Copa 2026: estreia entre EUA e Paraguai expõe os contrastes da luta contra o HIV nas Américas

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Na noite de 12 de junho, diante de um SoFi Stadium lotado, em Los Angeles, Estados Unidos e Paraguai fazem um dos jogos mais simbólicos da abertura da Copa do Mundo FIFA 2026. A partida, válida pelo Grupo D, acontece às 22h no horário de Brasília e marca não apenas a estreia de uma das seleções anfitriãs do torneio, mas também o encontro entre dois países atravessados pelos desafios da epidemia de HIV/aids.

O duelo vai além do futebol. De um lado, a potência que concentra uma das maiores estruturas científicas e farmacêuticas do planeta, mas que enfrenta cortes históricos em políticas públicas de HIV/aids. Do outro, um país sul-americano de menor dimensão territorial e econômica, que também convive com desafios ligados à prevenção, ao estigma e ao acesso à saúde.

A Copa transforma os dois países em protagonistas de um espetáculo global acompanhado por bilhões de pessoas. Mas fora dos gramados, ambos seguem atravessados por uma epidemia que continua expondo desigualdades sociais, vulnerabilidades e disputas políticas.

Weston McKennie e Christian Pulisic em jogo da seleção dos EUA

Os Estados Unidos chegam ao torneio com mais de 1,2 milhão de pessoas vivendo com HIV. Cerca de 12,5% ainda não conhecem seu estado sorológico. O número anual de novas infecções permanece estabilizado em aproximadamente 31,8 mil casos desde 2022.

Os homens que fazem sexo com homens (HSH), especialmente jovens afro-americanos e latinos, seguem como o grupo mais impactado pela epidemia no país. Em 2022, esse segmento respondeu por 69% das novas infecções registradas.

Ao mesmo tempo, os EUA vivem um cenário de tensão na saúde pública desde o retorno de Donald Trump à presidência. O congelamento do PEPFAR — programa considerado um dos maiores esforços globais de combate à aids — e a saída do país da Organização Mundial da Saúde reacenderam alertas internacionais sobre o futuro da resposta norte-americana ao HIV.

Paraguai convive com epidemia concentrada e crescimento regional

Paraguai e Marrocos empatam sem gols em amistoso — Foto: Reuters

Do lado paraguaio, os números absolutos são menores, mas o país enfrenta desafios semelhantes. Dados do Unaids apontam que a prevalência do HIV entre adultos de 15 a 49 anos no Paraguai gira em torno de 0,5%.

A epidemia no país segue concentrada principalmente entre populações-chave, especialmente homens gays, bissexuais e outros HSH, além de pessoas trans e profissionais do sexo — um cenário semelhante ao observado em diversos países da América Latina.

Relatórios recentes do Unaids também apontam preocupação com o estigma e a discriminação enfrentados pelas pessoas vivendo com HIV no Paraguai. Um estudo realizado com mil pessoas soropositivas revelou impactos diretos da discriminação no acesso aos serviços de saúde e no tratamento.

O cenário regional preocupa organismos internacionais. O relatório global do Unaids de 2024 mostrou que, pela primeira vez, a maioria das novas infecções por HIV ocorreu fora da África Subsaariana, com crescimento em regiões como América Latina, Europa Oriental e Ásia Central.

A Copa como vitrine global da prevenção

Os dois países carregam histórias muito diferentes dentro da epidemia, mas compartilham um desafio comum: ampliar prevenção, reduzir desigualdades e enfrentar o estigma em um momento em que o mundo volta seus olhos para o futebol.

Nos Estados Unidos, cidades historicamente marcadas pela luta contra a aids — como Nova York, Los Angeles e São Francisco — recebem torcedores de todas as partes do planeta. No Paraguai, a classificação para o Mundial recoloca o país no centro da cena esportiva internacional e amplia a visibilidade de temas ligados à saúde pública e direitos humanos.

Em meio às festas, bandeiras e transmissões globais, a Copa também se transforma em oportunidade para campanhas de prevenção, ampliação do acesso à testagem e fortalecimento do debate público sobre HIV/aids.

Porque enquanto a bola circula pelos gramados, a epidemia continua atravessando fronteiras, idiomas e continentes.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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