01/12/2014 – 20h30
A necessidade de construir um novo consenso para uma política nacional de combate ao HIV/aids foi discutida na tarde dessa segunda-feira (1º de Dezembro) durante o debate “Aids, onde estamos, o que queremos, novos desafios”, promovido pela Agência de Notícias da Aids. O deputado federal Paulo Teixeira (PT) lançou a ideia e prometeu ser um facilitador de sua concretização nas esferas do governo.
“Essa mesa poderia levar a ideia do consenso ao ministro”, sugeriu Paulo Teixeira. “Eu prometo continuar sendo porta voz do movimento da aids e seguir lutando contra o preconceito e a discriminação na Câmara Federal. Posso propor ao Ministério da Saúde verificar o que está sendo proposto e implementar uma série de medidas.”
O debate aconteceu no piso térreo do Conjunto Nacional. Com mediação de Roseli Tardelli, diretora da Agência de Notícias da Aids, a mesa contou também com a presença de Eliana Gutierrez, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Artur Kalichman, diretor adjunto do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de Ongs/Aids do Estado (Foaesp) e Américo Nunes Neto, presidente do Instituto Vida Nova.
Todos os participantes destacaram que a prevenção precisa ser reforçada e é uma das causas do aumento da epidemia entre a população jovem. “Essa população nem tinha nascido na fase do auge da aids. Não tem a memória dos tempos difíceis da doença”, destacou Paulo Teixeira.
Eliana Gutierrez falou da necessidade de derrubar as barreiras de acesso aos preservativos e outros insumos de prevenção. “Nós estamos com um trabalho para cobrir toda a rede de entretenimento, como os bares e boates no centro. É lá que a vida acontece. Acredito que temos de levar os preservativos onde as pessoas estão. Se a gente continuar esperando que venham buscar, a epidemia continuará crescendo”, disse a coordenadora.
Durante discussão sobre se os serviços de saúde estão preparados para atender as pessoas com HIV/aids, Eliana defendeu que se encontre formas diferentes de atenção para se chegar às diferentes pessoas. Citou a experiência do ambulatório na rua, que o Programa desenvolve dentro do projeto De Braços Abertos, na região da cracolândia, tendo a infectologista Zarifa Khoury à frente. A população daquela região já está recebendo o novo medicamento três em um.
Rodrigo Pinheiro defendeu que se faça mais campanhas de prevenção e trabalhe o tema da aids e da sexualidade nas escolas. “Quanto mais cedo as pessoas tiverem informações, mais chances elas terão de se prevenir”, disse ele.
Para Rodrigo, um dos pontos críticos do atual momento da aids é o fato de ainda nascerem crianças infectadas com HIV. “Há tecnologias para evitar isso e é inadmissível que ainda não tenhamos zerado as taxas de transmissão vertical.”
O presidente do Foaesp contestou um dos dados do novo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde que diz ter diminuído o número de mortes em consequência da aids. “Pelos números absolutos, os dados continuam iguais aos de 1997”, disse. “Isso porque hoje o foco é no diagnóstico, não na prevenção.”
Artur Kalichman reclamou da interdição que setores fundamentalistas fazem nos debates em torno da sexualidade e da prevenção. “Precisamos avançar nessa questão.” Também defendeu a ampliação do diagnóstico precoce. “Precisamos estimular as pessoas porque, fazendo o teste, elas se tratam mais cedo, o que é bom para a saúde delas e para diminuir o risco de transmissão do vírus.”
Américo Nunes chamou atenção para os eventos adversos dos tratamentos. Disse que a lipodistrofia é o novo perfil da aids. “A má distribuição da gordura deforma principalmente os corpos das mulheres e, com isso, elas estão ficando reclusas em suas casas.”
Ele também pediu atenção do governo para a população negra, outra com registro de aumento de casos de aids, e para as pessoas privadas de liberdade.
Ao falar sobre os novos desafios da aids, Eliana Gutierrez disse que, para ela, um dos mais importantes é reduzir o estigma e a discriminação em torno das pessoas soropositivas. “Parece uma questão velha, mas é isso o que tem abatido nossas melhores intenções.”
O debate teve transmissão on-line pela Agência de Notícias da Aids e pelo portal UOL.
Teve apoio da Gilliad, da Secretaria de Estado da Saúde e do Conjunto Nacional
Redação da Agência de Notícias da Aids



