Copa do Mundo 2026: Inglaterra acelera rumo ao fim da transmissão do HIV; Argentina busca preservar conquistas históricas

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Enquanto a Inglaterra avança rumo à eliminação da transmissão sustentada do HIV com investimentos bilionários, a Argentina tenta preservar uma resposta histórica diante da redução de recursos para prevenção.

A disputa entre Inglaterra e Argentina, marcada para esta quarta-feira (15), às 16h, vale uma vaga na final dentro de campo. Fora dele, as duas seleções também representam modelos importantes na resposta ao HIV, embora vivam momentos bastante diferentes no enfrentamento da epidemia.

De um lado, a Inglaterra aparece entre os países mais próximos de eliminar a transmissão sustentada do HIV como problema de saúde pública. Do outro, a Argentina segue como referência latino-americana na garantia de direitos e no acesso universal ao tratamento, mas enfrenta incertezas provocadas pela diminuição dos investimentos em políticas públicas.

Inglaterra mira o fim da transmissão sustentada do HIV

Mais de quatro décadas após registrar seus primeiros casos de HIV, a Inglaterra apresenta alguns dos indicadores mais robustos do mundo. Segundo o balanço mais recente da estratégia nacional divulgado pelo governo britânico, 95% das pessoas vivendo com HIV conhecem seu diagnóstico, 95% recebem terapia antirretroviral e 98% das pessoas em tratamento alcançaram supressão viral.

A supressão viral significa que a quantidade de vírus no organismo é reduzida a níveis indetectáveis pelos exames laboratoriais. Nessa condição, a pessoa não transmite o HIV por via sexual, conceito consolidado pela campanha Indetectável=Intransmissível (I=I).

Os resultados colocam o país entre aqueles que já alcançam as metas globais estabelecidas pelo Unaids e refletem uma transformação profunda desde os anos 1980, quando o HIV era cercado por medo, falta de tratamento e forte estigma.

Em comparação com 2010, os novos diagnósticos foram reduzidos pela metade, enquanto as mortes relacionadas à aids caíram cerca de 60%. Agora, o governo britânico estabeleceu uma nova meta: reduzir em 80% as novas infecções e os óbitos relacionados ao HIV até o final da década.

Para atingir esse objetivo, foi anunciado um investimento adicional de 170 milhões de libras, mais de R$1,2 bilhão, destinado à ampliação da testagem em serviços de emergência, expansão da oferta de PrEP, campanhas nacionais de prevenção e estratégias para localizar pessoas que interromperam o tratamento.

Apesar dos avanços, os desafios persistem. O acesso à prevenção ainda é desigual entre diferentes grupos populacionais. Enquanto homens gays e bissexuais brancos apresentam elevada cobertura de PrEP, pessoas negras continuam enfrentando maiores barreiras para acessar essa estratégia. Além disso, cerca de duas em cada cinco pessoas ainda recebem o diagnóstico tardiamente, quando o sistema imunológico já pode estar comprometido.

Argentina busca preservar uma resposta construída ao longo de décadas

Na América Latina, a Argentina consolidou uma das respostas mais consistentes ao HIV desde a década de 1990. O país foi pioneiro na criação de uma legislação que assegurou direitos como a confidencialidade do diagnóstico, o combate à discriminação e o acesso universal ao tratamento.

Com o passar dos anos, o sistema público passou a oferecer gratuitamente a terapia antirretroviral, preservativos, ações de redução de danos e, mais recentemente, incorporou também a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) como estratégia de prevenção. Atualmente, cerca de 140 mil pessoas vivem com HIV no país.

Grande parte dessa trajetória foi construída em parceria com organizações da sociedade civil, que desempenharam papel fundamental na formulação e no monitoramento das políticas públicas voltadas ao HIV.

Nos últimos anos, porém, especialistas e movimentos sociais têm alertado para os impactos da redução dos investimentos destinados ao programa nacional de HIV, hepatites virais, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e tuberculose.

Entre as principais consequências apontadas estão a diminuição da distribuição de preservativos, a redução de equipes técnicas e mudanças administrativas que enfraqueceram estruturas estratégicas da saúde pública. A preocupação é que esses cortes comprometam justamente as políticas que fizeram da Argentina uma referência regional.

Ao mesmo tempo, a epidemia permanece concentrada em populações-chave. Homens que fazem sexo com homens representam quase metade dos casos registrados, enquanto a prevalência entre pessoas trans segue acima de 30%, uma das mais elevadas da América Latina. As relações heterossexuais respondem por aproximadamente quatro em cada dez novas infecções notificadas no país.

Diferentes desafios rumo ao mesmo objetivo

Assim como acontece na semifinal, Inglaterra e Argentina chegam à disputa em momentos distintos também na resposta ao HIV. A seleção inglesa aposta na ampliação da prevenção e da testagem para alcançar a eliminação da transmissão sustentada do vírus, enquanto a Argentina busca preservar os avanços conquistados nas últimas décadas diante das restrições orçamentárias.

Se o resultado da partida definirá quem avança à decisão do torneio, o combate ao HIV continuará exigindo investimentos contínuos, políticas públicas baseadas em evidências e o compromisso de garantir que prevenção, diagnóstico e tratamento alcancem todas as populações.

Redação da Agência de Noticias da Aids

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