Crescer: Como os pais podem falar sobre sexo com as meninas

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O sexo ainda é considerado um grande tabu entre as famílias e nem sempre os pais conseguem falar sobre o assunto com as filhas. Mas, para especialistas, incentivar a educação sexual desde cedo é fundamental. “Estudos mostram que em famílias que falam sobre sexualidade, as meninas têm uma iniciação sexual mais tardia, porque é possível se falar sobre o momento certo, sobre a pessoa certa, sobre as escolhas… Enquanto a família que não conversa, a adolescente segue a cabeça dela e os impulsos dela”, diz Carolina Ambrogini, obstetra, sexóloga, psicanalista e colunista da CRESCER.

Mas, convenhamos que não é um assunto fácil e ainda há muitas dúvidas sobre como abordá-lo. Tem uma idade ideal? Espera ela perguntar? Além disso, muitas vezes, as filhas podem se sentir desconfortáveis ou até não querer conversar sobre sexo com os pais. Nesse caso, o que fazer? Carolina Ambrogini responde a essas e outras perguntas a seguir. Confira!

Tem uma idade ideal?

Segundo a especialista, não há uma idade específica em que os pais podem falar sobre sexo com as filhas. “O ideal é que esse assunto seja falado desde a infância de forma gradual à medida que as dúvidas da criança vão surgindo e você vai sanando aquelas dúvidas. Não precisa se aprofundar tanto, porque às vezes a criança não quer entrar em determinados assuntos ainda ou não tem maturidade para tal”, afirma.

A médica reforça que cada adolescente é diferente e os pais precisam conhecer os próprios filhos. “Tem adolescente que aos 11 ou 12 anos já tem corpo de mulher, já tem sensações, já se toca… E tem adolescente com 12 anos que é criança ainda. O amadurecimento nessa fase ela é muito diverso. Então, os pais têm que ir sentindo a demanda de cada filho, conversando, estando presente na vida deles para entender e para saber quando é o momento certo”, explica.

Como quebrar o gelo?

Para Carolina Ambrogini, os pais não devem ter uma conversa formal sobre sexo, isso só afasta as filhas e torna tudo mais desconfortável. “A adolescente vai odiar isso”, destaca. Mas, então, o que eles podem fazer? O importante é manter um canal de comunicação aberto para que ela posso tirar dúvidas e pedir ajuda. “Diga: ‘Olha, quando você quiser conversar, eu estou aqui'”, sugere.

“Os pais também podem contar suas próprias histórias sobre a sua primeira vez para criar um ambiente em que essa conversa surja. Os pais também foram adolescentes. Eu acho muito importante lembrar disso. Mas nem sempre a adolescente quer falar e a gente tem que respeitar isso”, afirma.

Outra forma de estabelecer o diálogo é abordar o assunto utilizando ganchos do dia a dia. “Se passou uma reportagem na televisão, faz um comentário, fala alguma coisa, aproveita para explicar. Surgiu uma situação, um amigo, alguém com alguma dúvida, aproveita para entrar, mas de forma natural e não assim: ‘Vamos sentar e ter uma conversa sobre sexo'”, diz.

Como abordar assuntos específicos das meninas?

Hímen, sangramento, dores… Há muitos assuntos específicos que só as meninas enfrentam, o que pode gerar ainda mais dúvidas para as adolescentes. “Eu não sei se isso é conversa de pais e filha. Eu acho que os pais têm que sentir a adolescente. Tem adolescente que vai procurar a sua mãe para sanar essas dúvidas. Tem adolescente que não quer conversar com a sua mãe sobre isso. Se vocês têm um canal de comunicação aberto, ótimo! Mas se não, o ginecologista pode ser um bom aliado nessa hora”, afirma.

Para abordar temas como hímen – que até hoje é um assunto complexo – penetração e outros assuntos mais técnicos, buscar um especialista é um ótimo caminho. “Procure alguém que gosta de dar orientação, que está acostumado a atender adolescente, que pode falar, ter uma linguagem um pouco mais técnica. Assim, a adolescente não vai ficar envergonhada, porque eu percebo que elas têm muita vergonha. Quando é com o médico, é mais fácil, porque é uma pessoa neutra. Uma pessoa que está ali para ajudar, para fornecer informação”, diz. Os especialistas também podem ajudar a tirar dúvidas sobre prazer e masturbação.

E se a adolescente não quiser falar sobre sexo com os pais?

Pode ser que, mesmo com todas as tentativas de abordar o assunto com naturalidade, a adolescente não se sinta confortável em falar sobre sexo com os pais. E não adianta tentar forçar, só vai piorar as coisas! Nesses casos, além de consultar especialistas, os pais podem providenciar outros materiais para as filhas tirarem as dúvidas. Livros, vídeos de fontes confiáveis, podcasts… Há muitas outras opções sem ser a conversa cara a cara, segundo Ambrogini. Inclusive, a especialista apresenta o podcast “Preliminares”, que aborda diversos assuntos relacionados ao prazer.

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