
Saúde mental é um tema complexo e, por isso, muitas vezes deixado de lado nas conversas com as crianças. No entanto, abordar esse assunto é essencial, pois falar sobre suas emoções é fundamental para que os pequenos cresçam saudáveis e preparados para enfrentar os desafios da vida. É isso o que ressalta a campanha “Janeiro Branco”, um movimento brasileiro dedicado à saúde mental, que existe desde 2014. O objetivo é convidar a sociedade a refletir, dialogar e agir em prol do bem-estar emocional de todos. Para que os pais estejam preparados para falar com os filhos sobre isso, a CRESCER conversou com a psicóloga Talitha Nobre, do Grupo Prontobaby, que deu algumas dicas. Confira!
Dialogar desde cedo com os pequenos
Segundo a psicóloga, não há uma idade certa para conversar sobre o assunto com as crianças, mas é importante que o assunto seja normalizado e que, desde cedo, os pais possam tornar a discussão parte do dia a dia. “Falar ajuda a quebrar o tabu em torno do assunto que ainda é negligenciado na sociedade em que vivemos”, explicou.
“Conversar sobre assuntos como bullying, que é tão comum durante a infância, e explorar o impacto disso nas emoções, já amplia a capacidade da criança compreender a importância da saúde mental. Discutir o tema em uma linguagem acessível e ajudar no reconhecimento precoce de sinais de adoecimento podem contribuir também para um cenário de saúde emocional e qualidade de vida”, complementou a especialista.
Talitha Nobre destacou que a linguagem usada para explicar conceitos de saúde mental deve ser adaptada à idade da criança. Segundo ela, contar histórias simples e reais, sempre com transparência, é a maneira mais eficaz de abordar temas como ansiedade e tristeza. “Inventar histórias irreais pode gerar conflitos com o saber inconsciente da criança”, alertou.
Crianças raramente conseguem expressar seus sentimentos com clareza. No entanto, para Talitha, mudanças comportamentais, como alterações no humor, no sono ou na alimentação, podem indicar que algo não está bem. A queda no desempenho escolar e a perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas para o pequeno também são sinais que necessitam de atenção.
A profissional indica criar uma rotina estruturada, em que os pequenos tenham espaço para se expressar. “As crianças tendem a se sentir seguras em um ambiente previsível. Não é incomum que a criança prefira assistir sempre aos mesmos desenhos e programas de forma repetida, por exemplo. Isso acontece porque saber o que vai acontecer faz com que a criança se sinta mais segura”, explicou.
Cobranças exageradas, exposição a situações complexas, bullying e agressividade são situações que podem contribuir para o adoecimento infantil. Desta forma, os pais e toda a rede de apoio, como escola e família, precisam estar alinhados quanto ao papel que desempenham para o bem-estar emocional das crianças, permitindo que elas tenham uma estrutura saudável, na qual possam se expressar sem medo. “Evitar cobranças exageradas e conflitos frequentes no ambiente familiar contribui significativamente para uma saúde mental equilibrada”, destacou a psicóloga.


