Semifinal desta terça-feira (14), às 16h, reúne dois países que se destacam pelo acesso ao tratamento e à prevenção, mas ainda enfrentam desafios para reduzir novas infecções e ampliar a equidade nos serviços de saúde.
A semifinal entre Espanha e França, marcada para esta terça-feira (14), às 16h, coloca frente a frente duas potências do futebol europeu e dois países que também figuram entre as principais referências continentais no enfrentamento ao HIV. Embora apresentem elevados índices de acesso ao diagnóstico e ao tratamento, ambos ainda enfrentam obstáculos para conter novas infecções e garantir que as estratégias de prevenção alcancem todas as populações.
Espanha amplia acesso à prevenção e combate desigualdades
A Espanha mantém uma resposta consolidada ao HIV. Segundo dados do Unaids, cerca de 160 mil pessoas vivem com o vírus no país, das quais 92,5% já conhecem seu diagnóstico.
Em 2024, foram registrados aproximadamente 3.200 novos casos, enquanto a prevalência entre adultos de 15 a 49 anos permanece em torno de 0,3%, um dos menores índices da Europa Ocidental.
A epidemia segue concentrada principalmente entre homens que fazem sexo com homens, responsáveis por cerca de 56% das novas infecções. As transmissões por relações heterossexuais representam aproximadamente um quarto dos diagnósticos.
O país oferece tratamento antirretroviral universal e fortaleceu sua política de prevenção ao ampliar o acesso gratuito à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), disponível no sistema público desde 2019. Mais recentemente, a estratégia passou a incluir também a PrEP injetável para pessoas elegíveis.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que ainda há barreiras para que todas as populações tenham acesso aos serviços de saúde. Durante o 22º Congresso Nacional sobre Aids e ISTs, realizado em Valladolid, representantes do Plano Nacional sobre HIV/Aids destacaram que aproximadamente metade dos novos diagnósticos ocorre entre migrantes em situação administrativa irregular, grupo que frequentemente enfrenta dificuldades para acessar testagem, acompanhamento e tratamento.
A Espanha também avançou recentemente no enfrentamento ao estigma. Em 2025, uma decisão judicial considerou discriminatória a redução da validade da carteira de motorista de uma pessoa apenas por viver com HIV, entendimento celebrado por organizações da sociedade civil como um marco na defesa dos direitos dessa população.
França aposta em inovação, mas ainda registra milhares de novos casos
A França reúne cerca de 180 mil pessoas vivendo com HIV e está entre os países mais próximos de atingir as metas globais do Unaids. Atualmente, 94% das pessoas vivendo com o vírus conhecem seu diagnóstico, 96% recebem tratamento antirretroviral e 98% das pessoas em tratamento apresentam carga viral suprimida, condição que preserva a saúde e impede a transmissão sexual do HIV.
Mesmo com esses indicadores, a epidemia permanece ativa. Em 2024, o país registrou aproximadamente seis mil novos diagnósticos, evidenciando que ampliar o acesso à prevenção e promover o diagnóstico precoce continuam sendo prioridades.
A concentração dos casos é maior na região de Île-de-France, onde está localizada Paris. Embora reúna menos de um quinto da população francesa, essa região concentra quase metade das pessoas vivendo com HIV no país. As novas infecções ocorrem predominantemente entre homens, especialmente entre homens que fazem sexo com homens.
Outro desafio importante envolve a população migrante. Organizações da sociedade civil apontam que barreiras linguísticas, entraves burocráticos e o receio relacionado à situação migratória dificultam o acesso contínuo aos serviços de saúde para parte dos imigrantes.
A resposta francesa ao HIV começou ainda na década de 1980, quando o país esteve entre os pioneiros na disponibilização do AZT e, posteriormente, incorporou a terapia antirretroviral combinada ao sistema público de saúde. Nas últimas décadas, voltou a se destacar internacionalmente ao expandir o acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), oferecendo tanto a versão oral quanto o cabotegravir de longa duração, administrado por injeção.
Enquanto Espanha e França disputam uma vaga na final dentro das quatro linhas, os dois países seguem demonstrando que o enfrentamento ao HIV exige investimentos permanentes em prevenção, tratamento, inovação e redução das desigualdades. Apesar dos resultados expressivos alcançados, especialistas reforçam que a eliminação da epidemia depende da ampliação do acesso aos serviços de saúde e do combate ao estigma que ainda afasta muitas pessoas do diagnóstico e do cuidado.



