Crise na Saúde em Guarulhos: integrante do Conselho Municipal de Saúde esclarece que os infectologistas contratados não cumprem as 154 horas necessárias para garantir o atendimento adequado às pessoas que vivem com HIV/aids no município

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Marcelo Marchi que nasceu em Guarulhos e reside no município tem 62 anos.Ele diz  que Guarulhos é uma cidade tranquila para  se viver. “Nós não temos  índices  alarmantes  de violência que acontecem em outros lugares”. Comenta ainda  que o fato do município  ter um Aeroporto Internacional e  oferecer hotéis qualificados, torna a cidade hospitaleira. Marcelo  tem formação em organização de eventos. Optou por trabalhar com saúde depois de entrar nos Conselhos de Gestores Municipais. Prestou concurso, trabalha na Divisão de Vigilância Sanitária do município e integra o Conselho Municipal de Saúde. Entre os dois mandatos é conselheiro há seis anos  trabalhando para contribuir com a melhoria no atendimento  de saúde das pessoas que vivem por lá. 

O que são os Conselhos de Saúde; integrantes debatem o situação de Guarulhos

Os conselhos municipais de saúde são órgãos colegiados e permanentes criados para a formulação, implementação e controle social da política de saúde no município. A criação legal e oficial dos conselhos foi dada com a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Sua função é garantir a participação da sociedade civil (usuários, trabalhadores da saúde, gestores e gestores de serviço) nas decisões e fiscalizar a execução de ações e a gestão dos recursos de saúde do municípios em todo o território nacional.

Em reunião com membros do Conselho Municipal de Saúde  de Guarulhos que aconteceu nesta quinta-feira( 28/08)  com a participação de integrantes, a Comissão Intersetorial  de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora, a CISTT, debateu o tema que tem ocupado telejornais , portais e causado indignação entre ativistas do movimento social de luta contra a Aids. Assessores da gestão da saúde afirmaram que  a diminuição da carga horária de trabalho dos infectologistas de 154  para 58 horas  acontece pela “falta de demanda em consultas”.  Argumento que foi  imediatamente  contestado  pelo conselheiro que conversou com  esta Agência. “ A informação não corresponde a realidade. Os fatos mostram que a situação é grave e as cargas horárias dos médicos precisam ser revistas”. Ele explica que  no SAE Carlos Cruz, também houve diminuição do horário de trabalho de 72 para 52 horas. “Tudo isso traz  consequências negativas para o usuário. Este SAE é referência para o Alto Tietê e atende cidades como Arujá e Santa Isabel .Assim como o AME PRÓ TRANS que  é referência e não tem psiquiatras e endocrinologistas” 

“Época em que Guarulhos foi referência no tratamento de HIV/aids”

 “Eu sou de uma época em que a minha cidade era referência no tratamento de HIV/Aids . Este tempo acabou. Uma conquista que foi jogada fora. Houve um desmonte na última gestão do prefeito  Gustavo Henrique da Costa e na administração atual do prefeito Lucas Sanches os problemas cresceram. Em conversas nas reuniões dos Conselhos Gestores ficamos sabendo que  tem aumentado o número de casos de aids em estágio avançado. Será que isso não está acontecendo porque as pessoas  não tem acesso a mais consultas?  Será que as pessoas não tem abandonado tratamento pela dificuldade em ser atendidas em consultas e ter novas receitas para pegar medicamentos?  O município precisa de respostas rápidas e objetivas  para estas questões todas. Estamos preocupados e incomodados com tudo isso que vem acontecendo”.

Carga de trabalho que deveria ser de 154 horas, na prática são 58 horas

 Marcelo   seguiu  e trouxe mais  esclarecimentos :“ Quero explicar que de 154 horas mensais de trabalho de infectologistas contratos para atuar no CTA houve uma redução significativa. Atualmente os profissionais trabalham apenas 58 horas semanais. Isso trás um represamento de consultas,  o que significa que  na prática as pessoas que são assistidas pelo CTA  não conseguem seguir o tratamento adiante. O bom resultado para a eficácia do tratamento de uma pessoa vivendo com HIV é adesão a medicação, consultas e acolhimento . Também  o aconselhamento com os médicos é fundamental, para tirar  dúvidas, ter orientações e estratégias de atuação na relação que se estabelece entre o profissional e o paciente. A importância do vínculo é comprovada faz tempo.  O acolhimento e aconselhamento não tem acontecido pela falta de profissionais. Alguns pacientes tem tido dificuldade em seguir seu tratamento pela falta de orientação e apoio do médico. Entre os 11 mil pacientes atendidos pelo nosso município,’muitos tem sífilis, outros a co-infecção tuberculose e HIV, Hepatites.  Eles não têm sido orientados adequadamente. Temos uma infecto concursada, temos um clínico geral e mais três infectologistas que não atendem em período integral”.

