França registra muitos casos novos e aposta em inovação para frear as infecções pelo vírus
A França reúne cerca de 180 mil pessoas vivendo com HIV e está entre os países mais próximos de atingir as metas globais do Unaids. Atualmente, 94% das pessoas vivendo com o vírus conhecem seu diagnóstico, 96% recebem tratamento antirretroviral e 98% das pessoas em tratamento apresentam carga viral suprimida, condição que preserva a saúde e impede a transmissão sexual do HIV.
Mesmo com esses indicadores, a epidemia permanece ativa. Em 2024, o país registrou aproximadamente seis mil novos diagnósticos, evidenciando que ampliar o acesso à prevenção e promover o diagnóstico precoce continuam sendo prioridades.
A concentração dos casos é maior na região de Île-de-France, onde está localizada Paris. Embora reúna menos de um quinto da população francesa, essa região concentra quase metade das pessoas vivendo com HIV no país. As novas infecções ocorrem predominantemente entre homens, especialmente entre homens que fazem sexo com homens.
Outro desafio importante envolve a população migrante. Organizações da sociedade civil apontam que barreiras linguísticas, entraves burocráticos e o receio relacionado à situação migratória dificultam o acesso contínuo aos serviços de saúde para parte dos imigrantes.
A resposta francesa ao HIV começou ainda na década de 1980, quando o país esteve entre os pioneiros na disponibilização do AZT e, posteriormente, incorporou a terapia antirretroviral combinada ao sistema público de saúde. Nas últimas décadas, voltou a se destacar internacionalmente ao expandir o acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), oferecendo tanto a versão oral quanto o cabotegravir de longa duração, administrado por injeção.
Enquanto Espanha e França disputam uma vaga na final dentro das quatro linhas, os dois países seguem demonstrando que o enfrentamento ao HIV exige investimentos permanentes em prevenção, tratamento, inovação e redução das desigualdades. Apesar dos resultados expressivos alcançados, especialistas reforçam que a eliminação da epidemia depende da ampliação do acesso aos serviços de saúde e do combate ao estigma que ainda afasta muitas pessoas do diagnóstico e do cuidado.
Inglaterra foca no fim da transmissão do HIV
Mais de quatro décadas após registrar seus primeiros casos de HIV, a Inglaterra apresenta alguns dos indicadores mais robustos do mundo. Segundo o balanço mais recente da estratégia nacional divulgado pelo governo britânico, 95% das pessoas vivendo com HIV conhecem seu diagnóstico, 95% recebem terapia antirretroviral e 98% das pessoas em tratamento alcançaram supressão viral.
A supressão viral significa que a quantidade de vírus no organismo é reduzida a níveis indetectáveis pelos exames laboratoriais. Nessa condição, a pessoa não transmite o HIV por via sexual, conceito consolidado pela campanha Indetectável=Intransmissível (I=I).
Os resultados colocam o país entre aqueles que já alcançam as metas globais estabelecidas pelo Unaids e refletem uma transformação profunda desde os anos 1980, quando o HIV era cercado por medo, falta de tratamento e forte estigma.
Em comparação com 2010, os novos diagnósticos foram reduzidos pela metade, enquanto as mortes relacionadas à aids caíram cerca de 60%. Agora, o governo britânico estabeleceu uma nova meta: reduzir em 80% as novas infecções e os óbitos relacionados ao HIV até o final da década.
Para atingir esse objetivo, foi anunciado um investimento adicional de 170 milhões de libras, mais de R$1,2 bilhão, destinado à ampliação da testagem em serviços de emergência, expansão da oferta de PrEP, campanhas nacionais de prevenção e estratégias para localizar pessoas que interromperam o tratamento.
Apesar dos avanços, os desafios persistem. O acesso à prevenção ainda é desigual entre diferentes grupos populacionais. Enquanto homens gays e bissexuais brancos apresentam elevada cobertura de PrEP, pessoas negras continuam enfrentando maiores barreiras para acessar essa estratégia. Além disso, cerca de duas em cada cinco pessoas ainda recebem o diagnóstico tardiamente, quando o sistema imunológico já pode estar comprometido.
Redação Agência Aids



