, 40% dos participantes apresentavam placas não calcificadas no início da pesquisa. Esses indivíduos tiveram 2,5 vezes mais chances de sofrer um evento cardiovascular maior ao longo de cinco anos.

Inflamação e risco cardiovascular

Os pesquisadores também investigaram a relação entre inflamação e risco cardiovascular, avaliando marcadores como a troponina de alta sensibilidade (hs-cTnT), usada para detectar danos no músculo cardíaco. Mesmo em níveis baixos, a presença dessa proteína foi associada à presença de placa coronária subclínica.

O impacto da pitavastatina também foi maior em participantes com níveis elevados de hs-cTnT e outros marcadores inflamatórios, como hs-CRP e IL-6. Esses indivíduos apresentaram maior risco de eventos cardiovasculares ao longo do estudo, e o tratamento com estatinas mostrou uma tendência à redução desse risco, ainda que sem significância estatística.

Novos caminhos para prevenção cardiovascular em pessoas com HIV

Os achados reforçam que a pitavastatina pode ser uma estratégia fundamental para a prevenção de doenças cardiovasculares em pessoas vivendo com HIV. O professor Grinspoon destacou que mais pesquisas são necessárias para entender se a combinação de biomarcadores pode ajudar a identificar precocemente quais indivíduos podem se beneficiar mais desse tratamento preventivo.

Com os avanços nas terapias antirretrovirais e o aumento da expectativa de vida de pessoas vivendo com HIV, a prevenção de doenças cardiovasculares se torna cada vez mais essencial para garantir qualidade de vida a longo prazo.

Redação da Agência de Notícias da Aids com informações do AidsMap

Apoios