Cresce número de casos de aids em Rio Claro, interior de São Paulo

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

10/08/2014 – 12h

O número de casos de aids em Rio Claro (SP) aumentou 40% no primeiro semestre deo ano em relação ao mesmo período em 2013. De janeiro a junho foram registradas 32 novas ocorrências contra 23 no ano passado. Um dado que chama a atenção é que a doença tem atingido mais pessoas entre 20 e 40 anos, segundo o Serviço Especializado em Prevenção e Assistência a DST, Aids e Hepatites Virais.

"É a faixa etária que nasceu na era da prevenção. Nos anos 80 teve uma epidemia, então a gente já passa a adotar estratégias de prevenção e juntamente é essa população que está se infectando hoje no município", disse Neide Pinto, coordenadora do centro que realiza cerca de 3,5 mil atendimento por mês e desde 2006 aderiu ao diagnóstico precoce, feito por meio do exame rápido no qual o paciente recebe o resultado em 15 minutos. Uma ferramenta que tem detectado os portadores do vírus cada vez mais cedo.

Para a psicóloga Maristela Ferreira Antonio, a banalização do sexo contribuiu para o aumento de novos casos. Além disso, muita gente ainda não utiliza os preservativos. "As pessoas hoje acham que, devido ao tratamento, se morre menos por causa da aids, por isso resolveram que talvez não é necessário usar camisinha. A falta de orientação é grande", disse.

Casos

Há 22 anos, a vendedora Regina Mesquita convive com o vírus da aids. Ela e o companheiro apresentaram a doença, mas ele morreu quatro anos após a descoberta.

"Naquele momento eu pensei assim: se eu não puder salvar o meu corpo, vou salvar a minha alma. Batalhei bastante para ajudá-lo, não queria que ele morresse. Mas eu tinha certeza que ele não iria conseguir porque ele não aceitou a doença. A maioria das pessoas morre porque não aceita e não toma a medicação", disse.

Aos 55 anos, Regina faz questão de ser uma multiplicadora da prevenção à doença. "Não quero que as pessoas fiquem na mesma situação em que estou hoje. Tem que vigiar, cuidar e se prevenir o tempo todo. A responsabilidade é muito grande. A aids não tem cara e usando o preservativo nem eu, nem outras pessoas vamos correr riscos. Não é só gravidez, mas todas as doenças sexualmente transmissíveis”, afirmou a vendedora.

Uma outra mulher de 37 e que preferiu não se identificar contou que era casada quando descobriu que estava com o vírus HIV, há menos de um ano. A princípio disse que sentiu um misto de preocupação e alívio, já que o filho dela não foi infectado pelo vírus. "O primeiro pensamento que vem na mente de qualquer um é: você vai morrer, a vida acabou. Mas eu superei isso e a partir daí comecei a viver.

Apoios