3/3/2007 – 15h
Aparelhos sem manutenção por mais de 6 meses, pacientes que podem sofrer com demoras de 4 meses para novas consultas, redução de leitos e falta de respiradores na UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER). Além disso, os médicos acusam o diretor Sebastião André de Felicce por má administração e dizem que ele estaria realizando retaliações pessoais contra os funcionários, não promovendo o diálogo e a transparência com o corpo clínico do IIER. A Associação dos Médicos se reuniu na tarde desta última sexta-feira (2) com o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) para tentar encontrar soluções no impasse que já dura cerca de um ano.
“Temos quatro elevadores e apenas um funciona. O lixo [hospitalar] circula no mesmo que local que pacientes, assim como a alimentação”, disse Lucas Medeiros, infectologista do hospital. Ele afirmou também que a direção mascara a situação quando a imprensa ou alguma autoridade comparecem no Instituto, ligando os elevadores apenas para tirar fotos – no caso de veículos de comunicação.
No fim do ano passado, a Associação do Médicos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (AMIIER) entrou com representação no Ministério Público de São Paulo, pedindo investigação no hospital. Entre as irregularidades estariam, por exemplo, a falta de licitação para manutenção de aparelhos de endoscopia e de respiradores nos leitos da UTI. “Temos 17, mas apenas 12 funcionam. Há 15 reservas que também não funcionam mais”, alerta Medeiros.
O presidente da AMIIER, Wladimir Souza, informou que o corpo clínico solicita audiência com o secretário estadual de saúde, Dr. Luiz Roberto Barradas Barata e com o governo de São Paulo. No ano passado, o Conselho Regional de Medicina, a Associação Paulista de Medicina e o Sindicato dos Médicos tentaram intermediar uma solução para o impasse, mas sem sucesso.
“Nós caminhamos para retaliações pessoais dentro do hospital por parte da direção, é um abismo que não tem volta”, reclamou Carlos Frederico Dantas, diretor clínico do Instituo de Infectologia.
Outro problema, segundo eles é a desativação de leitos com as obras. “Tivemos redução de um terço dos leitos (64 no total nos últimos três anos). As obras são realizadas com a presença de pacientes no local e também nem sabemos se o tipo de tinta que está sendo utilizado é certa para hospitais, além da falta de placas indicando o nome dos responsáveis pelas obras”, conta o Dr. Lucas Medeiros.
O Dr. Jamal Suleiman, médico infectologista, disse na reunião que a direção também não prioriza a pesquisa, no instituto que é referência em tratamento de doenças infecciosas como a Aids. “Corremos o risco de perder credenciamento no MEC para continuar realizando pesquisas, porque a direção não está cumprindo os trâmites necessários para a renovação da certificação de hospital escola”, diz.
O Dr. Lucas Medeiros acredita que nem mesmo a Secretaria Estadual de Saúde tenha conhecimento de todos os problemas pela forma como a direção do local conduz os problemas. A Associação ainda reclama da transformação do prédio amarelo (ambulatório) em área administrativa, sem informações claras sobre qual o destino do espaço com o encerramento das obras. A criação de um conselho gestor no hospital também é outra reivindicação dos médicos.
O deputado federal, Paulo Teixeira, prometeu na reunião, que durou cerca de duas horas, elaborar uma carta na próxima semana para outros deputados e articular uma mediação com dois deputados estaduais (a definir), um vereador e possivelmente o senador Eduardo Suplicy.
A assessoria de imprensa foi contatada, mas não foi localizada. No ano passado o órgão desmentiu as irregularidades apontadas pelos médicos do IIER.



