País europeu se aproxima das metas globais de controle da epidemia, enquanto a Colômbia alia avanços em direitos humanos e acesso a medicamentos ao desafio de enfrentar uma das maiores epidemias da América do Sul.
Enquanto Suíça e Colômbia entram em campo nesta terça-feira (7), às 17h, pela Copa do Mundo, o confronto também permite observar como os dois países vêm enfrentando a epidemia de HIV por caminhos diferentes.
De um lado, a seleção suíça representa um país que figura entre os mais bem-sucedidos da Europa no controle da infecção. Do outro, a Colômbia combina importantes avanços em direitos humanos e acesso ao tratamento com o desafio de reduzir uma epidemia ainda expressiva.
Suíça mantém indicadores próximos das metas globais
A Suíça abriga cerca de 18 mil pessoas vivendo com HIV e apresenta indicadores que a colocam muito próxima das metas globais 95-95-95 do Unaids. Aproximadamente 92% das pessoas que vivem com o vírus conhecem seu diagnóstico, 98% recebem tratamento antirretroviral e 99% das pessoas em terapia atingiram carga viral indetectável, resultado que reduz significativamente a transmissão do HIV e melhora a qualidade de vida.
Os números refletem uma resposta consolidada ao longo das últimas décadas. Em 2023, foram registrados 352 novos casos de HIV, mantendo uma incidência considerada estável, de aproximadamente quatro diagnósticos por 100 mil habitantes.
A epidemia no país permanece concentrada principalmente entre homens que fazem sexo com homens, responsáveis por cerca de 70% das novas infecções. Entre as mulheres, a principal forma de transmissão continua sendo por relações heterossexuais.
Além da ampla oferta de diagnóstico e tratamento, a prevenção tem papel central na estratégia suíça. O país investe continuamente em campanhas de testagem, diagnóstico precoce e na expansão da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Ao final de 2023, cerca de 5.750 pessoas utilizavam a medicação, principalmente homens gays e bissexuais, considerada uma ferramenta essencial para manter o controle da epidemia.
Colômbia alia avanços em direitos humanos ao desafio de reduzir a epidemia
Já a Colômbia convive com um cenário mais complexo. Estima-se que aproximadamente 230 mil pessoas vivam com HIV no país, cuja prevalência entre adultos é de cerca de 0,6%, uma das mais elevadas da América do Sul. Somente em 2023 foram registrados cerca de 12 mil novos diagnósticos, concentrados principalmente em grandes centros urbanos, como Bogotá, Medellín e Cali.
Os homens respondem por quase 80% das novas infecções, e os homens que fazem sexo com homens continuam sendo o grupo mais impactado pela epidemia. Apesar desse cenário, a assistência vem apresentando resultados positivos. Mais de 80% das pessoas diagnosticadas estão em tratamento antirretroviral, e a maior parte delas alcança supressão viral.
Nos últimos anos, a Colômbia também ganhou destaque internacional por importantes decisões voltadas à garantia de direitos. Em 2019, o Tribunal Constitucional declarou inconstitucional a legislação que criminalizava a transmissão do HIV, entendendo que a norma violava princípios de igualdade, dignidade e não discriminação. A decisão foi celebrada por especialistas em saúde pública e organizações da sociedade civil, que defendem que a criminalização aumenta o estigma sem contribuir para a redução de novas infecções.
Outra medida de grande impacto ocorreu em 2024, quando a Colômbia emitiu sua primeira licença compulsória para o dolutegravir, um dos principais medicamentos utilizados no tratamento do HIV. A iniciativa permitiu ampliar o acesso a versões genéricas do medicamento e reduzir os custos para o sistema público de saúde, fortalecendo a sustentabilidade da resposta nacional.
A prevenção também ganhou reforço com a incorporação oficial da PrEP ao sistema de saúde colombiano em 2021, ampliando as estratégias para reduzir novas infecções entre populações mais vulneráveis.
Assim como acontece dentro das quatro linhas, Suíça e Colômbia apresentam estilos diferentes também na resposta ao HIV. Enquanto os suíços demonstram consistência e indicadores próximos da eliminação da epidemia como problema de saúde pública, a Colômbia busca consolidar avanços importantes em direitos humanos, prevenção e acesso aos medicamentos, enfrentando o desafio de controlar uma epidemia de maior magnitude.
Redação Agência de Notícias da Aids




