Copa do Mundo 2026: Argentina busca manter avanços enquanto Egito enfrenta crescimento do HIV 

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Países se enfrentam pelas oitavas de final da Copa do Mundo enquanto vivem momentos distintos na prevenção, no diagnóstico e no cuidado às pessoas que vivem com HIV.

Nesta terça-feira (7), às 13h, Argentina e Egito entram em campo pelas quartas de final da Copa do Mundo. Além da disputa por uma vaga na próxima fase do torneio, os dois países apresentam realidades bastante diferentes quando o assunto é enfrentamento ao HIV, refletindo histórias, investimentos e desafios distintos no controle da epidemia.

A Argentina é considerada uma das referências da América Latina em políticas públicas voltadas às pessoas vivendo com HIV. Ainda no início da década de 1990, o país estabeleceu uma legislação que garantiu direitos fundamentais, como a confidencialidade do diagnóstico, o combate à discriminação e o acesso universal à assistência em saúde.

Poucos anos depois, a terapia antirretroviral passou a ser disponibilizada pelo sistema público argentino. Ao longo das décadas seguintes, a resposta nacional foi fortalecida com distribuição gratuita de preservativos, estratégias de redução de danos e intensa participação de organizações da sociedade civil na construção das políticas de prevenção.

Mais recentemente, o país ampliou novamente sua estratégia ao incorporar a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao sistema público e atualizar sua legislação para reforçar os direitos das pessoas vivendo com HIV. Atualmente, cerca de 140 mil argentinos convivem com o vírus.

Redução de investimentos gera preocupação

Apesar dos avanços históricos, especialistas e entidades da sociedade civil vêm manifestando preocupação com a redução dos investimentos públicos destinados às políticas de HIV.

Nos últimos anos, o orçamento do programa nacional voltado ao HIV, hepatites virais, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e tuberculose sofreu forte diminuição, repercutindo diretamente nas ações de prevenção.

Entre os reflexos observados está a redução expressiva da distribuição de preservativos e a diminuição do número de profissionais vinculados ao programa nacional. Também houve mudanças administrativas que resultaram na extinção de estruturas responsáveis por áreas estratégicas da saúde pública.

A preocupação é que esses cortes comprometam justamente as iniciativas que fizeram da Argentina uma das principais referências regionais no controle da epidemia.

Populações-chave seguem mais vulneráveis

Embora o país mantenha indicadores importantes, a epidemia continua concentrada em grupos específicos.

Homens que fazem sexo com homens respondem por quase metade dos casos registrados e apresentam prevalência significativamente superior à da população geral. Entre pessoas trans, a prevalência permanece acima de 30%, uma das mais elevadas da América Latina.

As relações heterossexuais representam aproximadamente quatro em cada dez novas infecções registradas no país.

Egito convive com crescimento da epidemia

No Egito, o cenário é bastante diferente. O número estimado de pessoas vivendo com HIV aumentou nos últimos anos, passando de cerca de 46 mil para 56 mil entre 2022 e 2024. No mesmo período, também houve crescimento dos novos diagnósticos anuais.

Especialistas apontam que um dos principais obstáculos para controlar esse avanço é a baixa cobertura da testagem. Atualmente, pouco mais da metade das pessoas que vivem com HIV no país conhece seu diagnóstico.

Como consequência, milhares de pessoas permanecem fora do acompanhamento médico e iniciam o tratamento apenas em fases mais avançadas da infecção.

Entre aqueles que receberam o diagnóstico, a maioria tem acesso à terapia antirretroviral, e uma parcela expressiva alcança a supressão da carga viral, demonstrando a efetividade do tratamento quando ele é iniciado.

Diagnóstico e prevenção ainda são desafios

Embora o tratamento seja oferecido gratuitamente, ampliar o acesso ao diagnóstico continua sendo uma das principais prioridades para a resposta egípcia ao HIV.

Outro desafio importante está na prevenção. Diferentemente de diversos países participantes da Copa do Mundo de 2026, o Egito ainda não possui um programa nacional de oferta da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), restringindo seu acesso a um número reduzido de pessoas.

Organizações internacionais também destacam a escassez de informações sobre populações-chave, como homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e pessoas que usam drogas injetáveis. O estigma, barreiras culturais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde continuam sendo fatores que dificultam o enfrentamento da epidemia.

Enquanto Argentina e Egito disputam uma vaga na semifinal dentro das quatro linhas, os dois países seguem enfrentando desafios muito distintos fora dos gramados. De um lado, uma nação que construiu uma sólida trajetória de políticas públicas, mas busca preservar conquistas diante da redução de investimentos. Do outro, um país que precisa ampliar o diagnóstico precoce e fortalecer estratégias de prevenção para conter o crescimento do HIV.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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