COP30: Especialista alerta que sistema alimentar atual ‘transforma petróleo em comida’ e cobra transição sustentável

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A discussão sobre sistemas alimentares esteve entre os temas discutidos na COP30, em Belém do Pará, Paulo Petersen, integrante da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, destaca que a agricultura familiar precisa ocupar o centro das estratégias globais e nacionais de enfrentamento às mudanças climáticas.

Segundo Petersen, o modelo alimentar atual já não cumpre sua função essencial, que é  garantir comida saudável e adequada para toda a população. Ele afirma que os sistemas alimentares, além de falharem em assegurar o direito humano à alimentação, tornaram-se também um dos principais motores das mudanças climáticas. Por isso, reorientar os sistemas alimentares é urgente  e essa transformação deve estar fundamentada na agricultura familiar, responsável por grande parte da produção de alimentos frescos no Brasil e no mundo. Ele defende que o setor seja reconhecido como peça-chave para uma transição sustentável, “Transformar os sistemas alimentares é chave. É uma grande expectativa que essa COP posicione melhor os sistemas alimentares no debate climático, mas para que essa transformação ocorra, é preciso estar fundamentada na agricultura familiar.”

Petersen enfatiza que há grande expectativa para que a COP30 dê maior protagonismo ao tema dos sistemas alimentares dentro do debate climático. Porém, ele alerta que os impasses não são apenas internacionais. Segundo ele, setores que mais emitem gases de efeito estufa resistem a mudanças estruturais e exercem pressão política para impedir avanços. Petersen alerta, ainda, para a dependência da agricultura convencional de combustíveis fósseis, caracterizando o modelo atual como “a arte de transformar petróleo em alimento”. Para ele, essa lógica é prejudicial tanto à saúde humana quanto à saúde do planeta, e reforça a urgência de uma transição baseada em práticas, “ transformar a forma como o mundo produz, distribui e consome alimentos é uma das chaves para enfrentar a crise climática e proteger as populações mais vulneráveis”, finaliza o Paulo Petersen.

Filomena Salemme, de Belém do Pará, especial para Agência Aids

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