Em nota oficial , prefeitura dá sua versão

“A Prefeitura de Guarulhos esclarece que, em atenção aos questionamentos apresentados sobre as unidades CTA e SAE, contamos com 5 profissionais médicos infectologistas atuando de forma contínua na assistência aos pacientes.

Os que passam por acompanhamento regular são atendidos conforme agendamento e prioridade clínica de cada caso por médicos e demais integrantes da equipe multiprofissional (Enfermagem, Psicologia, Farmácia e Serviço Social).

Ressaltamos ainda que os pacientes novos ou casos graves são acolhidos imediatamente pela equipe multiprofissional e encaminhados para atendimento médico prioritário.Atualmente, conforme registros do Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM), a unidade realiza a dispensação de medicamentos para aproximadamente 3.506 pacientes.”

A nota foi enviada a Agência Aids uma semana e um dia depois de termos solicitado uma posição oficial por parte dos gestores responsáveis pela administração da saúde no município.

Comparando a nota oficial enviada pela Prefeitura de Guarulhos e informações que o conselheiro trouxe a esta Agência, existem questões a serem esclarecidas: 

1 – A prefeitura informou que conta com 5 profissionais médicos infectologistas que atuam de forma contínua na assistência aos pacientes. O conselheiro disse  que  na prática os infectos trabalham 58 horas. A gestão considera 58 horas  a forma contínua, correta e suficiente de atendimento?

2 – A gestão informou que casos graves são acolhidos imediatamente pela equipe multidisciplinar.  O conselheiro comentou  que acolhimento e aconselhamento não tem acontecido pela falta de profissionais. Qual é a real situação  em relação aos atendimentos ?

3 – A prefeitura  explicou que novos casos, ou casos graves  tem recebido tratamento imediatamente. O conselheiro deixou claro que a falta  de atendimentos discutidas  em conversas nas reuniões dos Conselhos Gestores  revelam  que  têm aumentado o número de casos de Aids em estágio avançado.  Se os casos tem sido acolhidos imediatamente por que tem aumentado as situações de Aids em estágio avançado na cidade de Guarulhos?

4 – Através de Ofício, o CRT Aids de São Paulo solicitou uma reunião com o Secretário de Saúde. A reunião foi marcada, e depois  desmarcada pela pasta.Quando o Secretário de Saúde  do Município de Guarulhos pretende agendar a reunião com os qualificados técnicos do CRT Aids de São Paulo?

Estas  questões  a Agência Aids disponibiliza publicamente e gostaria de ter  respostas do  poder público local. Já havíamos convidado o Secretário de Saúde do Município de Guarulhos, senhor Márcio Chaves  para uma entrevista. Em um primeiro momento a assessoria informou que eles se manifestarão através de notas. Agora surgiram essas dúvidas. Queremos publicar  os  esclarecimentos da gestão de saúde as perguntas feitas baseadas nas informações da nota oficial divulgada comparando-a  com as informações que recebemos por parte do Conselho de Saúde. O convite foi feito. Aguardamos a possibilidade de entrevista. Transparência em gestão pública, transparência na gestão municipal fazem bem a saúde e a democracia. Fazem muito bem a saúde e democracia das pessoas que vivem na cidade de Guarulhos, de São Paulo, do Oiapoque, do Chuí,  de Sertãozinho, de Brasília, do Rio de Janeiro, de qualquer lugar do Brasil. A Agência Aids reitera o convite para que o Secretário de Saúde do Município de Guarulhos, senhor Márcio Chaves considere nossas questões e  marque a entrevista.   Trazendo a lembrança  a  informação  do conselheiro que disse que  Guarulhos “ já foi referência no combate à Aids”, quem sabe com o apoio dos integrantes do Conselho Municipal de Saúde ,das pessoas comprometidas com o tema, das que tem se sensibilizado com a situação atual descrita em diferentes reportagens,  o esforço de todos  traga o município novamente para o patamar de referência. As perguntas e indagações que esta Agência publica na reportagem são, na realidade, questões que tem sido feitas pela população que vive com HIV/Aids naquela cidade e por aqueles que tem  empatia e solidariedade com a causa  e pauta em evidência.

Dica de Entrevista: 

Assessoria de Imprensa Prefeitura de Guarulhos – tel (11) 24641010

Secretaria Municipal de Saúde de Guarulhos – tel (11)24725000

marchimarcelo779@gmail.com

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