CRISE DO EMÍLIO RIBAS: FUNCIONÁRIOS DO HOSPITAL E ATIVISTAS DO MOVIMENTO DE LUTA CONTRA AIDS FARÃO ‘CAMINHADA’ ATÉ A SECRETARIA DE SAÚDE DE SÃO PAULO EM 9 DE ABRIL

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

21/03/2007 – 15h35

A crise do Hospital Emílio Ribas, centro de referência de São Paulo, terá mais um ato (literalmente) em 9 de abril. Ficou marcado para esta data, uma segunda-feira, um “ato público” no qual os manifestantes vão solicitar um encontro com o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, José Roberto Barradas Barata. “No nosso entender, o diálogo com a diretoria técnica [do Hospital Emílio Ribas] ficou inviável”, explicou Vladimir Silva Souza, presidente da Associação dos Médicos do Emílio Ribas, durante reunião que teve início na manhã desta quarta-feira (21/03). O objetivo do encontro, realizado no anfiteatro do Instituto de Infectologia do Emílio Ribas (IIER), era organizar e mobilizar as várias entidades reunidas. “Como nós vamos organizar, quais as propostas para esse ato público”, resumiu Nelmy Saad, presidente da Associação dos Médicos Residentes do local.

“Ou nós avaliamos que temos condições de fazer uma mobilização ou nós desistimos”, avaliou o Dr. Carlos Frederico Dantas, diretor clínico do IIER. De acordo com o último Boletim da AMIIER (de 8 de março de 2007), informativo da Associação dos Médicos do Instituto de Infectologia do Emílio Ribas (AMIIER), Dantas teve seus plantões médicos “cortados” por ter criticado a direção do Instituto em artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo de 26 de fevereiro. Segundo o mesmo texto, esse foi um dos “atos de retaliação” de “uma nova onda de autoritarismo”, que estaria sendo perpetrada pela direção do IIER.

“Eu não chamaria isso de ato público, eu chamaria isso de uma caminhada pelo Emílio Ribas para conversar com o secretário de Saúde”, explicou o Dr. Carlos Frederico Dantas. Na avaliação de Dantas, é preciso explicitar que a manifestação é “por um hospital melhor”, por uma “direção mais democrática e mais recursos”.

A crise no Hospital Emílio já dura cerca de três anos, na avaliação de Vladimir Silva Souza, presidente da Associação dos Médicos do Emílio Ribas. Contudo, foi apenas em dezembro do ano passado, com a divulgação de uma “carta aberta à população”, que a mídia passou a dar destaque para o embate entre servidores e direção. No texto de 2006, o “corpo clínico” do instituto garante que, com o andamento das obras no local, haverá uma redução de “30% do número de leitos hospitalares e 32% no número de salas para atendimento ambulatorial.”

Além dos representantes dos funcionários do Emílio Ribas e de outras entidades ligadas a área médica, como o SindSaúde, o evento também contou com a presença de ativistas ligados ao movimento de luta contra Aids. “O Fórum se sente bastante triste com essa situação. Isso nos atinge e muito”, esclareceu Ubiratan dos Santos, mais conhecido como Bira, vice-presidente do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo. Ele ressaltou o apoio da entidade à manifestação planejada pelos servidores do Emílio Ribas.

“Nós somos solidários a essa luta. Não só como ONG, mas como usuários”, explicou João Carlos, do Grupo de Incentivo à Vida (GIV). “Há anos que a gente tá vendo essa precariedade no atendimento”, disse. André Leonardi, chefe de gabinete do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), lembrou que a manifestação e todas as reuniões que a antecedem são “uma luta em favor da saúde pública, em favor do SUS [Sistema Único de Saúde]”. E ressaltou: “Cortar leitos é inaceitável”.

Em 2 de abril, as entidades se reúnem novamente para organizar e decidir os últimos detalhes da manifestação, intitulada como “caminhada”, que sairá do Hospital Emílio Ribas em direção a sede da Secretaria Estadual da Saúde. “Que grande ato é uma caminhada”, refletiu Dr. Carlos Frederico Dantas no final dos debates.

Léo Nogueira

Apoios